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Minha Casa, Minha Vida: Kalil defende retomada da habitação em Minas

Candidato propõe apoio aos municípios e articulação com o governo federal; no Morro do Papagaio, prometeu buscar alternativa à retirada de famílias

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O candidato ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil (PDT) defendeu, nesta terça-feira (22/9), a reconstrução da política estadual de habitação em parceria com os municípios e o governo federal. Durante visita ao Morro do Papagaio, em Belo Horizonte, ele afirmou que cabe ao estado oferecer apoio técnico e articular recursos e programas federais para viabilizar novas moradias, embora a habitação envolva diretamente as prefeituras.

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A proposta de governo prevê a recuperação da capacidade técnica da Companhia de Habitação de Minas Gerais (Cohab-MG), para que a empresa volte a participar da estruturação das políticas habitacionais e possa apoiar principalmente municípios com menor capacidade de execução.

“Foi aqui, na Rua do Bicão. Um dos poucos lugares que nós fizemos a habitação no Morro do Papagaio em BH. A gente tem que retomar. Se tem um programa da Caixa Econômica Federal, nós temos que ir a Brasília. Nós temos que ter lugares para fazer”, afirmou ele no podcast Conecta + Papagaio.

Kalil ouviu de representantes da Associação de Moradores do Morro do Papagaio que quase 2 milhões de pessoas vivem em vilas e favelas ou em áreas de risco no estado. Ao tratar dessas demandas, defendeu que o governador eleito trabalhe na articulação com Brasília para garantir que programas como o Minha Casa, Minha Vida cheguem às comunidades e cidades mineiras.

“Do mesmo jeito que a titularidade é um assunto do prefeito, Minha casa, minha vida é um assunto do governo federal. Mas cabe ao governador fazer o que esse governo não fez em oito anos e não fará”, disse.

O ex-prefeito da capital afirmou ainda que pretende manter autonomia política para buscar recursos para Minas, independentemente de alinhamentos partidários. “Eu não estou ligado a nenhum presidente da República. Ele vai fazer Minha Casa, Minha Vida no Paraná, em São Paulo, na Bahia, no Ceará, no Maranhão; ele não vai fazer aqui?”, questionou.

Retirada de famílias no Morro do Papagaio

Durante a visita, Kalil também se comprometeu a buscar solução junto à Cemig e aos demais órgãos competentes para evitar a retirada de famílias do Morro do Papagaio. Elas estão sendo notificadas pela companhia de energia elétrica para deixar imóveis construídos há 40 ou 50 anos, com prazo curto e previsão de demolição. O impasse, de anos, envolve os riscos associados à presença de redes de alta tensão na comunidade.

Na coletiva de imprensa, ao defender alternativa à remoção dos moradores, o candidato mencionou que seriam cerca de 500 famílias ameaçadas. A promessa é discutir as condições de segurança da área, mesmo reconhecendo que ainda não conhece a extensão da rede nem as intervenções necessárias. “Agora, o que que eu vou fazer? Eu nem sei onde é, quantos quilômetros são, o que que necessita para dar mais segurança para a Cemig ficar tranquila e para o povo também ficar tranquilo.”

Kalil defendeu avaliar a manutenção da rede em áreas de risco e a possibilidade de deslocar a estrutura de transmissão para preservar as moradias. “É metal e fio. A família é gente. Então, nós temos que, se for para mexer em alguma coisa, vamos mexer com com aço, não vamos mexer com gente.”

Ao falar sobre a permanência das famílias, o ex-prefeito de BH afirmou que a comunidade está instalada no local há mais de 50 anos e depende da atuação do poder público. Destacou, principalmente, as necessidades das mulheres que saem para trabalhar e precisam de creches com horário estendido e alimentação para os filhos. Também lembrou a distribuição de álcool e sabonete na região durante a pandemia.

Saúde e serviços nas comunidades

Questionado sobre como moradores de vilas, favelas e periferias poderão cobrar o cumprimento de suas propostas durante um eventual mandato, Kalil afirmou que a população deve ser a principal destinatária dos recursos públicos. Ao abordar saúde, educação, creches e limpeza urbana, ele defendeu que os impostos arrecadados pelo estado retornem em serviços para quem mais precisa.

“Não existe dinheiro público. O dinheiro é seu”, comentou. Segundo o ex-prefeito, a aplicação dos recursos deve considerar as necessidades dos moradores das regiões mais vulneráveis. “Quem precisa de saúde, quem precisa de escola pública, quem precisa de merenda de qualidade, extensão de creche, quem precisa de um caminhãozinho de limpeza pública passando em ruas mais estreitas, são vocês.”

Nesse contexto, o ex-prefeito utilizou o orçamento da saúde como exemplo e defendeu o aumento do percentual destinado à área, atualmente fixado em 12% para o estado e 15% para os municípios. Durante sua gestão na capital, Kalil elevou para 24% a parcela destinada à pasta.

Na coletiva, o candidato voltou a criticar o percentual estadual e o relacionou ao que afirmou ser a entrega de R$ 111 bilhões, em oito anos, pelo governo mineiro. Sem detalhar a destinação desses valores, alegou que o próprio governador declarou que 65% do montante estaria irregular.

Prevenção de desastres

A infraestrutura das comunidades também entrou na discussão sobre prevenção de desastres naturais. Ao ser questionado sobre propostas para proteger moradores de vilas e favelas, Kalil apontou a limpeza como uma das primeiras medidas e citou a adoção, em sua gestão, de pequenos caminhões de coleta de lixo capazes de circular pelas ruas mais estreitas.

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O candidato ponderou, porém, que as intervenções precisam considerar as características de cada região, já que Minas também tem grandes aglomerados em áreas planas. “Então, você não pode fazer uma proposta genérica de prevenção, porque nós temos inclusive em Minas Gerais grandes aglomerados planos”, concluiu.

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