Com alfinetadas, Gabriel Azevedo critica Zema e chama Simões de ‘amigo’
Pré-candidato do MDB participou de sabatina na Faculdade Milton Campos, em Nova Lima, na manhã desta terça-feira (11/8)
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O pré-candidato ao governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo (MDB) adotou uma postura de neutralidade e diplomacia ao se referir aos demais concorrentes no pleito de outubro deste ano, na manhã desta terça-feira (11/8).
Em relação ao senador e pré-candidato Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirmou que prefere evitar brigar, que o respeita, e que caso o parlamentar não ganhe as eleições, ele tem ainda outros quatro anos no Legislativo. Já em relação ao atual governador Mateus Simões (PSD), disse que ele “não precisa mentir”, mas sem ataques diretos.
As considerações foram feitas na Semana Eleitoral, evento promovido pela Faculdade de Direito Milton Campos, em Nova Lima, na Grande BH, que reúne pré-candidatos ao Senado e ao governo de Minas Gerais. A programação continua na quinta-feira (13/8), com uma sabatina de Simões. Outras presenças já confirmadas são de Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT) e Flávio Roscoe (PL).
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Em conversa com a imprensa, Gabriel disse que "se posiciona do lado da maioria do povo mineiro" que, conforme pesquisas eleitorais, querem um "governador independente, que converse com o presidente e que não esteja preocupado em brigar".
O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte comentou que sempre teve convicção de que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) não iria disputar pelo governo mineiro, ao passo que apostava que Cleitinho entraria na contenda. Em março, Pacheco afirmou que este seria seu último ano na política.
Já Cleitinho decidiu, depois de meses de conversa e concessões com a diretoria do Republicanos, além de sinalizações brandas sobre uma suposta candidatura, que gostaria de concorrer. Sua candidatura, porém, ainda não foi oficializada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), bem como ainda não foi registrada a de Gabriel. O prazo para registro encerra no próximo sábado (15/8).
Desvencilhando-se de críticas, Gabriel afirmou que Cleitinho “tem que fazer o que o coração dele mandar” e que, caso ele entre na disputa, “será uma pessoa que vai respeitar”, uma vez que, se o MDB tiver a chapa vitoriosa no pleito, o republicano será uma pessoa com quem “terá de conviver por pelo menos quatro anos enquanto senador da República”.
“Eu respeito demais o Cleitinho porque nós somos eleitos vereadores no mesmo ano, depois ele deixou de ser vereador por dois anos e foi deputado estadual, Não há ninguém nessa disputa que não vai ter de mim um tratamento respeitoso. Eu não critico os adversários, eu respondo críticas. Se eles fizerem uma crítica em relação a mim, haverá uma resposta. Eu estou muito a fim de debater, não estou preocupado em diminuir ninguém, eu não preciso”, declarou.
Na última semana, o MDB afirmou que Gabriel havia sido convidado para ser candidato a vice em uma chapa com Simões. O governador, porém, disse em entrevista ao jornal O Tempo que o convite veio “caso o MDB desista de uma candidatura própria em Minas Gerais”, não da maneira divulgada pelo partido, e que o candidato estaria se aproveitando de uma campanha política para se candidatar à Prefeitura de BH,
“Quando ele me convida para ser o seu vice-governador, eu acho que ele próprio encerra essa questão de afirmar que a minha campanha é apenas visando uma outra realidade. Ele não convidaria alguém que não está compreendendo os desafios do Estado, de maneira leviana”, disse o pré-candidato.
O emedebista ainda alegou que o governador “mente” ao fazer declarações sobre uma relação entre os dois. “Ele não precisa repetir para as pessoas que foi meu professor, sendo que ele não foi. Ele não precisa repetir para as pessoas que eu tô nisso para ser prefeito, porque senão ele vai ter que me explicar e explicar para todo mundo, porque ele conversou comigo me convidando para ser o vice-governador” disse.
Apesar de defender um tom sem críticas, ele afirmou que, “lembrando que Mateus é um amigo”, ele é uma pessoa diferente, uma vez que o governo de Simões deixa um legado de “uma dívida reconhecida de R$ 179,3 bilhões, com um déficit previsto de R$ 7 bilhões para o ano que vem, com uma situação grave na aprendizagem das escolas”.
Zema “usou Palácio da Liberdade como trincheira”
Além de comentar sobre os demais candidatos à cadeira-chefe no Palácio de Tiradentes, Gabriel não evitou críticas à gestão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), antecessor de Simões e que é pré-candidato à Presidência da República.
“Eu não vou brigar com o presidente da República, seja quem for. Não é papel de um governador de estado, que fique aqui a minha discordância ao que fez o último governador, de utilizar o Palácio da Liberdade como trincheira política, eleitoral e partidária contra o Governo Federal”, afirmou.
Segundo ele, “todos nós podemos ter diferenças ideológicas”, mas “quando você senta numa cadeira do Executivo, de prefeito, governador e presidente, você não governa só para quem votou em você”. “Você não governa pra quem é da esquerda, direita, você governa pra todos. E essa parceria com a União é fundamental para fazer, por exemplo, rodovias, garantir pagamentos aos professores, integração ao sistema de segurança pública…”.
A atuação de Zema no Executivo estadual, seguida por Simões, também foi criticada. Na visão dele, o governo atual “tem um escândalo no coração da sua existência”, marcada por uma “regulação minerária atrasada e confusa”, que deixa a “porta da corrupção aberta com capital pesado para influenciar decisões”. Ele ainda citou o ex-secretário de Educação, Rossieli Soares, afastado após investigações envolvendo materiais didáticos, e o definiu como “cara que veio de fora de Minas Gerais certamente por algum acordo partidário, que não era o interesse do povo mineiro”.
“Esse governo pode falar que não tem corrupção e a gente precisa apontar não só a punição dos corruptos, mas mostrar como é que se cria instrumentos para evitar que isso se repita”, finalizou, em entrevista à imprensa.
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A sabatina contou com perguntas feitas pelos membros docentes da faculdade e elaboradas por alunos. No decorrer do evento, o candidato ainda afirmou que, caso eleito, vai investir em mecanismos de integração de transporte público, em especial na Região Metropolitana de Belo Horizonte e estimular a produção de riquezas em diferentes regiões do estado, como a de baterias no Vale do Jequitinhonha, de modo a aumentar os IDHs.