Uma fala de Mano Brown sobre a esquerda e a permanência do PT no poder voltou a ganhar repercussão nas redes sociais nesta semana. O trecho faz parte de uma conversa do rapper com a atriz e cantora Thalma de Freitas e o compositor Nei Lopes no projeto “Cidade de Dentro”, da Casa de Francisca.

Na conversa, que ocorreu no último dia 8, Brown refletiu sobre o desgaste provocado pela permanência prolongada de um grupo político no poder e sobre a dificuldade de renovação entre gerações. A discussão também passou pela relação da esquerda com os jovens e pela possibilidade de uma reação conservadora como consequência desse distanciamento.

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“A manutenção do poder, manter o poder, custou o poder. Custou a base”, afirmou o rapper. Na sequência, ele questionou o que restaria para as novas gerações diante desse cenário.

“O que que sobra para a molecada? Contestar nós. E não votar. E não votar, votar no cara da direita só para atacar nós”, disse.

Brown prosseguiu relacionando a discussão ao atual cenário político brasileiro e à permanência de Lula na Presidência. “É o lugar que nós estamos hoje, conservar o Lula lá de novo, vamos lutar para manter o Lula. E depois?”, questionou.

A declaração foi feita no início de setembro, mas passou a ganhar novo alcance nas redes sociais em meio à campanha de Lula, segundo informações divulgadas pela GloboNews, pelo receio de que o trecho seja recortado e interpretado como um pedido de voto em candidatos de direita. Brown, no entanto, é identificado historicamente com a esquerda e já declarou voto em Lula em diferentes eleições.

O episódio também foi associado à disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), que aparece como um dos principais adversários do petista em 2026. A utilização política de declarações de artistas durante a campanha tem sido recorrente nas redes sociais.

O trecho que viralizou, porém, não apresenta Brown fazendo uma declaração explícita de apoio a um candidato de direita. A reflexão é sobre os efeitos políticos que, na visão apresentada pelo rapper, podem surgir quando a esquerda permanece por muito tempo no poder e deixa de se renovar.

O que Mano Brown disse sobre a juventude

Na conversa, Brown estabelece uma relação entre a falta de renovação e a reação das gerações mais jovens. Para ele, jovens que não se identificam com uma esquerda que permanece há muito tempo no poder podem buscar a direita não necessariamente por adesão ideológica, mas como forma de contestação à geração anterior.

É nesse contexto que aparece a frase sobre votar “no cara da direita só para atacar nós”.

A reflexão não foi apresentada pelo rapper como uma defesa de uma candidatura específica. O ponto central era o comportamento geracional e a dificuldade de movimentos políticos manterem vínculo com as pessoas que formam sua base ao longo do tempo.

A discussão também recupera uma questão que Brown já havia levantado publicamente em 2018, durante a campanha presidencial daquele ano.

O que Brown disse em 2018

Em outubro de 2018, durante um ato de apoio a Fernando Haddad (PT), no Rio de Janeiro, Mano Brown fez uma crítica pública à campanha petista. O rapper afirmou que não gostava do clima de festa do evento e questionou a capacidade da esquerda de conversar com sua própria base.

“Se em algum momento a comunicação do pessoal aqui falhou, vai pagar o preço porque a comunicação é a alm1a”, afirmou na ocasião. Brown também defendeu que o partido voltasse a conversar com as periferias.

A declaração ocorreu cinco dias antes do segundo turno da eleição de 2018, quando Haddad disputava a Presidência contra Jair Bolsonaro. O discurso provocou reação no próprio evento e foi posteriormente utilizado por adversários do PT. Bolsonaro, por exemplo, compartilhou o vídeo da fala e declarou concordar com Brown.

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Haddad, por outro lado, respondeu às críticas dizendo que Brown tinha razão sobre a necessidade de reconectar o partido com a periferia. Na época, o então candidato afirmou que a esquerda precisava “abrir o coração para conversar com o pessoal da periferia”.

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