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Zema comenta caso Master e defende endurecer combate a facções

Candidato à Presidência voltou a convocar ato em Brasília e comparou avanço do crime organizado em outros estados com a situação de Minas Gerais

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Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência da República, comentou nesta sexta-feira (11/9), durante agenda no Bairro Vila Velha, em Fortaleza (CE), sobre a retirada do sigilo de investigações relacionadas ao Banco Master e voltou a fazer críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador de Minas também acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT de estarem se "beneficiando de todo esse contexto". 

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Zema afirmou ter recebido com satisfação as decisões dos ministros André Mendonça e Edson Fachin relacionadas às investigações sobre o banco e voltou a citar informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa.

"Porque quem anda com Daniel Vorcaro, que é o maior bandido da história do sistema financeiro, não pode ser considerado alguém correto, alguém que fez um contrato para a esposa de 129 milhões e estava atendendo telefone, dando consultoria para o bandido", disse em referência às informações ligadas ao ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa.

Na sequência, o candidato continuou com as críticas a integrantes do Supremo ao mencionar outras relações atribuídas a ministros com Vorcaro. "Outro que fez transação acionária, outro que fez congresso patrocinado pelo bandido; e, pelo que eu vi, parece que pediu para o nome do banco não ser incluído no congresso. Então, está claríssimo. Temos ministros do Supremo que são verdadeiros bandidos. Formou-se uma gangue lá. E lamento que o presidente não esteja dando nome aos bois", complementou. 

Zema volta a convocar ato em Brasília

Como resposta ao caso, Zema voltou a falar do ato que está organizando em Brasília (DF), para terça-feira (15/9), às 9h, na Praça dos Três Poderes. O dia é o mesmo marcado pelo ministro Edson Fachin para a análise do relatório produzido pela Polícia Federal (PF), a pedido do ministro André Mendonça, com informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, incluindo registros relacionados a Moraes.

A reunião no plenário acontecerá uma hora após o início do ato, às 10h. "Vamos decidir se queremos um país que tenha credibilidade, um Supremo que tenha respeito, credibilidade também, ou se nós vamos continuar com bandidos", comentou o ex-governador.

'Dark horse'

Questionado sobre as últimas informações sobre o financiamento de "Dark horse", filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) bancado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o candidato defendeu que o destino do dinheiro ligado ao ex-banqueiro também seja investigado.

"Na minha opinião, para onde foi o dinheiro do Daniel Vorcaro tem de ser investigado. Quem recebeu o dinheiro deles está sujeito a estar envolvido em alguma coisa ilícita. É lógico que eles podem ter pagado folha de pagamento para funcionários que não sabiam de nada, foram trabalhar no Banco Master e são vítimas dessa situação. Talvez fizeram propaganda em algumas emissoras que receberam o dinheiro de boa-fé. Agora tudo tem de ser averiguado e investigado, porque o que estamos vendo, quando se trata de políticos, é que muita gente foi comprada", ressaltou.

Segurança pública

Durante a passagem pelo Bairro Vila Velha, Zema afirmou ter se surpreendido com a quantidade de ligações clandestinas de energia e com pichações em muros fazendo referência a uma facção criminosa. O candidato defendeu, como uma de suas principais propostas para a segurança pública, o enquadramento das facções criminosas como organizações equiparadas a grupos terroristas, permitindo, segundo ele, que diferentes estruturas do Estado sejam utilizadas no combate ao crime organizado.    

"Uma área certamente controlada pelo crime organizado. E minha proposta é declarar as facções organizadas ações criminosas como equiparadas a grupos terroristas, para que toda a força do Estado seja utilizada para combatê-las. Aí eu estou falando das Forças Armadas, da Receita Federal, da Polícia Federal, do COAF, da ABIN e outras entidades públicas. Quando o Estado quer combater o crime, ele consegue. Problema no Brasil é que nós temos hoje um presidente que considera criminoso vítima da sociedade. E não é assim que nós vamos mudar essa realidade", destacou.

Ao falar sobre a atuação das facções, Zema comparou o cenário encontrado em Fortaleza com Minas Gerais, estado que governou por sete anos e meio. Segundo ele, os mineiros conseguem circular pelo estado sem encontrar barricadas ou regiões onde as forças policiais não consigam entrar.

"Nossa Polícia Militar chega em Minas a qualquer rua, a qualquer beco, e sabemos que isso no Brasil está ficando cada vez mais difícil", disse.

A ausência de áreas onde as forças de segurança não conseguem entrar, no entanto, não significa que Minas esteja fora da expansão das facções criminosas. Um diagnóstico produzido pelo Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG (Crisp/UFMG) e pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), publicado em dezembro de 2025, apontou a presença e a interiorização de organizações criminosas no estado, principalmente do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Segundo o levantamento, feito a partir da percepção de agentes que atuam diretamente na segurança pública e no sistema de Justiça, um dos desafios de Minas é alcançar as lideranças das organizações criminosas. Os profissionais relataram que, até então, parte das ações se concentrava nos integrantes que atuavam no varejo do tráfico, enquanto havia dificuldades de integração entre as instituições para atingir as estruturas financeiras e logísticas das facções. A pesquisa também identificou o avanço desses grupos para cidades de médio porte do interior.

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