Emenda ligada a Valdemar bancou show de dupla sertaneja
Investigação aponta que R$ 280 mil do Orçamento da União foram usados integralmente para custear apresentação da dupla em cidade do interior paulista
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Uma emenda parlamentar de R$ 280 mil atribuída pela Polícia Federal (PF) ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foi utilizada para custear um show de 90 minutos da dupla sertaneja Thaeme & Thiago em Guaimbê, município de 5,5 mil habitantes no interior de São Paulo.
A informação foi revelada pelo jornal O Globo. Segundo a investigação, embora o recurso esteja formalmente vinculado ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a indicação teria partido de Valdemar, que não exerce mandato eletivo.
O repasse ocorreu por meio de convênio firmado entre o Ministério do Turismo e a Prefeitura de Guaimbê para financiar a 21ª Festa do Peão de Boiadeiro. De acordo com documentos obtidos pela reportagem, todo o valor transferido pela União foi destinado ao pagamento da apresentação artística realizada em 8 de novembro de 2025.
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Caminho do dinheiro
A nota fiscal emitida pela empresa THM & THG Produções Artísticas registra o pagamento de R$ 280 mil pela apresentação da dupla, com duração de uma hora e meia de show. O documento faz referência ao convênio federal e informa os dados bancários utilizados para o recebimento dos recursos.
Os documentos analisados mostram que o Ministério do Turismo liberou R$ 280 mil à prefeitura, que contratou a dupla por inexigibilidade de licitação. Após o evento, a empresa emitiu a nota fiscal vinculando o pagamento ao convênio. Segundo a investigação, o recurso teve como único objetivo custear o show.
O convênio foi assinado em 30 de outubro de 2025 e previa repasse de R$ 280 mil da União, com contrapartida municipal de R$ 500. No plano de trabalho, a prefeitura justificou que a festa impulsionaria o turismo, movimentaria o comércio local e valorizaria as tradições culturais do município. Os recursos foram liberados em parcela única.
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Investigação da PF
A Polícia Federal apura a atuação de Valdemar Costa Neto na indicação de recursos do Orçamento da União, apesar de ele não ocupar cargo eletivo. Segundo os investigadores, parlamentares do PL eram utilizados para formalizar indicações previamente definidas pelo presidente da legenda.
A emenda aparece oficialmente registrada em nome de Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara. Na semana passada, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar e suspendeu a execução das despesas relacionadas às emendas investigadas.
Defesa da prefeitura
A prefeita de Guaimbê, Márcia Achilles, afirmou ter sido surpreendida ao saber que os recursos eram provenientes de uma emenda atribuída a Valdemar Costa Neto. Segundo ela, a administração municipal acreditava que o dinheiro fazia parte de um programa regular do Ministério do Turismo.
"Me espantei quando saiu que era dinheiro de emenda do Valdemar. Achava que era um programa do Ministério, até porque eu não sou do PL. Acredito que isso aí, do presidente do partido incluir alguns municípios, foi algo feito não só por ele, mas por outros. É uma prerrogativa deles", declarou.
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A prefeita também defendeu o valor pago pelo show. Segundo ela, a contratação de artistas depende de aprovação do Ministério do Turismo e os cachês variam conforme o mercado.
Mais shows
Os documentos analisados pela PF indicam que o financiamento de shows com recursos atribuídos a Valdemar não se restringiu a Guaimbê.
Em Macedônia, também no interior de São Paulo, uma emenda de R$ 220 mil custeou integralmente as atrações musicais do 79º aniversário da cidade. Foram pagos R$ 190 mil pelo show da cantora Mariana Fagundes e R$ 30 mil pela apresentação da dupla Neto & Jr. O convênio também está vinculado à Comissão de Turismo da Câmara e registra Sóstenes Cavalcante como "apoiador/solicitante".
Em Cafelândia, no Paraná, outro convênio destinou R$ 290 mil para shows em comemoração ao aniversário do município. A principal atração foi novamente a dupla Thaeme & Thiago, contratada por R$ 291 mil para uma apresentação de aproximadamente 90 minutos. A nota fiscal foi emitida cerca de quatro meses após o evento.
Outro lado
Sóstenes Cavalcante afirmou que, embora seu nome conste como responsável pela destinação, as emendas são de comissão e seguem deliberação coletiva.
"Todas as emendas em outros estados fora do Rio de Janeiro, que são indicadas em meu nome, são emendas de comissão, que são indicadas pela liderança ao presidente da comissão, que submete a voto dos membros da comissão para o devido pagamento, conforme manda a lei", declarou.
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Valdemar Costa Neto e o Ministério do Turismo não responderam aos questionamentos da reportagem. A assessoria da dupla Thaeme & Thiago também foi procurada, mas não se manifestou.