Ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato a governador de Minas, Alexandre Kalil (PDT) participou do quarto dia de sabatina na Faculdade de Direito Milton Campos, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (14/8). Kalil adotou uma postura rígida ao comentar a dívida mineira com a União, criticou o atual governador Mateus Simões (PSD), que é candidato à reeleição, e o ex-governador Romeu Zema (Partido Novo), hoje candidato à Presidência da República, além de garantir apoio da Rede Sustentabilidade (Rede) e apresentar parte do seu plano de governo, a ser adotado caso seja eleito.
No terceiro dia da sabatina, Simões afirmou que o ex-prefeito é "um dos piores gestores da história de Minas Gerais". Nesta sexta-feira, Kalil rebateu o governador afirmando que o político "parece ser professor de Deus", que ele não tem "condições de debater sobre gestão pública" e afirmando que o que o difere de Simões é no número de votos. “Na vida política dele, ele teve 5 mil votos, e na minha vida política eu tive 5 milhões de votos. A nossa diferença é essa”, afirmou.
Leia Mais
Durante o evento, o pré-candidato questionou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que renegocia as dívidas dos estados com a União e cria um Fundo de Equalização Federativa, que beneficia estados de todo o país de maneira ampla, incluindo os estados do Nordeste. Ele afirmou que a negociação da dívida feita pelo governo foi "pífia" e criticou que nenhum governador se sentou diretamente com o presidente da República para resolver os pontos da questão.
Kalil define a dívida como uma "dívida de pai para filho" e defendeu ainda que o estado de Minas Gerais não deveria retirar dinheiro de seu próprio território para enviar ao Nordeste. Kalil afirmou: "Nós não temos que tirar dinheiro daqui para enviar para um estado do Nordeste. Ele que se vire, ele que é o Presidente da República".
O pré-candidato complementou dizendo que os problemas de seca do Nordeste não são de Minas Gerais, pois o estado já possui seus próprios problemas de seca no Vale do Mucuri, no Vale do Jequitinhonha e no Norte de Minas e que o dinheiro estadual deveria ser direcionado a questões locais. Na visão dele, com o dinheiro que seria enviado para o Nordeste ao longo de cinco anos, o estado de Minas Gerais conseguiria manter, de forma independente, três hospitais de alta complexidade.
Kalil afirmou que os recursos destinados pelo estado deveriam permanecer em Minas Gerais. Segundo ele, o dinheiro poderia ser aplicado em áreas como saúde, infraestrutura e meio ambiente, citando problemas nos vales do Mucuri e do Jequitinhonha, no Norte de Minas e no Rio das Velhas. “Que maluquice é essa? Tirar dinheiro do Estado quebrado e colocar no FPE [Fundo de Participação dos Estados] 1% de 200 bilhões”, questionou. Para o pré-candidato, a medida representa uma “maldade com Minas Gerais”. "Minas não pode pagar bilhões para outros estados enquanto falta dinheiro para saúde e educação", afirmou.
Menção a Zema
O pré-candidato ainda mencionou um episódio do ex-governador de Minas Romeu Zema como exemplo do que um governador não deve fazer. Em fevereiro de 2025, o então chefe do Executivo estadual publicou um vídeo em que comia uma banana com casca para criticar a alta no preço dos alimentos, em meio a uma série de publicações contra a política econômica do governo Lula (PT).
Ele ainda criticou a última gestão mineira, de Zema e Simões de vice, com uma comparação com a gestão dos estados de São Paulo e da Bahia. “Pessoal, São Paulo tá fazendo túnel embaixo do mar. A Bahia tá fazendo ponte ligando Salvador e Itaparica em cima do mar. E nós não conseguimos duplicar uma estrada!”, argumentou.
“Nós temos que bater em mesa, dar chilique, não. Nós temos que ter a liturgia de ser o que somos. Nós não podemos comer banana com casca para o Brasil inteiro ver”, afirmou. Ele citou dirigentes de estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e disse que os gestores “são homens de respeito, são governadores”. “Se dê o respeito para ser respeitado”, finalizou.
Apoio do Rede Sustentabilidade
Apesar da decisão dos diretórios da Federação Rede-Psol de que os partidos que os integram apoiem o candidato do PT ao governo de Minas, Patrus Ananias, Kalil garantiu que o diretório nacional mantém apoio à sua candidatura.
À imprensa, ele afirmou que a Rede Sustentabilidade nunca deixou de apoiá-lo. “A Rede sempre esteve ao meu lado, porque o resto tem imprensa”, afirmou. Ele contou, inclusive, que recebeu um telefonema do presidente nacional da legenda, Paulo Roberto Lamac Júnior, afirmando que pretendia até fazer um evento para declarar apoio. “Ele me disse: ‘Nós vamos com você, Kalil’”, contou o pré-candidato.
Para o aspirante a governador, a sustentabilidade e o cuidado com o meio ambiente, defendidos pela Rede, são de grande importância para a população e ajudarão na formulação do plano de governo.
“Nós queremos o apoio do pessoal da rede, da mentalidade do pessoal da rede, da sustentabilidade, que eles nos orientem nessa parte que é tão cara, nesse lugar que há poucos anos soterramos 270 pessoas. A Rede agrega e tem propostas que no momento são muito importantes para Minas Gerais”, afirmou Kalil, citando o desastre-crime do rompimento da barragem da Vale, em 2019, que deixou 272 pessoas mortas.
Planos de governo
O pré-candidato também citou seu plano de governo, que inclui maior gestão sobre o sistema metropolitano de ônibus. Por se tratar de uma concessão do governo estadual, Kalil argumentou que “os ônibus circulam com pneus carecas” e que “as empresas não pagam o FGTS”, definindo o sistema como “uma bagunça” e afirmando que o problema, caso seja eleito, seria “fácil” de ser resolvido.
O político relembrou sua atuação na prefeitura de Belo Horizonte e afirmou que, durante os quatro anos de seu governo, a passagem de ônibus foi mantida no valor de R$ 4,50 e que "não tinha um tostão para empresário de ônibus". Ele criticou a administração que o sucedeu na Prefeitura de Belo Horizonte, mencionando o ex-prefeito Fuad Noman (PSD), e disse que, após a sua saída, os empresários de ônibus passaram a receber "R$ 1 bilhão por ano dentro da prefeitura".
Outro aspecto abordado por Kalil foi a intenção de se elaborar um plano regional de valorização de diferentes regiões do estado, de modo a combater uma desigualdade provocada pelo acesso rodoviário ser melhor estruturado em regiões como o Sul do estado, em comparação com outras como a dos vales do Mucuri e do Jequitinhonha. Na visão dele, a extensão geográfica de Minas prejudica o estado e amplia a falta de infraestrutura.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O evento na Faculdade Milton Campos se estende até a próxima semana, com as presenças confirmadas dos pré-candidatos Patrus Ananias na segunda-feira (17) e Flávio Roscoe (PL) na terça-feira (18).
