As redes sociais resgataram uma cena do filme ainda não lançado “Dark horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a divulgação de áudios atribuídos ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para o banqueiro Daniel Vorcaro. Nas gravações, Flávio cobrava Vorcaro diretamente pelo envio de parcelas do patrocínio, que giram em torno de R$ 61 milhões.
De acordo com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o longa-metragem sobre Bolsonaro, orçado em R$ 134 milhões e escrito por Mário Frias, pode ter sido utilizado em um esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro em meio à crise financeira do Banco Master.
Na cena que caiu nas redes sociais, o ator Jim Caviziel aparece sentado sobre os ombros de figurantes que simulam apoiadores de Bolsonaro no momento em que o então candidato é atingido pela facada, em setembro de 2018. A atuação considerada exagerada e o visual do personagem rapidamente viraram alvo de piadas nas redes sociais.
“Não acredito que esse ator se prestou a esse papel véi, um ator com uma carreira brilhante”, escreveu um usuário. Outros comentários debocharam do suposto orçamento milionário do projeto. “134 milhões pra essa atuação meia boca? Eu pedia reembolso”, comentou um perfil. “131 milhões pra isso? Negócio caro e fubango é só com o Vorcaro mesmo”, escreveu outro internauta.
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A caracterização de Caviezel também foi alvo de críticas. “É o sósia do Silvio Santos que está interpretando o Bozo?”, ironizou um usuário. “Se eu fosse o Vorcaro, pediria o dinheiro de volta!”, brincou outro. “É o Casseta & Planeta que tá produzindo? Porque essa peruca…”, escreveu um internauta.
Até o momento, a produção de “Dark Horse” não comentou oficialmente as críticas envolvendo a cena vazada. Em nota à imprensa no início da semana, a produtora GOUP Entertainment negou que o repasse de Vorcaro ocorreu.
“A GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário”, diz o texto.
Mário Frias, produtor executivo do longa, primeiro negou qualquer relação com o banco Master. No entanto, ele voltou atrás e admitiu, em nota, que o filme tinha financiamento da empresa de Vorcaro.
“Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, esclareço que não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento. Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”, escreveu.
“O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta. Reitero que o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro não têm sociedade no filme nem na produtora ou com qualquer outra estrutura ligada ao filme, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família. Também reafirmo que todo o dinheiro captado foi utilizado exclusivamente na produção do filme Dark Horse, projeto realizado com capital privado e sem qualquer recurso público”, pontuou.
Flávio também reconheceu a existência de patrocínio privado para a produção, dizendo que se tratava apenas de apoio financeiro para viabilizar o filme sobre o pai. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, defendeu.
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Segundo Flávio, ele conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando, de acordo com o senador, ainda não havia suspeitas públicas envolvendo o banqueiro. O parlamentar acrescentou que voltou a procurá-lo após atrasos no pagamento de parcelas destinadas à conclusão da obra.
