Amoêdo critica Nikolas e diz que deputado vive de discurso político
Ex-presidente do Novo afirma que mobilização liderada pelo parlamentar serve mais à autopromoção eleitoral do que a mudanças concretas no país
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O ex-presidente do Partido Novo e ex-candidato à Presidência da República João Amoêdo fez duras críticas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) após a mobilização batizada de “Caminhada da Liberdade”, encerrada neste domingo (25/1), em Brasília. Em comentário publicado nas redes sociais, Amoêdo afirmou que o parlamentar repete o “padrão bolsonarista” e constrói um discurso político sem apresentar propostas concretas capazes de melhorar a vida da população.
A manifestação foi organizada por Nikolas como protesto contra a condenação de apoiadores e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
Ao longo de cerca de seis dias, o deputado percorreu aproximadamente 240 quilômetros a pé, saindo de Paracatu, no Noroeste de Minas, até a capital federal, acompanhado por dezenas de apoiadores e forte presença de forças de segurança.
Na avaliação de Amoêdo, o discurso adotado por Nikolas durante o ato mistura política e religião, reforça narrativas de perseguição e evita enfrentamentos incômodos. Segundo ele, o deputado defendeu condenados pela Justiça, atacou o ministro Alexandre de Moraes, mas “se esqueceu” de citar outros integrantes do Supremo, como Dias Toffoli, e denunciou o chamado “sistema” enquanto esteve ao lado de figuras centrais da política tradicional, como Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
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“Apesar de ser um político, Nikolas conduziu o ato como alguém abençoado, um enviado de Deus. Tudo em nome da "liberdade" que, segundo a sua narrativa, não existe mais no Brasil, apesar de a passeata e os seus atos provarem exatamente o contrário”, escreveu no X.
Amoêdo também apontou contradições no discurso moralizante do parlamentar ao mencionar o escândalo envolvendo o banco Master, sem referência a lideranças religiosas ligadas à igreja frequentada por Nikolas que teriam relação com o caso.
Para o ex-presidente do Novo, o ato foi conduzido como um evento de cunho messiânico, em que o deputado se apresentou como “abençoado” e porta-voz de uma liberdade que, segundo Amoêdo, é desmentida pelo próprio fato de a manifestação ter ocorrido livremente.
“Os participantes, por sua vez, acordaram hoje com os mesmos problemas que tinham antes da caminhada. Iniciam a semana trabalhando para pagar os salários de Nikolas, dos seus assessores, os rombos do banco Master e todas as mordomias do Congresso, do Executivo e do Legislativo. Porém, continuam fiéis àqueles que os enganam e seguem atacando quem ousa alertá-los sobre o oportunista discurso bolsonarista. E assim permanecem como massa de manobra de políticos que não têm nenhuma preocupação com o país, se colocam como vítimas e criam narrativas com o único objetivo de se perpetuarem no poder”, completa o texto.
O ex-dirigente partidário foi além e afirmou que os participantes da caminhada acabaram atuando como “figurantes gratuitos” de uma estratégia eleitoral. Para ele, o principal saldo do ato não foi político nem institucional, mas a produção de vídeos e imagens que deverão ser explorados nas campanhas de 2026. “Nada mudou”, resumiu Amoêdo, ao afirmar que Nikolas retorna às férias com a reeleição encaminhada, sem precisar apresentar projetos ou medidas concretas no Congresso.
A manifestação terminou sob forte chuva em Brasília e foi marcada por um grave incidente, com 72 pessoas precisando de atendimento médico uma descarga elétrica provocada por um raio atingir o grupo, segundo o Corpo de Bombeiros. Trinta manifestantes foram levados a hospitais, oito deles em estado grave. Mesmo assim, o grupo seguiu para o ato final na Praça do Cruzeiro, em defesa de Bolsonaro e da anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.
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João Amoêdo, que deixou o Novo por divergências com o alinhamento de parte da direita ao bolsonarismo, tem adotado uma postura cada vez mais crítica ao ex-presidente e a seus aliados. Ele já classificou como “correta e embasada” a prisão de Bolsonaro e defende que a direita brasileira rompa com discursos que, segundo ele, exploram a indignação popular sem oferecer soluções reais.