Embora seja assunto proibido no Planalto, críticas a Janja crescem no entorno de Lula

Aliados do presidente fazem avaliações reservadas sobre a postura da primeira-dama ao longo do mandato e da campanha no primeiro turno

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O assunto é talvez o mais delicado no entorno de Lula. Quase proibido. E não é exagero.

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Quem ousa tocar no tema é repreendido severamente, quando não tachado, de maneira instantânea, de “machista” e “misógino”.

Mas a coluna tem ouvido, cada vez mais, diversos relatos de que Janja é alvo de duras críticas nos bastidores, em meio aos ensaios de autocrítica no Palácio do Planalto a partir dos resultados do primeiro turno das eleições.

“O Lula tem culpado todo mundo, mas não consegue enxergar que a Janja também tem alguma parcela de responsabilidade. O problema é que todo mundo tem medo da Janja. Muito medo. E não sabe como dizer isso ao presidente”, comentou uma experiente liderança próxima de Lula, com tranquilidade e sem demonstrar qualquer viés de gênero.

O último que tentou, cheio de cuidados, alertar o presidente sobre essa indisposição real nos bastidores, dizem, levou um pito tão grande que acabou prometendo nunca mais citar o nome de Janja em conversas com Lula. O presidente ficou realmente bravo.

A relação de Janja com Sidônio Palmeira, marqueteiro e ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, não é, digamos, das melhores.

Janja sugeriu, por exemplo, que Lula, após uma cirurgia na cabeça, passasse a usar um chapéu em eventos públicos. Não teve apoio da maioria da “cozinha” do presidente, mas fez prevalecer sua ideia.

Também é atribuído a Janja o fato de o presidente, aos 80 anos, ter se afastado do contato direto com os eleitores nos atos de campanha. Governadores e candidatos petistas reclamaram da distância de Lula durante as agendas nos estados no primeiro turno. Disseram que ele “parecia um artista passando”. Mas ouviram secamente: “Ordem da Janja”. A primeira-dama alega cuidado e questão de segurança.

“Ela manda em absolutamente tudo”, resumiu outro petista, pedindo “pelo amor de Deus” para não ser citado, porque “isso dá problema grande no Planalto”.

Na lista de insatisfações com Janja que jamais serão admitidas publicamente, os aliados chamam atenção para o papel de “principal conselheira política” que ela passou a exercer sobre Lula.

“O presidente não lê matérias, não lê clipping, nada disso. É ela quem fala com ele, passa as coisas para ele e ajuda a decidir. Ela faz questão de decidir tudo junto. Veja, ninguém está contestando a influência, claro, de uma esposa. Eles são casados. Ela é primeira-dama. Não tem nada a ver com gênero. Mas é evidente que esse comportamento impacta politicamente e contribuiu, sim, para uma visão das coisas um pouco mais estreita do presidente, o que alguns chamam de isolamento”, disse o parlamentar petista, tentando, visivelmente, medir cada palavra.

Janja também foi criticada pela postura, na antevéspera da eleição, contra Nikolas Ferreira, chamado por ela de “piá de bosta”. Foi durante um ato final de campanha justamente em Minas Gerais, estado do deputado do PL. Antes, Nikolas havia feito diversas provocações públicas à primeira-dama, que reagiu. Nikolas bateu recorde nas urnas, recebeu mais de 3 milhões de votos e se consolidou, de novo, como o mais bem votado do país.

Há, ainda, uma avaliação sobre Janja que envolve artistas alinhados ao PT. A coluna ouviu que a primeira-dama tem absoluta certeza de que manifestações favoráveis a Lula, dos mesmos nomes de sempre, ainda provocam efeito eleitoral considerável e, por isso, “faz de tudo para agradar a esses artistas”. A visão, porém, é diferente da de parte da equipe de Lula, que entende que esses posicionamentos são importantes, mas acabam sendo superestimados pela primeira-dama.

Também não foi consenso na equipe da campanha a validação para que Janja virasse, praticamente, um desses artistas pró-Lula, inclusive cantando e interpretando (era sempre playback) no palco dos atos públicos.

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“Ela apareceu mais do que o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Essa é a verdade”, sentenciou outra fonte, sob reserva.

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