Queda e ascensão

PlayStation VR2 se reposiciona após 3 anos no mercado

Compatibilidade com PC e expansão do catálogo consolidam nova fase do headset em dois ecossistemas de jogos

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Três anos após chegar ao mercado, o PlayStation VR2 vive um momento diferente daquele projetado por parte da indústria. O headset de realidade virtual da Sony para o PlayStation 5 é um visor que coloca o jogador dentro de ambientes digitais e permite interação em primeira pessoa com uso de movimentos da cabeça e dos controles.

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Nesse período, passou a ganhar novas formas de uso, incluindo compatibilidade com computadores e integração ao SteamVR, o que ampliou seu alcance além do console. A combinação desses fatores marca uma nova fase para o produto, que enfrentou dúvidas sobre seu futuro logo após o lançamento e hoje busca consolidar sua presença em um mercado mais competitivo, com mais de 300 jogos disponíveis.

 

A aposta da Sony em realidade virtual começou ainda em 2016, com o lançamento do primeiro PlayStation VR para o PlayStation 4. O acessório nasceu com a proposta de tornar a tecnologia mais acessível para quem já possuía um console, eliminando a necessidade de investir em um computador de alto desempenho, como acontecia com grande parte dos headsets da época.

A estratégia deu resultado. Segundo dados da própria Sony, o primeiro PlayStation VR ultrapassou a marca de cinco milhões de unidades vendidas durante seu ciclo comercial, tornando-se o headset de realidade virtual para consoles mais vendido de sua geração. O desempenho reforçou a expectativa de que a empresa repetiria o sucesso com uma nova versão.

Outro mercado

PlayStation VR2 completa três anos e amplia uso no PC, com catálogo em expansão e reposicionamento no mercado de realidade virtual.
PlayStation VR2 combina visor e controles de movimento para criar experiências imersivas em primeira pessoa. Divulgação

Quando o PlayStation VR2 chegou às lojas, em 2023, o cenário era bem diferente. O novo modelo trouxe avanços importantes, como tela OLED com HDR, rastreamento ocular, resposta tátil integrada ao headset, controles mais modernos e rastreamento interno das câmeras, dispensando a câmera externa utilizada pela geração anterior.

Apesar da evolução tecnológica, o mercado já não era o mesmo. A realidade virtual deixou de ser uma novidade, enquanto fabricantes como a Meta ampliaram a oferta de headsets independentes, capazes de funcionar sem consoles ou computadores. Ao mesmo tempo, o SteamVR consolidou uma biblioteca robusta de jogos para PC, elevando a concorrência e tornando a decisão de compra mais complexa para os consumidores.

Primeiras dificuldades

PlayStation VR2 completa três anos e amplia uso no PC, com catálogo em expansão e reposicionamento no mercado de realidade virtual.
Controles do PlayStation VR2 Sense reforçam a imersão com sensores de movimento e resposta tátil integrada aos jogos. Divulgação

O lançamento do PlayStation VR2 foi acompanhado por boas vendas iniciais. Dados divulgados pela Sony apontaram cerca de 600 mil unidades comercializadas nas seis primeiras semanas, desempenho superior ao registrado pelo primeiro PlayStation VR no mesmo período.

O ritmo, porém, perdeu força nos meses seguintes. O preço elevado do headset, a necessidade de possuir um PlayStation 5 e o número reduzido de jogos exclusivos alimentaram dúvidas sobre o futuro da plataforma. Entre jogadores e analistas, surgiram questionamentos sobre o nível de investimento que a Sony manteria no acessório nos anos seguintes.

Nova estratégia

PlayStation VR2 completa três anos e amplia uso no PC, com catálogo em expansão e reposicionamento no mercado de realidade virtual.
Conjunto do PlayStation VR2 destaca rastreamento ocular e integração entre visor e controles para maior precisão nos jogos. Divulgação

O ponto de virada veio com a ampliação da estratégia da empresa. Em 2024, a Sony lançou um adaptador oficial que permitiu utilizar o PlayStation VR2 em computadores compatíveis, abrindo acesso ao SteamVR e ampliando significativamente o universo de jogos disponíveis.

A mudança também alterou a forma como o headset passou a ser percebido. Em vez de depender exclusivamente do ciclo de vida do PlayStation 5, o acessório passou a atender também usuários de PC, aumentando sua vida útil e alcançando um público potencialmente maior.

Ao mesmo tempo, a biblioteca da plataforma continuou crescendo. O catálogo ultrapassou a marca de 300 jogos e passou a reunir produções de diferentes perfis, incluindo simuladores, RPGs, jogos de corrida, terror, tiro e experiências casuais. A diversidade indica uma estratégia voltada para atender públicos distintos, em vez de concentrar esforços apenas em demonstrações técnicas ou experiências de curta duração.

Novos títulos

PlayStation VR2 completa três anos e amplia uso no PC, com catálogo em expansão e reposicionamento no mercado de realidade virtual.
Headset PlayStation VR2 da Sony ganha novas funções com suporte ao PC e amplia presença no ecossistema de realidade virtual. Divulgação

Os lançamentos mais recentes refletem essa expansão do catálogo. Jogos como ‘WRATH: Aeon of Ruin VR’, ‘Shop & Stuff: Supermarket Simulator’ e ‘Trial of Greed VR’ representam diferentes gêneros disponíveis para os usuários, que hoje encontram desde simuladores e aventuras até experiências de ação e exploração.

Mais do que ampliar a quantidade de títulos, a estratégia busca oferecer opções para diferentes perfis de jogadores, tanto no PlayStation 5 quanto no PC por meio da compatibilidade oficial.

Novo momento

A trajetória do PlayStation VR2 mostra que o desempenho de um periférico vai além das especificações técnicas. Lançado em um mercado mais competitivo e cercado de dúvidas, o headset encontrou um novo posicionamento ao expandir seu ecossistema e reduzir a dependência exclusiva do PlayStation 5.

Três anos após o lançamento, a Sony não divulga relatórios frequentes com o total acumulado de vendas do PlayStation VR2. Segundo a assessoria da empresa, o headset registrou cerca de 2 milhões de unidades vendidas até 2024. Nesse recorte, sua relevância passa a ser medida pela evolução do uso e pelas funcionalidades entregues ao público, em vez de números absolutos de vendas.

Nesse contexto, o PS VR2 se mantém ativo ao ampliar a integração com PC, sustentar um catálogo em crescimento e oferecer recursos como rastreamento ocular e feedback háptico no headset. O conjunto reforça uma experiência mais completa em relação ao lançamento e reposiciona o produto como um dispositivo que opera em dois ambientes, console e computador, acompanhando um mercado de realidade virtual mais amplo e competitivo.

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