A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) afirmou, nesta quinta-feira (8/10), durante entrevista à GloboNews, que o bolsonarismo teria ocupado o espaço da direita no Brasil e impedido a existência de uma direita desvinculada do movimento. Segundo ela, há três espectros políticos no país atualmente: esquerda, direita e bolsonarismo.

“O bolsonarismo não quer que exista nem a direita nem a esquerda. Ele quer a exterminação da democracia, ele quer um poder completamente moderador por parte dele”, afirmou.

Ana Elisa foi entrevistada pela emissora como parte de uma série com deputados eleitos em 2026. A mineira tem se destacado pela atuação nas redes sociais e passou a atuar ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na busca por votos para a disputa do segundo turno.

Durante a entrevista, a deputada eleita afirmou que pretende conversar com eleitores que votaram em candidatos de terceira via, principalmente os que apoiaram Renan Santos e Kim Kataguiri — ambos do partido Missão. Para ela, esse eleitorado representa uma parcela da direita que busca se afastar do bolsonarismo.

“Captar votos das terceiras vias é uma preparação minha mesmo, que nós precisamos correr atrás desses votos, porque o eleitor do Renan Santos e do deputado federal Kim Kataguiri é o eleitor que quer a volta da direita no Brasil”, disse.

A petista enfatizou, mais de uma vez, que a direita teria sido “engolida” pelo bolsonarismo desde que o grupo passou a ocupar espaço no Congresso Nacional. “A direita foi engolida pelo bolsonarismo. E o partido Missão vem com esse objetivo de esquecer o bolsonarismo e trazer a política de volta ao centro, à direita, ao centro do debate”, complementou.

Voto em Lula

Ana Elisa diz estar convicta que parte dos eleitores de Renan Santos e Kim Kataguiri poderá votar em Lula no segundo turno, mesmo sem declarar publicamente o apoio ao petista.

Para a deputada federal, esse eventual voto não representaria uma adesão ao lulismo, mas uma estratégia para impedir o retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto. “Não por amar o Lula de forma alguma, mas por entender que caso nós tenhamos Bolsonaro como presidente da República essa é a última chance que nós temos de exterminar o bolsonarismo”, disse.

Segundo a petista, caso a direita queira voltar a concorrer a Presidência da República de forma independente, a disputa deveria ocorrer fora da estrutura que, segundo ela, foi construída pelo bolsonarismo. “Se eles querem disputar uma eleição, que seja fora dessa hierarquia”, afirmou.

“Parece que é uma coisa herdada. A sensação que eu tenho é que o bolsonarismo é uma coisa hierárquica, herdada mesmo, que vai passando de filho para pai, de pai para filho, e que aquilo ali vai circular naquela família para o resto da vida”, declarou.

“Direita falsificada”

Ana Elisa também criticou a associação entre direita e bolsonarismo. Segundo ela, existe uma diferença entre os dois campos políticos e o eleitor precisa compreender essa separação. “Eu acho que é porque não se difundiu muito na sociedade o que é a direita e o que é o bolsonarismo. Então muitas das vezes as pessoas não estão sabendo que, mesmo que o meu espectro político ideológico seja de esquerda, é democrático que exista sociedade de direita. Mas o bolsonarismo não”, afirmou.

“Eu acho que a imagem que nós estamos tendo no Brasil desde que o Bolsonaro foi eleito é de uma direita falsificada. Isso não é direita”, declarou. “Eu conheço pessoas de direita e conheço pessoas bolsonaristas.  Existe um abismo entre elas.”

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A deputada eleita disse que acompanha vídeos e pronunciamentos de pessoas que se identificam com a direita, mas não com o bolsonarismo, para entender onde estaria o ponto central da atual disputa. Sobre o resultado das urnas, disse que questionar não deveria acontecer nos partidos do campo democrático: "Eu acredito que nem a direita nem a esquerda deva questionar urnas. Quem questiona urnas é o bolsonarismo”, declarou.

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