CRISE MIGRATÓRIA

Ceuta: entenda por que cidade espanhola virou foco de crise migratória

Território espanhol no Norte da África registrou uma das maiores ondas migratórias da história, com chegada de 50 mil pessoas em dois dias

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Ceuta se tornou um dos assuntos mais pesquisados pelos brasileiros nesta sexta-feira (31/7). Segundo dados do Google Trends, o termo registrou um aumento de 1.000% nas buscas após uma crise migratória sem precedentes colocar a cidade espanhola no centro da atenção internacional. Mais de 50 mil imigrantes cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta nos últimos dois dias, de acordo com o Ministério do Interior da Espanha. Durante a travessia, ao menos 34 pessoas morreram.

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O número de chegadas equivale a mais da metade da população de Ceuta, cidade autônoma espanhola localizada no Norte da África, que tem cerca de 83,6 mil habitantes. O presidente do território, Juan Jesús Vivas, afirmou que aproximadamente 60 mil pessoas entraram na cidade nos últimos dias, enquanto o Departamento de Segurança Nacional da Espanha chegou a informar oficialmente a entrada de 49 mil migrantes antes de apagar a publicação sem explicar o motivo.

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Até a manhã de quinta-feira, o governo espanhol estimava que entre 2 mil e 3 mil pessoas haviam cruzado a fronteira, mas o fluxo aumentou rapidamente ao longo do dia. Vídeos registrados na região mostram milhares de pessoas chegando pelo mar, muitas utilizando boias improvisadas e outros objetos para flutuação.

Imigrantes chegaram pelo mar

A maior parte dos migrantes entrou em Ceuta nadando ao redor do quebra-mar da praia de Tarajal, que marca a fronteira entre Marrocos e o território espanhol. Outros tentaram acessar a cidade caminhando pelos espigões costeiros ou ultrapassando as cercas que separam os dois países.

A Guarda Civil espanhola afirmou que os agentes ficaram sobrecarregados diante do grande volume de pessoas. Nesta sexta-feira, o centro da cidade registrava intensa movimentação, enquanto os primeiros barcos começaram a transportar migrantes de volta ao Marrocos.

Segundo o jornal espanhol El País, alguns marroquinos decidiram retornar voluntariamente após relatarem agressões, ameaças e hostilidade por parte de moradores locais, além da superlotação da cidade.

O que motivou a nova onda migratória?

As autoridades espanholas ainda investigam as causas do aumento repentino das travessias, mas um dos fatores apontados é uma recente decisão do Supremo Tribunal da Espanha. No início de julho, a corte decidiu que migrantes que chegam ao território espanhol por via marítima não podem ser devolvidos imediatamente da mesma forma que aqueles interceptados em passagens terrestres.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que organizações criminosas responsáveis pelo tráfico de pessoas estariam divulgando uma interpretação distorcida dessa decisão para incentivar a travessia. Segundo Sánchez, essas redes passaram a espalhar nas redes sociais a informação de que qualquer pessoa que chegasse a Ceuta pelo mar teria garantido o direito de permanecer na Espanha, o que não corresponde ao entendimento oficial do governo.

Outra medida que também gerou repercussão internacional foi a concessão de anistia e autorização de residência para imigrantes que já viviam irregularmente na Espanha. No entanto, o benefício vale apenas para quem consegue comprovar que já estava no país antes da entrada em vigor da regra, não se aplicando aos recém-chegados.

Espanha reforça segurança

Diante da crise, o governo espanhol enviou militares para reforçar a atuação da Guarda Civil e da Polícia Nacional na fronteira. Pedro Sánchez viajou para Ceuta acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. A visita levou ao isolamento de parte do centro da cidade, onde uma operação policial foi montada para retirar os migrantes da área por onde passaria a comitiva.

O sindicato da Polícia Nacional da Espanha (Jupol) criticou a atuação das autoridades marroquinas e afirmou haver "passividade absoluta" no controle das saídas em direção ao território espanhol. Enquanto isso, milhares de jovens permaneceram concentrados na cidade marroquina de Castillejos, próxima à fronteira, aguardando uma oportunidade para tentar entrar em Ceuta.

Crise supera recordes recentes

Caso os números sejam confirmados, esta será a maior entrada simultânea de migrantes em Ceuta desde maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira em apenas um dia. Para efeito de comparação, entre janeiro e julho do ano passado, apenas 2.826 migrantes haviam conseguido entrar no território por vias semelhantes, seja pelo mar ou burlando a fronteira terrestre.

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A rota entre o Norte da África e a Espanha é considerada uma das mais perigosas para migrantes. Organizações humanitárias registram centenas de mortes todos os anos em tentativas de travessia marítima. Desta vez, pelo menos 34 pessoas perderam a vida antes de conseguir chegar ao território espanhol.

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