Os partidos Liberal e Republicanos caminham para uma aliança em Minas Gerais em torno de uma possível candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo do estado nas eleições de outubro. As negociações avançaram nesta semana e o acordo depende apenas da decisão do parlamentar de disputar o cargo. Cleitinho pediu dez dias para definir seu futuro político.

A presença do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, em Minas Gerais por três dias seguidos aprofundou as articulações entre os partidos. Considerado peça-chave nas negociações, ele atua para consolidar o apoio do PL à candidatura de Cleitinho e ajudar na construção de um palanque competitivo no segundo maior colégio eleitoral do país.

Segundo o deputado estadual Bruno Engler (PL), o apoio do partido foi avalizado por Flávio Bolsonaro e agora depende apenas do aval do senador. “Nós tivemos um avanço muito importante com o Cleitinho no mês passado. Já está definido que caminharemos junto com o Cleitinho, só que cabe a ele agora decidir se quer terminar o mandato no Senado ou assumir o desafio de ser candidato ao governo de Minas”, disse Engler.

Flávio e Cleitinho se encontraram ontem em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, durante a Feira Nacional do Milho (Fenamilho), para uma conversa reservada. A cidade é reduto político de Luiz Eduardo Falcão (Republicanos), ex-prefeito e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), cotado para ser candidato a vice-governador na chapa de Cleitinho.

Outros nomes também cogitados para compor a disputa pelo governo de Minas são o presidente licenciado da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli (PL). Caso a chapa “puro-sangue” se concretize, o PL deve apoiar Marcelo Aro (PL), ex-secretário de Governo de Romeu Zema, e o deputado federal Domingos Sávio (PL) para as duas vagas ao Senado.

Pesquisa Genial/Quaest aponta Cleitinho na liderança da corrida pelo governo do estado em todos os cenários testados no primeiro turno, à frente dos demais candidatos nas diferentes simulações.

Republicanos 

Nos bastidores, o PL chegou a discutir a possibilidade de candidatura própria ao governo mineiro. O desempenho de Cleitinho nas pesquisas e sua popularidade entre eleitores conservadores, porém, levaram a sigla a priorizar uma eventual aliança com o senador. Se Cleitinho decidir não disputar, o partido pode retomar os planos de candidatura própria, possivelmente em composição com o Republicanos.

A preferência por Cleitinho também evidencia um afastamento entre o PL e o grupo político do ex-governador Romeu Zema (Novo), também pré-candidato à Presidência da República, e do atual governador Mateus Simões (PSD).

Embora Zema tenha apoiado Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022, integrantes do PL avaliam que a aproximação foi tardia e não resultou em uma aliança sólida. Além disso, as críticas de Zema às relações de Flávio Bolsonaro e da família Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro — preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraude no sistema financeiro — dificultaram ainda mais essa aproximação.

Outro obstáculo é o fato de Simões ser filiado ao PSD, partido que abriga lideranças com projetos nacionais próprios, entre elas a candidatura à Presidência do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, o que dificulta um alinhamento automático com o campo bolsonarista.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A aliança com Cleitinho também impõe uma derrota ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que vinha defendendo nos bastidores uma composição com Mateus Simões, com quem tem cumprido agendas conjuntas pelo interior do estado.

compartilhe