Mano Brown anuncia novo disco do Racionais este ano
Previsto para o segundo semestre, álbum de inéditas vai suceder ao elogiado 'Cores e valores', lançado em 2014
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Que a música dos Racionais MCs é enraizada no soul e no funk não é novidade, mas em seu show solo Mano Brown encurta mais a distância entre o rap e os bailes black. Foi o que ele fez no fim da tarde deste sábado (23/5), no C6 Fest, na capital paulista.
O artista se apresentou no palco principal do festival, no Parque Ibirapuera, para substituir o cantor americano Dijon, que cancelou sua vinda ao Brasil nas últimas semanas.
Terno e colete
Trajando terno e colete verdes, gravata, black power e óculos escuros estilo aviador, o rapper emendou clássicos dos Racionais em músicas de seu disco solo, "Boogie Naipe", de 2016. O instrumental dançante seguiu num fluxo contínuo, enquanto o MC descarregava rimas indiscriminadamente.
"Quem sabe as coisas se encontram. Um sabadão desse, um frio desse. Clima de saudade. Dance. É a proposta da noite. E é um ato político", disse o rapper, acompanhado no palco por mais de uma dezena de dançarinos.
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Tão rap quanto soul, o baile black de Brown teve ao mesmo tempo DJ e banda com baixo, guitarras, teclado, percussão e backing vocals. O caldo ainda foi engrossado pelo rapper Rincon Sapiência, que emprestou versos a uma versão acelerada de "Mulher elétrica", de Brown, e à nova "Malandros online", do Racionais. Eles ainda cantaram juntos "Não sei pra onde" e "Ponta de lança", ambas do MC convidado.
Já na reta final do show, o rapper avisou que em breve "tem disco novo" do quarteto de rap de São Paulo. O sucessor de "Cores e valores", de 2014, deve ser lançado no segundo semestre deste ano.
O "Baile do chefe", como o show foi chamado, chegou ao fim com uma sequência de hits dos Racionais, entre eles as duas partes de "Vida loka" e o trecho inicial de "Capítulo 4, Versículo 3". A plateia, que passou longe de cantar junto intensamente como acontece nas apresentações do grupo, pelo menos levantou as mãos a pedido dos cantores. Em 2019, vestibular da Unicamp colocou Racionais e Camões na mesma 'quebrada'.
Amaarae
Mais cedo, a cantora americana de ascendência ganesa Amaarae sofreu com a chuva em seu show na área externa do auditório. Sem banda e DJ, ela cantou seu hip-hop multifacetado sozinha, sobre bases instrumentais que nem sempre estavam perfeitamente sincronizadas com sua voz.
O público que ainda chegava ao Ibirapuera até ocupou a pista quando a chuva ainda era garoa. Não faltou animação para Amaraae, que no ano passado lançou o elogiado disco "Black star", mas quando o tempo apertou, a plateia, usando capas de chuva, foi deixando o espaço em busca de abrigo.
Amaraae se apresentou logo antes do cantor inglês Baxter Dury. Performático, ele distribuiu poses, fez caras e bocas e arrancou aplausos com seu estilo de cantar meio falado e gutural, por cima de uma base de rock alternativo sem guitarras --só com teclado, baixo e bateria.