O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, criticou o lema "Deus, Pátria e família", associado à família Bolsonaro. Em vídeo gravado durante o culto matutino de 25 de outubro, data do segundo turno das eleições, o religioso contestou a ordem dos termos e defendeu priorizar a família antes do Estado.

Durante a oratória no púlpito, Macedo afirmou: "eu não aprovo aquela teoria 'Deus, pátria e família'". O líder religioso citou Abraão e Isaac para justificar que a pátria depende da família ligada a Deus, estabelecendo a hierarquia com Deus em primeiro lugar, a família em segundo e o Estado em terceiro.

Mudança de postura política

A declaração ocorreu junto de uma posição de afastamento da igreja de Edir Macedo da disputa presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa conduta representou uma mudança em comparação ao pleito de 2022, momento em que a instituição apoiou a tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

No primeiro turno, a denominação concentrou esforços em uma campanha espiritual focada no Legislativo. Bispos buscaram eleger representantes ligados à instituição para construir muros de proteção contra propostas como o PL da Misoginia e a taxação de templos religiosos.

Desempenho eleitoral e perdas nas urnas

A estratégia não atingiu o resultado planejado na Câmara dos Deputados, onde metade dos 12 parlamentares da Universal que buscaram a reeleição, todos integrantes do Republicanos, foi derrotada.

Um levantamento do jornal "O Globo" detalhou os impactos desse cenário:

  • Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, caiu de 231 mil votos obtidos há quatro anos para 196 mil.

  • Maria Rosas assegurou a reeleição em São Paulo com votação inferior à registrada em 2022.

  • Milton Vieira e Vinicius Carvalho não conseguiram novos mandatos parlamentares.

  • No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) e Benedita da Silva (PT) perderam a disputa pelo Senado para Carlos Jordy e Carlos Portinho, candidatos do PL associados ao bolsonarismo.

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Para analistas, políticos evangélicos apoiados por suas igrejas perdem espaço para candidaturas associadas ao bolsonarismo que mantêm identidade religiosa, mas concorrem sem a chancela de pastores ou bispos.

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