A proposta que busca o fim da escala de trabalho 6x1 avança no Senado e deve ser avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta semana. Aprovado por 472 deputados, o projeto pode seguir para o plenário do Senado em meio à pressão eleitoral, já que contrariar o eleitorado pode ter custos políticos.

O jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto afirma que o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro utiliza o argumento da “liberdade” como uma cortina de fumaça para barrar o fim da escala 6×1. Segundo Sakamoto, a defesa do senador se concentra em uma PEC de Rogério Marinho, que coordenou sua campanha. O PL de Flávio Bolsonaro foi o partido que mais votou contra o fim da escala 6x1 que acabou aprovada pela Câmara dos Deputados.

Leia Mais

Essa proposta permitiria o pagamento ao trabalhador apenas quando a empresa necessitasse de seus serviços, deixando o limite da jornada para negociação direta com o patrão. Para Sakamoto, isso pode funcionar para quem tem poder de barganha, mas não para trabalhadores como a faxineira Maria, de uma terceirizada no Campo Limpo.

Para ela, a escolha seria entre aceitar uma jornada de 44 horas em seis dias por semana ou enfrentar o desemprego. Sakamoto aponta que o discurso promete liberdade, mas a prática entrega precarização. A CLT já prevê jornadas menores com salário proporcional.

O que está em discussão é a redução do teto de 44 horas em seis dias para 40 horas em cinco dias, o que protegeria quem não tem força para negociar individualmente. Na análise de Sakamoto, o bolsonarismo busca impedir a aprovação da medida por receio de que ela beneficie o governo Lula. Assim, na “liberdade” defendida por Flávio, o patrão manda e o trabalhador obedece.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

compartilhe