O Banco Master está no centro de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil, que culminou em sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A decisão foi motivada por “graves violações” às normas financeiras.
A instituição é suspeita de emitir títulos sem lastro e de irregularidades contábeis que geraram perdas bilionárias. O presidente e principal controlador do banco, Daniel Vorcaro, é réu por gestão fraudulenta, organização criminosa e emissão de créditos fictícios.
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A investigação da Polícia Federal, batizada de "Operação Compliance Zero", apura a manipulação de balanços e a venda de carteiras de crédito fictícias. Outra frente, a operação "Barco de Papel", foca na criação de papéis financeiros sem lastro real, que eram usados para inflar os ativos do banco e simular sua solvência.
Além do Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, também é alvo da Polícia Federal sob suspeita de envolvimento indireto em movimentações financeiras ligadas ao esquema investigado.
O envolvimento de Zettel no escândalo também chama atenção para a Igreja Lagoinha, uma das maiores igrejas do país. Há menções a operações financeiras e relações institucionais envolvendo integrantes ligados à Lagoinha. Daniel Vorcaro, pivô do escândalo, tinha um programa na TV da Lagoinha, enquanto Fabiano Zettel é pastor da igreja.
Conexões no poder
A trama alcança figuras do primeiro escalão da República. O caso mais recente envolve o deputado Nikolas Ferreira (PL), que manteve contato privado com o banqueiro Daniel Vorcaro, pedindo ajuda para destravar um ativo minerário de um ex-assessor e advogado, além de se desculpar por críticas anteriores a um evento ligado ao empresário.
Além de Nikolas, conversas pessoais do banqueiro revelaram a relação de Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL), envolvendo negociações de financiamento milionário para o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, e investigações da Polícia Federal sobre repasses financeiros.
Os políticos citados não são os únicos, a história do Banco Master é bem mais antiga. O presidente do PP, Ciro Nogueira, foi um dos responsáveis pelas ligações de Vorcaro em Brasília.
O ex-presidente Michel Temer também atuou nesse contato, além de ter servido como negociador para destravar a venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB), operação que acabou vetada pelo Banco Central.
A instituição contratou o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por R$ 129 milhões. O ministro Dias Toffoli, também do STF, assumiu a relatoria do caso após um pedido da defesa de Vorcaro.
A condução de Toffoli gerou suspeitas por seus vínculos com pessoas ligadas ao banco. O ministro viajou em um jato particular ao lado do advogado de um diretor do Master. O Tayayá Resort, que teve irmãos de Toffoli no grupo de controladores, teve parte vendida a fundos ligados à instituição financeira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria se reunido com Vorcaro no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial, em dezembro de 2024.
Ricardo Lewandowski, também teve contato com o banqueiro. O ex-ministro da Justiça, recebeu R$ 5 milhões do banco por consultoria jurídica. O contrato com seu escritório foi mantido mesmo depois que ele assumiu o cargo no ministério, em fevereiro de 2024.
As investigações também miram outros nomes. Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio de Vorcaro, foi preso por suspeita de estruturar os instrumentos financeiros ilícitos.
Já Paulo Henrique Costa, que presidiu o BRB até o final de 2025, foi demitido por decisão judicial após a deflagração da "Operação Compliance Zero".
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima
