A conta que preocupa campanhas de Lula e Flávio na reta final do 2º turno
Com empate no tracking petista e vantagem de 1,5 ponto para o senador nas pesquisas internas do PL, campanhas veem comparecimento às urnas como decisivo para vencer a disputa
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A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, uma preocupação passou a dominar os cálculos das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): o impacto das abstenções no resultado deste domingo (25/10).
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Com levantamentos internos indicando uma disputa apertada pelo Palácio do Planalto, integrantes dos dois QGs avaliam que a capacidade de levar seus apoiadores às urnas pode ser determinante para definir o vencedor. A estratégia, no momento, não se limita à conquista de novos eleitores, mas também à tentativa de garantir que aqueles que já declararam voto efetivamente compareçam às seções eleitorais.
Na campanha petista, o monitoramento diário das intenções de voto, conhecido como tracking, aponta um empate numérico entre Lula e Flávio. Interlocutores do presidente ouvidos reservadamente pela reportagem afirmam que os levantamentos mais recentes não identificam vantagem de nenhum dos candidatos.
O cenário reforçou a preocupação com a mobilização do eleitorado, sobretudo diante da avaliação de que, em uma eleição tão acirrada, mesmo uma pequena parcela de apoiadores ausentes pode comprometer o desempenho do chefe do Executivo.
Do outro lado, a equipe do primogênito de Jair Bolsonaro trabalha com números ligeiramente mais favoráveis. Pesquisas internas da campanha do PL indicam Flávio com vantagem de 1,5 ponto percentual sobre Lula. A diferença, porém, não é considerada suficiente para assegurar a vitória.
Nos bastidores, auxiliares do senador reconhecem que o cenário exige cautela e que uma eventual desmobilização de sua base eleitoral pode colocar em risco a dianteira apontada pelos levantamentos. Por isso, a orientação também é concentrar esforços no comparecimento dos eleitores que manifestam preferência pelo candidato.
Disputa
A preocupação compartilhada pelas duas campanhas tem uma explicação matemática. Em uma disputa voto a voto, a abstenção pode alterar o equilíbrio eleitoral caso atinja de maneira desigual os apoiadores dos presidenciáveis. Embora a ausência às urnas não represente automaticamente uma vantagem para nenhum dos lados, a avaliação é de que o candidato que conseguir mobilizar uma parcela maior de sua base terá melhores condições de converter as intenções de voto em resultado efetivo.
O cálculo ganha ainda mais relevância diante da proximidade apontada pelas pesquisas internas, cujos números não permitem antecipar com segurança o desfecho da eleição que vem disputando espaço, nas últimas semanas, nas redes sociais.
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Para Elton Gomes, cientista político e professor do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o bolsonarismo, com forte presença no ambiente digital, tende a investir na circulação de recortes do debate da Band e conteúdos de mobilização.
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Já o campo governista, na visão do analista, deve combinar a atuação nas redes com meios tradicionais de comunicação, divulgação institucional e questionamentos judiciais a conteúdos considerados irregulares. "A circulação na rede amplifica as narrativas e os algoritmos condicionam a visibilidade", explicou Gomes. O cientista político pondera, no entanto, que engajamento digital não representa necessariamente conversão de votos, embora possa ampliar o potencial eleitoral de determinadas mensagens.