O pré-candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) afirmou nesta quinta-feira (13/8) que o partido Rede Sustentabilidade vai manter o apoio à sua candidatura, apesar da decisão das executivas nacionais dos partidos que integram a Federação Psol-Rede de apoiar o petista Patrus Ananias na disputa pelo Palácio Tiradentes. Segundo o ex-prefeito de Belo Horizonte, o presidente nacional da Rede, Paulo Lamac, manifestou a intenção de organizar um evento em defesa da campanha pedetista.
“Conversei com o presidente nacional da Rede ontem, o Paulo Lamac, e ele falou que quer fazer um evento de apoio à nossa candidatura”, afirmou Kalil em entrevista ao "Mundo Amado".
A manifestação ocorre dois dias depois de as executivas nacionais de Psol e Rede anularem a decisão da direção estadual da federação, que havia aprovado, por 4 votos a 3, o apoio a Kalil. Com a deliberação nacional, a Federação Psol-Rede passou a apoiar oficialmente Patrus Ananias (PT). A reportagem do Estado de Minas procurou Paulo Lamac e aguarda retorno.
A Rede, no entanto, poderá manter uma aproximação política com Kalil de maneira informal, sem que isso represente o apoio oficial da federação. A coligação de Kalil, denominada “Cuidar de Minas”, é formada atualmente pelo PDT e pela Federação PSDB-Cidadania. Os tucanos indicaram o ex-deputado federal Carlos Mosconi para a vice. A chapa já foi oficializada junto à Justiça Eleitoral, mas alterações ainda podem ser feitas até o fim do prazo para o registro das candidaturas, neste sábado (15/8).
O impasse provocou um racha entre os partidos da federação. Após a decisão estadual favorável a Kalil, o Psol recorreu à direção nacional. Entre as razões apresentadas pela legenda para rejeitar a aliança estava a presença do PSDB na chapa pedetista. O partido também avaliou que a composição dificultaria a candidatura da ex-deputada federal Áurea Carolina ao Senado, uma vez que ela não poderia aparecer ao lado de Patrus no horário eleitoral gratuito e em materiais de campanha caso a federação estivesse oficialmente com Kalil.
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Presidente do Psol em Minas, a vereadora de Belo Horizonte Iza Lourença afirmou, após a decisão nacional, que a federação estará ao lado de Lula, Patrus, Áurea Carolina e Marília Campos na campanha. Kalil, por sua vez, já havia declarado que queria a Rede em sua chapa, mas não o Psol.
“Sobre a Rede, o presidente nacional me chamou, me convidou e eu falei com ele que, se tivesse jeito de separar, se ele viesse sozinho, porque realmente o Psol não agrega nada à nossa campanha, o que eles pensam não é o que nós pensamos. Nós rejeitamos veementemente esse problema de ter o Psol na nossa chapa”, afirmou Kalil em entrevista à TV Alterosa, nessa quarta-feira (12/8).
Diálogo com o governo
Na mesma entrevista desta quinta-feira, Kalil voltou a defender uma postura de independência em relação à disputa nacional e disse não se identificar com as classificações de centro-direita ou centro-esquerda. Para o candidato, a prioridade de um eventual governo seria estabelecer diálogo com a União, especialmente para tratar da dívida de Minas Gerais.
O ex-prefeito também criticou a postura adotada pelo governo de Romeu Zema (Novo) nas negociações com o governo federal e defendeu uma relação de maior interlocução entre os governos estadual e federal. “Aqui (o ex-governador) come banana com casca, agride o presidente da República. Eu nunca vi o credor ser maltratado pelo devedor. É só aqui em Minas”, afirmou.
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A defesa de uma candidatura desvinculada da disputa presidencial também marca a estratégia de Kalil para 2026. Em 2022, o ex-prefeito disputou o governo de Minas com o apoio do PT, mas foi derrotado por Zema no primeiro turno. Neste ano, os petistas chegaram a negociar uma nova aliança com o pedetista, mas as conversas não avançaram, e o PT decidiu lançar Patrus Ananias ao governo do estado.
