Governo Trump expulsa delegado da PF que ajudou a prender Ramagem
EUA classificam atuação como tentativa de 'manipular' o sistema de imigração para tentar extraditar o ex-deputado federal Alexandre Ramagem
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O governo dos Estados Unidos solicitou ao governo do Brasil que o oficial de ligação da Polícia Federal na Flórida, o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, deixe o país após sua atuação na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), na semana passada.
Em nota divulgada no X (antigo Twitter), o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, do Departamento de Estado norte-americano, não cita o nome do delegado, mas classifica sua atuação como uma tentativa de "manipular" o sistema de imigração dos Estados Unidos.
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"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso", diz a nota.
A saída de Carvalho dos Estados Unidos havia sido divulgada mais cedo pelo portal Metrópoles e foi confirmada pela BBC News Brasil.
A reportagem questionou a Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) sobre o caso, mas ainda não recebeu respostas.
Condenado na mesma ação de Bolsonaro
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão, em setembro de 2025, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
Ele foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e foi eleito deputado em 2022, mas teve seu mandato cassado em dezembro passado após o STF determinar a perda de mandato por sua condenação.
Ramagem vive nos Estados Unidos desde o ano passado e é considerado foragido pela Justiça brasileira. De acordo com a PF, ele fugiu do Brasil pela divisa do país com a Guiana, de onde pegou um voo para os Estados Unidos.
Polícia Federal fala em "cooperação internacional"
Há uma semana, em 13 de abril, ele foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). Segundo a Polícia Federal, a detenção de Ramagem foi resultado de uma cooperação policial internacional.
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O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o oficial de ligação da PF na Flórida (Carvalho) teria enviado dados sobre o paradeiro de Ramagem a autoridades de imigração norte-americana que resultaram na detenção do ex-deputado.
Dois dias depois, Ramagem foi solto, após forte pressão de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entre eles o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Paulo Figueiredo, ambos radicados nos Estados Unidos.
Desde então, autoridades norte-americanas iniciaram um processo de apuração interna para saber como teria se dado essa cooperação policial.
A apuração tinha o objetivo de identificar, entre outras coisas, se o objetivo das autoridades brasileiras ao acionar o ICE para prender Ramagem era uma tentativa de burlar o processo de extradição do ex-parlamentar, uma vez que a decisão sobre se ele será ou não extraditado ao Brasil depende do Departamento do Estado, enquanto a deportação em casos de irregularidades migratórias depende do Departamento de Segurança Interna.
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