O deputado federal reeleito (PL-MG) Nikolas Ferreira criticou um vídeo protagonizado pela cantora e empresária Juliette Freire sobre Nossa Senhora Aparecida. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar classificou a produção como um “desespero da esquerda” e questionou a relação de pessoas identificadas com o campo progressista com o cristianismo.

“Cá entre nós. Que desespero da esquerda é esse, que tá usando Juliette para converter voto para a esquerda, para falar com os cristãos”, afirmou Nikolas no vídeo. Na sequência, ele fez críticas à ex-participante do Big Brother Brasil (BBB) e ao conteúdo de músicas associadas a ela. "Baixíssimo nível, galerinha que ama uma promiscuidade, que ama uma musiquinha pornográfica."

O deputado também questionou o que considera uma contradição no posicionamento da esquerda em relação à religião. “Essa galera que está falando que a gente não gosta de Maria? Que não gosta do cristianismo? São vocês. Que passam quatro anos falando que o Brasil é laico e agora tão querendo defender a mãe de Jesus?”, disse.

Nikolas ainda ironizou a aproximação de integrantes da esquerda com o cristianismo durante o período eleitoral. “Agora até o esquerdista tão virando crente, até os que falam mal da igreja, que a igreja é patriarcal, que não sei o que, que faz mal para os adolescentes, tão virando crente. Aí eu vi milagre. Essa eleição está fazendo o Lula vir crente e a Janja católica”, declarou.

Disputa política em torno de Nossa Senhora Aparecida

A manifestação de Nikolas faz referência ao vídeo A guerra à santa, publicado nessa segunda-feira (12/10), feriado de Nossa Senhora Aparecida, pela página Revelando. A produção começa com a pergunta: “Por que uma Santa tão frágil, que já nasceu partida em duas, desperta tanto ódio em quem quer mandar no país?”.

Ao longo de 22 minutos, Juliette discute como a imagem de Nossa Senhora Aparecida se tornou parte de uma disputa política em meio à eleição presidencial de 2026. No vídeo, a cantora destaca o significado da santa para diferentes grupos religiosos e sua relação com a diversidade brasileira.

“Aparecida incomoda porque é a mãe de uma família onde todo mundo se respeita. Ela é uma Maria negra, pescada por um pescador pobre, que soltou a corrente de um escravizado. Que é santa para os católicos, mãe de Jesus para os evangélicos e que até quem não reza, respeita”, afirma Juliette.

Na sequência, ela critica a ideia de que uma única religião deva orientar as decisões sobre a vida coletiva. “Quem quer um país com uma só igreja mandando na escola, na lei, na família, nos outros, não consegue conviver com uma mãe que senta todo mundo na mesa”, diz.

Título de padroeira do Brasil

A publicação ocorre em meio a críticas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) relacionadas a um possível projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O senador negou as acusações e classificou a informação como “uma grande mentira”. O episódio também reacende o debate sobre o uso de símbolos religiosos na disputa eleitoral e a relação entre política e religião no país.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A guerra à santa é o quinto episódio de uma série de reportagens do projeto Calma Urgente, realizado em parceria com um coletivo de jornalistas e profissionais da comunicação. A iniciativa conta com apoio de distribuição do ICL, da Mídia Ninja e do 342 Artes. Os episódios anteriores tiveram a participação de Samara Felippo, Camila Pitanga, Fábio Porchat e Luana Piovani.

compartilhe