QUALIDADE DE VIDA

Movimentos da infância podem reduzir dor lombar crônica, aponta pesquisa

Estudo mostra que exercícios simples e progressivos melhoram equilíbrio, confiança corporal e funcionalidade, mesmo sem eliminar totalmente a dor

Publicidade
Carregando...

Movimentos aprendidos na infância, como rolar, engatinhar e agachar, podem ser úteis na idade adulta para aliviar a dor lombar crônica. É o que aponta um estudo da Universidade do Sul da Austrália, publicado em novembro na revista Musculoskeletal Science and Practice.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

A dor lombar é uma das queixas mais comuns em todo o mundo e está entre os principais problemas de saúde pública globais. Persistente, incapacitante e muitas vezes difícil de tratar, ela impacta diretamente a qualidade de vida, a produtividade e o bem-estar emocional de milhões de pessoas.

“Cerca de 80% da população vai apresentar pelo menos um episódio significativo de dor lombar ao longo da vida. Em números absolutos, estamos falando de algo em torno de 500 milhões de pessoas afetadas mundialmente”, afirma o ortopedista e cirurgião da coluna Luciano Miller, do Einstein Hospital Israelita.

A pesquisa australiana avaliou os benefícios do programa Motum, desenvolvido por fisioterapeutas e baseado no reaprendizado progressivo de padrões fundamentais de movimento. O método foi estruturado em aulas semanais presenciais, com progressão gradual de movimentos no solo para posições mais complexas em pé, além de educação sobre dor e controle motor.

O medo de sentir dor ao se mover, conhecido como cinesiofobia, é um dos principais fatores associados à cronificação da dor lombar. O trabalho foi realizado ao longo de 12 semanas e envolveu 32 adultos com dor lombar crônica não específica, condição que responde por até 90% dos casos de dor lombar. Ao final do período, a aceitação do programa foi considerada alta pelos participantes.

Em comparação com o grupo controle, os indivíduos que receberam a intervenção tiveram um efeito considerado grande na redução do medo do movimento, além de melhora significativa no equilíbrio. Também foram observados impactos positivos sobre a dor, a funcionalidade e a autoconfiança para realizar atividades do dia a dia.

Para o ortopedista, os achados do estudo têm aplicação direta na prática clínica. “O medo de se movimentar é um dos principais fatores que atrapalham o tratamento da dor lombar crônica. Quando o paciente sente dor, passa a evitar o movimento, perde força muscular, deixa de confiar no próprio corpo e, com isso, acaba sentindo ainda mais dor”, explica.

“Ao aprender que é possível se mover com segurança, mesmo sentindo algum desconforto, o paciente deixa de ser refém da dor. A redução desse medo melhora a confiança, a autonomia e a função motora, com impacto direto na qualidade de vida e menor risco de cronificação da doença.”

Fatores de risco e causas

Embora a dor lombar possa atingir qualquer pessoa, em qualquer fase da vida, há maior incidência entre adultos jovens e de meia-idade, especialmente aqueles que realizam esforço físico repetitivo ou passam longos períodos sentados. Tabagismo, sobrepeso e estresse crônico também são fatores importantes. “Além disso, a dor lombar é uma das principais causas de afastamento do trabalho em pessoas com menos de 60 anos”, relata o ortopedista.

A maior parte dos casos é classificada como dor lombar não específica, quando não existe uma causa estrutural evidente nos exames de imagem. “Essa nomenclatura deixa claro que a dor não está ligada a problemas como hérnia de disco, compressão de nervos, infecções, fraturas ou tumores. Trata-se de uma dor real, muitas vezes incapacitante, mas que não depende de uma lesão visível”, explica Luciano Miller. Nesses casos, a origem da dor normalmente envolve uma combinação de fatores, como:

  • alterações biomecânicas
  • sobrecarga muscular
  • estresse
  • sono de má qualidade

O uso de medicamentos pode ser útil em fases agudas, mas eles não tratam a causa do problema. Analgésicos e anti-inflamatórios devem ser usados com cautela e por períodos curtos. “Hoje sabemos, com forte respaldo científico, que o movimento orientado, associado à educação sobre dor, é a base do tratamento”, resume o especialista.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Abordagens como o programa Motum são relevantes por enxergarem o corpo como um sistema em movimento, e não apenas uma estrutura que dói. “Eles ensinam o paciente a se mover melhor, com mais controle, consciência corporal e progressão segura. Enquanto a abordagem focada apenas em analgesia tenta ‘calar’ a dor, o movimento progressivo ajuda o paciente a lidar com o corpo real que tem, recuperando função, autonomia e confiança”, resume. 

Tópicos relacionados:

autonomia bem-estar dor-lombar pesquisa saude

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay