Pacheco tenta viabilizar candidatura em Minas com apoios de Lula a Aécio
Senador demonstra a seu entorno que só pretende disputar o governo do estado caso sua candidatura seja viável
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tem buscado apoios para viabilizar uma candidatura ao governo de Minas Gerais, mesmo sem admitir que é candidato. Aliado dos sonhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado, o parlamentar tem tido conversas inclusive para atrair o apoio do PSDB de Aécio Neves, que não cogita se associar a Lula na eleição.
O petista quer que o senador seja candidato a governador porque precisa de um aliado disputando a eleição em Minas Gerais para fortalecer a própria campanha de reeleição. O estado tem o segundo eleitorado mais numeroso do Brasil.
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O chefe do governo corteja Pacheco há meses. O senador indicou a aliados que encerraria sua vida política depois de ter sido preterido por Lula na indicação para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) - o petista preferiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias. Recentemente, Pacheco passou a dar sinais de que será candidato.
As conversas entre Pacheco e o PSDB podem resultar em uma aliança com o deputado Aécio Neves, que avalia se candidatar a senador. Outra provável candidata a senadora aliada a Pacheco é a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).
Tucanos relatam nos bastidores que têm conversado sobre o assunto com o senador, mas que não aceitam uma aliança com o PT que impulsione a candidatura de reeleição de Lula. Um arranjo possível seria um acordo de apoio sem entrar na mesma coligação, permitindo aos tucanos pedir voto para Pacheco sem promover a campanha petista para o Planalto.
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Aécio, que preside o PSDB, foi um dos maiores adversários dos governos do PT no início dos anos 2010. Ainda assim, integrantes do partido têm tratado com naturalidade, em conversas reservadas, a possibilidade de ele se associar a Pacheco.
Aliados de Lula já dão como certo que o senador vai concorrer, mas Pacheco demonstra a seu entorno que só pretende disputar o governo do estado caso sua candidatura seja viável. Um dos principais pontos a ser resolvido é por qual partido ele entraria na eleição, uma vez que o PSD, ao qual é filiado, deve lançar o vice-governador Mateus Simões como candidato.
O entorno de Rodrigo Pacheco afirma que é Lula quem tem de encontrar um partido forte para o aliado se filiar. É necessário que a legenda tenha expressão política em Minas Gerais, para oferecer a uma candidatura de Pacheco recursos como capilaridade no interior do estado e tempo para propaganda na TV.
As principais possibilidades em análise são União Brasil e o MDB. Há entraves nos dois casos.
O União Brasil tem deputados em Minas Gerais que querem apoiar o principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), na disputa presidencial. Por outro lado, o deputado Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco, assumiu o diretório estadual do partido.
As conversas com o União Brasil são intermediadas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, um dos nomes mais poderosos do partido. Alcolumbre está distante de Lula. O movimento teria como objetivo não ajudar o petista diretamente, mas de viabilizar a permanência na política de Pacheco, de quem o presidente do Senado é amigo.
No caso do MDB, além de haver resistência a lançar uma candidatura que apoie Lula entre integrantes da legenda, o presidente do diretório local, Newton Cardoso Jr., lançou como pré-candidato Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Senadores do MDB buscam uma forma de viabilizar a filiação de Pacheco. A possível migração tem apoio de setores governistas do partido. Apesar disso, mesmo aliados próximos de Lula têm pouca esperança em um acordo com os emedebistas mineiros.
Uma opção de emergência seria o PSB, aliado do presidente da República em nível nacional. A ideia, porém, não agrada ao senador porque o partido tem pouca expressão em Minas Gerais e não garantiria uma estrutura robusta.
O prazo para filiação partidária a tempo de disputar as eleições deste ano é no início de abril.
No sábado (28/2), Lula e Pacheco viajaram juntos, acompanhados de alguns ministros, ao interior de Minas Gerais. Foi a primeira aparição pública dos dois depois de o petista ter preterido o senador na escolha de seu indicado para o STF.
A reportagem apurou que, no avião presidencial, tanto o presidente quanto outros integrantes do governo, em tom de brincadeira, referiram-se a Pacheco como futuro governador. O senador sorria e não negava ou confirmava.
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Ao chegarem ao destino, Juiz de Fora, cidade atingida por temporais, Lula deu protagonismo ao senador em duas oportunidades. Primeiro, colocou-o para falar na reunião fechada com prefeitos da região. Depois, deu a palavra ao senador durante um pronunciamento à imprensa.
Possíveis candidatos ao governo de Minas
- Alexandre Kalil (PDT) - ex-prefeito de Belo Horizonte
- Cleitinho (Republicanos) - senador, alinhado ao bolsonarismo
- Flávio Roscoe - cogitado pelo PL, é presidente da Fiemg
- Gabriel Azevedo (MDB) - ex-vereador de Belo Horizonte
- Mateus Simões (PSD) -atual vice-governador
- Rodrigo Pacheco (PSD) - senador, pode ser o nome de Lula (PT), mas precisa de um novo partido