PADROEIRA DO BRASIL

Juliette sobre Nossa Senhora: 'Por que uma Santa desperta tanto ódio?'

Ex-BBB participa de vídeo que questiona a relação entre Nossa Senhora Aparecida com a política brasileira

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Neste feriado de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, a página Revelando postou um vídeo protagonizado por Juliette Freire com o título "A guerra à santa", que inicia com a pergunta "Por que uma Santa tão frágil, que já nasceu partida em duas, desperta tanto ódio em quem quer mandar no país?". Ao longo de 22 minutos, a ex-BBB, cantora e empresária, discorre sobre como a santa se tornou centro de disputa em meio à eleição presidencial de 2026. 

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"Aparecida incomoda porque é a mãe de uma família onde todo mundo se respeita. Ela é uma Maria negra, pescada por um pescador pobre, que soltou a corrente de um escravizado. Que é santa para os católicos, mãe de Jesus para os evangélicos e que até quem não reza, respeita. Quem quer um país com uma só igreja mandando na escola, na lei, na família, nos outros, não consegue conviver com uma mãe que senta todo mundo na mesa", diz Juliette no vídeo. 

O vídeo surge em meio a críticas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), de que ele apoiaria um possível projeto para que Nossa Senhora Aparecida deixasse de ser padroeira do Brasil. O senador se posicionou a respeito do caso e afirmou que não passa de "uma grande mentira".

"Revelando: A guerra à santa" é o quinto episódio de uma série de reportagens e faz parte de um projeto do "Calma Urgente", em parceria com um coletivo de jornalistas e profissionais da comunicação, e conta com apoio de distribuição de ICL, Mídia Ninja e 342 Artes. Os primeiros episódios contaram com a participação de Samara Felippo, Camila Pitanga, Fábio Porchat e Luana Piovani.

O que diz o vídeo de Juliette?

O minidocumentário conta a história de Nossa Senhora Aparecida desde que pescadores encontraram sua imagem no Rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá, em 1717, enquanto pescavam até ela se tornar a padroeira do Brasil, em 1930. A narrativa destaca o papel da santa, cuja pele é negra, para as pessoas escravizadas da época e como ela se tornou adorada por milhões de brasileiros, inclusive por religiões de matriz africana e por pessoas que não têm religião.

Em seguida, o episódio remonta casos de violência contra a santa desde 1995, quando o bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um programa ao vivo, a chamando de "boneco feio, horrível e desgraçado". Aponta, também, intolerância religiosa contra o candomblé e a umbanda em todo o país ao longo dos anos. 

Juliette, então, cita João Batista Carvalho, conhecido como JB Carvalho, e seu livro "A bomba - a verdade pode ser explosiva", lançado em 2001, no qual afirma que "o feriado de 12 de outubro é ilegal". "O livro inteiro defende uma tese: a Maria que os católicos veneram não seria Maria, e sim uma deusa pagã antiga disfarçada que ele chama de Rainha dos Céus e descreve como o braço direito de Satanás", explica Juliette. Seis anos depois, viria a primeiro Projeto de Lei para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, de autoria do então deputado federal Victório Galli. 

O vídeo então mostra imagens do senador Flávio Bolsonaro sendo batizado na Comunidade das Nações. "Em janeiro de 2024, o senador Flávio Bolsonaro se declara evangélico e ele poderia ter escolhido qualquer igreja, qualquer pastor, por que não falta pastor que prega amor e tolerância [...] mas Flávio quis ser batizado justamente na Comunidade das Nações, a igreja do JB Carvalho", declara Juliette. 

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Por fim, a ex-BBB relembra casos de violência contra a imagem da santa e faz uma apresentação da música "Romaria", composta por Renato Teixeira.

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