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Janeiro Seco: os efeitos do álcool na desidratação, no sono e na enxaqueca

Desafio visa iniciar o ano sem a ingestão de álcool, o que é válido para melhorar a saúde. Álcool é sempre uma substância tóxica, mesmo que socialmente tolerada

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O desafio Janeiro Seco visa iniciar o ano sem a ingestão de álcool, o que é válido para melhorar a saúde, principalmente se essa estratégia perpetuar durante o ano. Embora muita gente saiba que a ingestão crônica de álcool é associada a diversos problemas de saúde, é importante saber também que o consumo de poucas latinhas de cerveja, taças de vinho ou drinks também podem ter impacto quase que imediatamente sobre a saúde. A tolerância ao álcool varia de pessoa para pessoa e, em algumas, os efeitos agudos do consumo podem causar rápida desidratação, problemas de sono e funcionar como gatilhos para enxaqueca.

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“Não há quantidade segura para o consumo de bebidas alcoólicas, uma vez que o álcool é sempre uma substância tóxica, mesmo que socialmente tolerada; o conceito de uso de baixo risco é relativo e individualizado, mas não equivale a ‘uso seguro’; e o ideal para saúde metabólica, hepática, neurológica e hormonal, especialmente após os 40 anos, é a redução máxima ou abstinência”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

De acordo com a endocrinologista Deborah Beranger, com pós-graduação em endocrinologia e metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), o efeito direto e imediato do álcool é a desidratação. “Isso ocorre porque ele inibe a liberação da vasopressina, que é um hormônio responsável por regular essa reabsorção de água nos rins. Além disso, o álcool é um diurético, então quando a pessoa ingere uma quantidade muito alta de álcool, ela vai várias vezes ao banheiro, por isso que tem essa desidratação importante”, esclarece a endocrinologista.

“Para minimizar os danos, beber água entre os goles de álcool é uma maneira importante de evitara desidratação”, diz Deborah. “Os sinais de desidratação incluem dor de cabeça leve, cansaço, sede, boca seca, câimbra e olhar fundo. É importante lembrar que, quanto mais vezes a pessoa for ao banheiro durante a ingestão de álcool, mais ela precisa se hidratar”, completa a endocrinologista.

De acordo com o neurologista Tiago de Paula, especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), o álcool não causa enxaqueca, mas é um dos gatilhos mais frequentes. “Em estudos internacionais, entre 20% e 30% dos pacientes com enxaqueca referem piora das crises após consumo de bebidas alcoólicas, sendo o vinho tinto o mais mencionado”, explica o médico.

“No entanto, a relação não é uniforme: enquanto alguns pacientes desenvolvem crises poucas horas após ingerir álcool, outros não apresentam nenhuma relação entre o consumo e a as crises de enxaqueca”, diz o médico. “A doença é neurológica, com predisposição genética e mecanismos complexos. O que ocorre é que o álcool atua como gatilho, ou seja, pode precipitar uma crise em quem já tem enxaqueca. Da mesma forma que outros fatores desencadeantes (estresse, jejum, alterações hormonais, certos alimentos), o vinho ou outras bebidas alcoólicas não provocam a doença do zero, apenas ativam o processo em cérebros suscetíveis”, diz o especialista.

A hipótese mais aceita para explicar essa relação é que substâncias presentes no álcool funcionam como gatilhos em cérebros predispostos. “A tiramina e histamina (em especial no vinho tinto) podem influenciar na liberação de neurotransmissores ligados à dor. Os taninos e sulfitos, usados na conservação do vinho, também são apontados como possíveis irritantes. Além disso, o álcool favorece desidratação e distúrbios no sono, dois fatores sabidamente associados a crises de enxaqueca. Esses dois últimos motivos explicam por que outras bebidas alcóolicas além do vinho estão ligadas às crises”, diz Tiago de Paula.

Outro efeito agudo do álcool é relacionado à piora da qualidade do sono. “O álcool pode até induzir sono, mas leva a um sono mais leve, superficial e fragmentado, pois não deixa aprofundar o sono, diminuindo o sono REM. Além disso, o álcool desidrata, aumenta o ronco e faz com que a pessoa acorde várias vezes”, explica Paulo Reis, otorrinolaringologista especialista em medicina do sono e coordenador científico do grupo Bonviv Brasil.

“Durante o sono, especialmente no REM e no sono profundo, o cérebro reativa e reorganiza memórias e sentimentos, atenuando a carga emocional excessiva e fortalecendo a regulação emocional para o dia seguinte. Quando dormimos mal, essa ‘faxina emocional’ fica prejudicada e ficamos mais reativos ao estresse”, explica o especialista.

Essa é uma das explicações de que a ressaca do dia seguinte geralmente vem acompanhada de mau-humor ou sintomas depressivos. “Menos sono leva a ficarmos mais irritáveis e ansiosos, piora a tomada de decisão e memória; aumenta sensação de sobrecarga, reduz o limiar para dor e doenças. Pequenos incômodos ficam enormes (dores pequenas ou zumbidos discretos que antes não eram percebidos passam a incomodar), desempenho e motivação caem: tarefas se acumulam, gerando mais estresse”, comenta Paulo Reis.

Segundo a médica nutróloga, a ressaca acontece devido a uma combinação de fatores, como intoxicação, desidratação, inflamação gastrointestinal, alterações nos neurotransmissores e distúrbios do sono. “Os sintomas da ressaca variam de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem cefaleia, náuseas, vômitos, fadiga, boca seca, sede intensa, sensibilidade à luz e ao som, tontura, irritabilidade. E, dependendo da quantidade de álcool consumida, da sensibilidade individual e outros fatores, os sintomas podem ter variações de intensidade”, comenta a médica.

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Para aliviar, o consumo de água ajuda. “Ela corrige a desidratação, ajuda a eliminar as toxinas do organismo, alivia diversos sintomas da ressaca, como dor de cabeça, fadiga e náuseas”, explica a médica nutróloga. “Consumir frutas e alimentos ricos em glicose pode ser benéfico para aliviar alguns dos sintomas da ressaca, principalmente porque esses alimentos fornecem nutrientes, energia e hidratação que podem ser úteis durante a recuperação. Entre as razões pelas quais frutas e alimentos ricos em glicose podem ser úteis estão a reposição de açúcares, hidratação, reposição de vitaminas, minerais e antioxidantes, ajuda na digestão pela presença de fibras e no desconforto gastrointestinal, por terem sabores e texturas agradáveis, podem ser opções bem toleradas. Embora frutas e alimentos ricos em glicose possam ser benéficos, é essencial equilibrar a alimentação com outras opções saudáveis”, orienta Marcella Garcez.

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