Em uma cerimônia restrita à convidados, Romeu Zema (Novo) passou o cargo de governador para o seu vice, Mateus Simões (PSD), na manhã deste domingo (22/3), no Palácio da Liberdade, sede simbólica do Executivo, na capital mineira, em tom de campanha eleitoral. Zema chamou Simões de "parceiro" que Deus colocou em seu caminho, fez um balanço de sua gestão e disse que o Brasil está sendo destruído e roubado pelo atual governo.
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O problema do Brasil, de acordo com Zema, não é a falta de recursos, mas a "sobra de ladrões". “Nós não somos um país fracassado. Nós somos sim um país roubado. O problema do Brasil não é falta de recursos, é sobra de ladrões”, afirmou Zema, que deixou o cargo neste domingo para disputar a Presidência da República, nas eleições deste ano.
Segundo ele, "ninguém aguenta mais". "Ninguém aguenta mais a farra da corrupção, ninguém aguenta mais viver com medo, ninguém aguenta mais a conta não fechar no fim do mês. Não importa o quanto o brasileiro batalha. O Brasil está sendo destruído por esse governo que está lá em Brasília. O Brasil está sendo destruído pelo mesmo sistema que destruiu Minas Gerais" disse Zema, se referindo ao seu antecessor, Fernando Pimentel, que governou o estado entre 2015 e 2018, e é do mesmo partido que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Zema elencou o que ele considera feitos do seu governo como o pagamento em dia dos salários dos servidores, e ações na educação e saúde, e disse que é preciso "fazer a mesma coisa para o Brasil".
"Juntos, colocamos as contas em ordem, pagamos os servidores em dia, tratamos os prefeitos aqui presentes com muito respeito, sem nunca olhar para as suas preferências políticas", afirmou
Na sequência, Zema declarou que o brasileiro não quer um país perfeito, e sim um país que funcione, onde “a lei seja igual para todo mundo” e sem o que chamou de “intocáveis”. “Um país onde o governo respeita os valores da família, onde o empreendedor não é tratado como inimigo, onde o trabalhador pode andar na rua sem medo de ser assaltado. O brasileiro não quer um país perfeito, ele só quer um país que seja dele outra vez e não mais o Brasil dos intocáveis”, disse Zema.
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Primeira eleição
Ele também lembrou sua eleição em 2018, quando assumiu o governo do estado, seu primeiro cargo eletivo, pelo recém criado Partido Novo em uma disputa de dois turnos contra o ex-governador Antônio Anastasia, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
"Eu não podia aceitar o que fizeram com Minas. Eu não podia aceitar o meu estado ser roubado por políticos vendidos. Foi por isso que eu decidi disputar a minha primeira eleição", contou depois de relatar sua trajetória profissional nas lojas e postos de gasolina da família.
De acordo com ele, sua vitória nessa disputa não foi de um partido ou de um candidato, mas de “um movimento dos mineiros". "Muita gente dizia que era impossível, mas nós vencemos, vencemos juntos, porque a nossa eleição em 2018 não foi a vitória de um partido, não foi a vitória de um candidato. Foi a vitória de um movimento dos mineiros decididos a se livrar da corrupção e a tomar as rédeas do governo nas suas mãos. Juntos, nós botamos Minas de pé novamente. Juntos, nós recuperamos o orgulho de sermos mineiros. E por isso, eu quero dizer aqui uma coisa a vocês: do fundo do meu coração, muito obrigado", afirmou Zema.
O ex-governador disse ainda que ainda falta fazer muito por Minas Gerais, mas afirmou que sua gestão devolveu o governo do estado para os "mineiros de bem". "E, agora, nós precisamos fazer a mesma coisa pelo Brasil", defendeu Zema.
Cerimônia de posse
A cerimônia de transmissão do cargo foi feita no pátio em frente ao Palácio da Liberdade, em cima de um tablado em forma de um triângulo mineiro, simbolizando a bandeira de Minas Gerais, que também foi distribuída para os convidados.
Zema entrou pela portaria principal e, na sequência, chegaram o novo governador e sua esposa, a presidente do Serviço Social Autônomo (Servas) e professora universitária, Christiana Renault. Em cima desse dispositivo, ao som de "Trenzinho caipira" de Villa Lobos, Zema repassou para Simões o Colar do Mérito da Inconfidência, honraria destinada aos governadores de estado.
Zema discursou primeiro e foi seguido por Mateus, que repetiu praticamente a mesma fala feita na cerimônia de posse, realizada antes, na sede do Poder Legislativo. Simões é pré-candidato à reeleição e conta com o apoio de Zema, seu principal cabo eleitoral na disputa.
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Na sequência, Simões acompanhou Romeu Zema até o portão principal do Palácio, momento em que o então ex-governador se despediu e deixou o local. A cerimônia, que reuniu prefeitos, deputados e lideranças políticas, terminou ao som de Dias Melhores, sucesso da banda mineira Jota Quest.
