O advogado Willer Tomaz, um dos cotistas do jato executivo utilizado em 2025 pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, é apontado pela Polícia Federal (PF) como peça central em uma investigação sobre fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A aeronave pertencia também à empresa Prime You, ligada ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo a apuração da PF, revelada em setembro de 2026, Tomaz é descrito como o "hub financeiro" de um esquema que envolveria a concessão fraudulenta de benefícios.
A notoriedade de Tomaz cresceu após a revelação dos voos, ocorridos há mais de um ano, mas seu nome já era conhecido nos bastidores do poder em Brasília, onde construiu uma carreira marcada pela atuação em casos de grande repercussão e pela proximidade com políticos e magistrados.
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Quem é Willer Tomaz?
Willer Tomaz é um advogado criminalista e empresário com forte atuação em Brasília. Sócio-fundador de um escritório que leva seu nome, atua em diversas áreas do direito, incluindo causas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal. Seu nome já havia ganhado destaque em 2017, durante a Operação Lava Jato, quando chegou a ser preso preventivamente após ser citado por executivos da J&F, mas a denúncia foi posteriormente rejeitada pela Justiça por falta de provas.
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Qual é a investigação contra o advogado?
A investigação da Polícia Federal aponta Willer Tomaz como o principal operador financeiro de uma organização criminosa especializada em fraudar o INSS. Segundo os investigadores, o esquema movimentou cifras bilionárias por meio da manipulação de processos para a concessão de benefícios indevidos. O papel de Tomaz, de acordo com a apuração, seria gerenciar o fluxo de dinheiro obtido ilegalmente, utilizando sua estrutura empresarial para lavar os recursos. O advogado, por sua vez, nega ser investigado no caso.
Como o esquema funcionava, segundo a PF
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Captação de clientes: o grupo buscava pessoas interessadas em obter benefícios previdenciários de forma rápida, mesmo sem ter direito a eles.
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Falsificação de documentos: eram produzidos laudos médicos, comprovantes de tempo de serviço e outros documentos falsos para instruir os pedidos junto ao INSS.
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Atuação interna: servidores públicos que integravam o esquema agiam para acelerar a análise e aprovar os benefícios fraudulentos sem a devida fiscalização.
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Divisão dos valores: após a concessão, os primeiros pagamentos do benefício eram divididos entre os membros da organização, incluindo os intermediários e os servidores envolvidos.
O uso do jato por Flávio Bolsonaro e Moraes
O nome de Willer Tomaz ganhou projeção nacional em setembro de 2026, em plena campanha presidencial da qual Flávio Bolsonaro participa, com a revelação de que o jato foi usado por figuras importantes da República no ano anterior. A aeronave, da qual Tomaz detinha um terço das cotas, também pertencia à empresa Prime You, que adquiriu sua participação no fim de 2024. O advogado alega que só descobriu em abril de 2026 que Daniel Vorcaro, dono da Prime You, também era cotista.
Em 19 de janeiro de 2025, na véspera da posse de Donald Trump, o senador Flávio Bolsonaro, acompanhado de sua família, usou o avião para retornar de Fort Lauderdale (EUA) para Brasília. Segundo a PF, essa foi uma de pelo menos cinco viagens internacionais que Flávio e Tomaz fizeram juntos no primeiro semestre de 2025, incluindo destinos como África do Sul, Portugal e França. Tomaz afirma que as viagens tinham "caráter estritamente privado" e decorriam da amizade entre eles.
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Meses depois, em agosto de 2025, o mesmo avião transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes. A utilização da aeronave por autoridades de alto escalão colocou o advogado no centro de um debate sobre a relação entre agentes públicos e privados, especialmente quando um dos proprietários é alvo de uma investigação federal.
