Relatório da Polícia Federal (PF) indica uma suspeita de que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tenha atuado para beneficiar o voto do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma causa sobre precatórios de uma destilaria do setor sucroalcooleiro. A informação faz parte de um relatório da instituição presente em procedimento com sigilo quebrado a partir de decisão do ministro André Mendonça, da noite de quinta-feira (10/9), juntamente com outros procedimentos relacionados ao caso do Master. A informação foi divulgada pela revista Piauí.

O setor sucroalcooleiro engloba a cadeia produtiva da cana-de-açúcar voltada para a fabricação de açúcar, etanol, bioenergia e outros derivados. Conforme o documento, a destilaria Alcídia, que pertence ao grupo Atvos, cobrava da União uma indenização por prejuízos causados por políticas econômicas da década de 1980.

O processo era considerado importante para o Banco Master porque poderia servir de referência para outros precatórios que estavam na carteira da instituição. Em uma mensagem, o diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, disse a Vorcaro que o julgamento "serve de paradigma para nossos casos".

Antes da análise do caso da Alcídia, Toffoli havia votado a favor de usinas em processos sobre precatórios. Pouco antes, porém, votou a favor da União em outra ação, contrariando seu entendimento anterior.

A decisão provocou reação no banco. Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro que trabalhava com Vorcaro, afirmou que ela "matou a gente". Em seguida, Kruschewsky perguntou ao banqueiro: "Vamos nos movimentar?".

Vorcaro respondeu: "Tô tratando aqui". Na sequência, Kruschewsky sugeriu tentar retirar o processo da pauta do STF: "Se precisar de ajuda para tirar de pauta, avisa!".

Para a PF, a mensagem indica que o diretor jurídico aparentava ter acesso ao STF para tentar retirar o processo da pauta. O julgamento foi adiado após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Quando o caso voltou ao plenário, Toffoli votou a favor da usina. O julgamento terminou com placar de 3 votos a 2 pela Alcídia.

Em 1º de outubro de 2024, um operador do Banco Master avisou Vorcaro sobre o resultado: "Ganhamos Alcídia". O banqueiro respondeu com um emoji de joinha.

No relatório, a PF sinaliza que os elementos ainda não são suficientes para conclusões definitivas e que o caso "demanda aprofundamento analítico". A corporação considera relevantes as mensagens em que Vorcaro afirma que Toffoli "virou o voto" e depois diz "tô tratando aqui", por terem ocorrido antes do julgamento e por estarem em diálogo em que se discute a necessidade de “se movimentar” e “acompanhar o caso”.

Em nota, o gabinete de Toffoli negou que o ministro tenha mudado de posição. Segundo a nota, Toffoli apresentou o mesmo voto no plenário virtual e no julgamento presencial. "Não houve, portanto, qualquer mudança de posicionamento", afirmou.

Contatos entre Vorcaro e Toffoli

O relatório também aponta contatos entre Vorcaro e Toffoli. O documento foi elaborado a partir do celular do banqueiro, apreendido durante a primeira prisão dele, em 18 de novembro de 2025. Segundo a PF, o aparelho registra contatos diretos e indiretos entre Vorcaro e Toffoli.

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O relatório aponta ainda a suspeita de que Toffoli seja o "beneficiário final" ou "proprietário de fato" do fundo de investimento Arleen em um paraíso fiscal. Conforme o documento, o fundo recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro.

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