O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), empossado neste domingo (22/3), declarou que a segurança pública será prioridade até o fim do seu mandato e afirmou que não ficará triste pelo resultado de nenhuma operação policial “em que todos os policiais estejam vivos”.
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A declaração de Simões ocorre poucos meses após uma operação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro (RJ), realizada sob a justificativa de combate a facções criminosas. A megaoperação foi avaliada por políticos e personalidades da direita como um sucesso, sendo que “as únicas vítimas” teriam sido os quatro policiais que morreram durante o trabalho.
As mesmas facções combatidas pela operação no Rio instalaram-se em diversas localidades do estado de Minas Gerais. Segundo Simões, seu governo irá enfrentar os criminosos “com força”, e fez referência de que as facções serão expulsas do estado. Ainda, citou a contratação de 15 mil oficiais para as forças de segurança durante a gestão do seu antecessor, Romeu Zema (Novo).
“Em Minas Gerais, quem tem direito de usar a força é só a polícia. Significa que qualquer bandido que tentar atuar aqui vai ser caçado e expulso. E vocês não me verão triste pelo resultado de nenhuma operação policial em que todos os policiais estejam vivos, que a minha preocupação é garantir que bandido seja preso e fique preso”, afirmou Simões.
Na sequência do discurso, o governador recém-empossado criticou a atuação de instituições que, segundo ele, “interferem na atuação do Executivo”. Recentemente, a gestão estadual entrou em embate com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) devido à decisão liminar que suspendeu a implantação de escolas cívico-militares, sob alegação de falta de lei formal e de previsão de recursos no orçamento.
Simões também afirmou que as decisões judiciais “precisam voltar a conversar com a nossa realidade”, e exemplificou o caso recente no qual desembargadores do TJMG decidiram pela absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos. O desembargador Magid Nauef Láuar, relator da decisão, voltou atrás e condenou o acusado após a repercussão do caso.
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“Como foi a mudança sobre aquele estuprador que estava mantendo uma menina como sua escrava, e teve aqui uma absolvição do Tribunal (de Justiça de Minas Gerais), que nós revertemos por pressão e por sensibilização, de cada uma das estruturas, da importância da gente ter a valorização da família e das pessoas como centro de todas as políticas públicas”, disse Simões.
Mais cedo, durante a cerimônia de posse na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o governador afirmou que no seu governo as mulheres receberão atenção, com políticas públicas específicas para a sua proteção. Na mesma fala, Simões foi incisivo nas críticas ao que chamou de “estratégia de interferência política e ideológica por órgãos de controle”, que teriam suspendido obras relevantes e programas essenciais.
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“É intolerável que a violência contra a mulher seja tratada como traço cultural em Minas Gerais, como se isso fosse tudo bem. É impensável que facções tentem dominar aglomerados e aterrorizar trabalhadores. Abusos institucionais serão combatidos, mulheres serão protegidas, o crime organizado será perseguido e expulso de Minas Gerais em todas as frentes, porque Minas não se curvará aos hipócritas, nem aos covardes que defendem bandidos e a paralisia do Estado”, discursou.
