A definição da chapa encabeçada pelo deputado federal Patrus Ananias (PT), com o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares (PSB) como candidato a vice-governador, e as candidaturas de Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (Psol) ao Senado, encerrou meses de negociações e garantiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um palanque unificado no segundo maior colégio eleitoral do país para sustentar sua campanha à reeleição.
A composição, fechada nos minutos finais do prazo das convenções partidárias, na última quarta-feira (5/8), atende a uma das principais preocupações da campanha petista para 2026: fortalecer a candidatura presidencial em um estado historicamente considerado decisivo para a disputa ao Palácio do Planalto. Com a decisão, eles concorrem com a maior aliança de centro-esquerda no estado, reunindo os partidos PT, PV, PCdoB - da Federação Brasil da Esperança -, além da federação Rede-Psol e o PSB.
A estratégia tem como pano de fundo o peso político e eleitoral de Minas Gerais. Com 16,3 milhões de eleitores, o equivalente a 10,32% do eleitorado brasileiro, o estado fica atrás apenas de São Paulo, que concentra cerca de 34 milhões de eleitores aptos a votar, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mais do que isso, o estado também se consolidou ao longo das últimas décadas como um dos principais termômetros das eleições presidenciais.
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O histórico alimenta um dos bordões mais conhecidos da política nacional: "quem ganha em Minas, ganha no Brasil". Desde 1945, o candidato mais votado pelos mineiros venceu a eleição presidencial em 12 das 13 disputas democráticas realizadas no país. A única exceção foi Getúlio Vargas, em 1950. Nas eleições mais recentes, essa sintonia ficou ainda mais evidente. Em 2014, 2018 e 2022, os percentuais obtidos pelos vencedores em Minas foram muito próximos dos registrados nacionalmente.
Coordenador da campanha presidencial de Lula em Minas Gerais, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), atribui esse protagonismo ao perfil do eleitorado mineiro. "O mineiro tem a tradição de analisar os projetos dos candidatos com equilíbrio, responsabilidade e senso crítico, por isso sempre teve um papel determinante nas eleições presidenciais", disse ao Estado de Minas.
“O presidente Lula tem muito o que apresentar aos mineiros nestes últimos anos. Retomou obras, ampliou investimentos em infraestrutura, trouxe novos programa sociais, fortaleceu o setor de energia, gerou empregos e voltou a investir no desenvolvimento regional. É isso que será levado ao debate”, completou.
Segundo a Genial/Quaest, divulgado no final de julho, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados na disputa pela presidência da república entre os eleitores mineiros. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 30% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 29%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão em situação de empate técnico.
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista aparece com 38% das intenções de voto, contra 35% do parlamentar do PL. Indecisos representam 9%, e 18% disseram que votariam em branco, nulo ou não iriam às urnas.
Tentativas frustradas
A escolha de Patrus encerra uma sequência de tentativas frustradas do PT para estruturar o principal palanque de Lula em Minas Gerais. A ausência de um nome competitivo era tratada internamente como um dos principais entraves da pré-campanha presidencial no estado.
Antes da definição, o partido buscou viabilizar candidaturas do senador Rodrigo Pacheco (PSB), da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), do empresário Josué Gomes (PSB), do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares (PSB) e do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB). Também colocaram seus nomes à disposição da legenda os petistas Paulo Guedes e Sandra Goulart.
Antes da definição por Patrus, a principal aposta da direção nacional do PT era convencer Marília Campos a disputar o governo mineiro. A estratégia ganhou força após uma reunião da cúpula do partido com Lula, em Brasília, quando foi aprovada uma resolução em favor da candidatura própria em Minas.
Marília, no entanto, recusou o convite. Após deixar a Prefeitura de Contagem, em março, manteve a decisão de disputar o Senado e classificou como um "equívoco" a estratégia de lançar candidatura própria ao governo estadual, defendendo uma composição com partidos da federação e da base aliada do presidente.
A construção de uma candidatura própria também é interpretada dentro do PT como uma tentativa de enfrentar uma dificuldade histórica da legenda em Minas Gerais. Apesar do desempenho nas eleições presidenciais, o partido conseguiu eleger apenas um governador desde sua fundação, em 1980.
Histórico eleitoral
Embora Minas tenha sido decisiva para as vitórias presidenciais de Lula em 2002, 2006 e 2022, além das eleições de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, o desempenho do PT nas disputas estaduais não acompanhou esse resultado.
O único petista eleito para o Palácio Tiradentes foi Fernando Pimentel, em 2014. Ao fim do mandato, marcado por atrasos nos pagamentos de servidores estaduais e nos repasses aos municípios, não chegou ao segundo turno em sua tentativa de reeleição, em 2018, ano em que Romeu Zema (Novo) foi eleito.
Nas eleições presidenciais, entretanto, Minas manteve sua tradição de acompanhar o resultado nacional. Em 2002, Lula recebeu 66,45% dos votos no estado, ante 61,27% no país. Em 2006, obteve 65,19% em Minas e 60,83% nacionalmente. Dilma Rousseff venceu em 2010 com 58,45% dos votos mineiros e 56,05% dos brasileiros. Em 2014, derrotou o então senador Aécio Neves (PSDB) com 52,41% em Minas e 51,64% no Brasil.
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Em 2018, Jair Bolsonaro (então no PSL) venceu com 58,19% dos votos em Minas e 55,1% nacionalmente. Já em 2022, Lula voltou a vencer tanto no país quanto entre os eleitores mineiros, com 50,9% dos votos válidos no Brasil e 50,2% em Minas, a menor diferença da série histórica.
