O deputado federal recém-eleito Pedro Rousseff (PT) utilizou as redes sociais nesta quarta-feira (7/10) para apontar pontos em que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa melhorar para o segundo turno das eleições.

Segundo o sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, Lula perderá o pleito se não mudar a forma como é feita a campanha; e mostrou preocupação com uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

Na publicação, Rousseff destaca quatro pontos fracos da campanha de Lula até o momento. A primeira a ser melhorada, segundo ele, são as redes sociais do presidente. Para ele, a política tradicional "morreu" e cita o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e apoiadores como um exemplo de que a internet impulsiona candidaturas.

"O primeiro ponto [a mudar] são as redes sociais. Campanha política mudou o jeito que se faz, a política tradicional morreu, e o bolsonarismo, o Nikolas Ferreira e companhia mostraram para gente que, goste ou não, as redes sociais vieram para ficar. Eu, enquanto deputado federal eleito, vi muito disso: gente falando que as redes sociais não funcionam. Mas não só funcionam, como fizeram os deputados mais votados da história desse país, para os dois lados", destacou o aliado de Lula.

O futuro parlamentar critica os eleitores esquerdistas que culpam eleitores de Flávio pela escolha de voto, o que, segundo ele, aumenta a rejeição a Lula para uma parte da população.

"Veja, não dá para a gente ficar brigando com o eleitor. Estou vendo muitas pessoas pelas redes sociais postando coisa contra evangélico, motoboy, pequenos e médios empresários. No que isso ajuda a gente? Só aumenta ainda mais nossa rejeição. Errados não são eles que votaram em Flávio Bolsonaro, não. Errados somos nós, que, nesse exato momento da história, estamos em segundo lugar e podemos perder as eleições", disse, sobre críticas de esquerdistas a eleitores da direita.

Outro erro, para Rousseff, é "parar com pautas que ninguém se importa e dizer o que o povo quer ouvir". Segundo o deputado eleito, Lula precisa falar mais sobre preço de alimentos egasolina e planos para o futuro. 

"Quando eu saio na rua, o que eu mais ouço é: o que o Lula vai fazer para poder abaixar o preço dos alimentos? O que o Lula vai fazer para poder abaixar o preço da gasolina, que está muito alto? O que o Lula vai trazer de bom para a gente no futuro? Não é sobre tudo aquilo que Lula e a minha tia [Dilma] já fizeram ao longo desses últimos 20 anos, que foi uma verdadeira revolução, mas qual é a proposta para agora? Daqui a quatro anos, o que que o Lula vai ter entregado pro nosso país de novo?", afirmou sobre as propostas.

STF

O terceiro ponto, para o petista, é a discussão sobre os escândalos que envolvem o Supremo Tribunal Federal (STF), que é atrelado a Lula pela oposição. De acordo com Rousseff, Flávio é "o maior bandido envolvido nisso", e são somente seus apoiadores que falam sobre o assunto. O futuro parlamentar ainda diz que levará ao presidente uma proposta de mudança no Supremo.

"O que é mais importante, quando eu saio na rua, o que mais ouço são debates nos bares, nas faculdades, nos lugares sobre o STF, infestado de gente errada, envolvido com coisa errada, com escândalo de corrupção. E o único lado dessa história que fala sobre isso é o do Flávio Bolsonaro, justamente o maior bandido envolvido nisso. E são eles falando de reformar o STF, enquanto nós, que não temos nada a ver com isso, estamos calados, com medo. Não pode, gente", disse.

"É por isso que eu estou, nesse momento, levando ao presidente Lula uma proposta de mudança no Supremo Tribunal Federal. Ou a gente fala diretamente que ministro não pode ser rei, que ministro tem que ser, de fato, investigado, que as coisas erradas têm que ser consertadas, ou o Flávio ganha", completou.

O último ponto de mudança, para Roussef, é a segurança pública. Para ele, o PT não têm propostas factíveis para os casos de roubos e furtos sofridos pela população, e, por isso, a direita leva vantagem no discurso. O deputado eleito defendeu o aumento de penas e a mudança no sistema judiciário brasileiro.

"Não dá para as pessoas saírem pela rua com medo de terem seu telefone roubado, por exemplo, e a gente não ter uma proposta factível, que chegue na dona Maria, para poder resolver isso, gente. Me desculpa, mas ficar com esse papinho de que é só ressocializar, não dá certo. O povo quer saber diretamente como o Lula vai fazer pra aumentar a segurança pública. Nós temos que falar sim, sobre o aumento das penas pra bandidagem. Não dá para esse país, que é o único país do mundo em que um bandido é preso, hoje roubando telefone, por exemplo, é detido e amanhã é solto", declarou o futuro parlamentar.

"É por isso que parece que a direita fala sobre a segurança pública e nós não, porque de fato nós não falamos. E tem que, de fato, falar com coragem. Tem que mudar o sistema judiciário brasileiro, pra que as penas sejam mais rígidas e que as regras sejam cumpridas. Porque senão fica parecendo que a bandidagem tá blindada, que o cara pode roubar, pode matar, pode fazer coisa errada e que vai ser solto. O presidente Lula tem que levar isso pra frente", finalizou.

Flávio Bolsonaro

Por fim, o sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff mostra preocupação com uma possível eleição de Flávio Bolsonaro. Para ele, o "filho 01" de Jair Bolsonaro é "o mais vagabundo dos candidatos", e faz um apelo aos seus apoiadores.

"Lembre-se disso: mesmo que o Flávio Bolsonaro seja o mais bandido, o mais vagabundo, mais salafrário dos candidatos, ele pode, com muita certeza, ter a maioria dos votos no segundo turno e virar presidente do Brasil. Você vai deixar isso acontecer?", disse.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

*Estagiário sob supervisão do subeditor Thiago Prata

compartilhe