CONFLITO

'Estou vencendo esta guerra com folga', diz Trump sobre Irã

Entre bloqueios marítimos e negociações sob tensão, o presidente dos EUA ignora críticas e garante que o fim do conflito está próximo

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Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (20/4) que está vencendo a guerra no Irã "com folga". O presidente americano publicou mensagens em que defende que suas "Forças Armadas têm sido incríveis" e ataca a imprensa do país.

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"Estou vencendo uma guerra, com folga, as coisas estão indo muito bem. Nossas Forças Armadas têm sido incríveis e, se você ler as notícias falsas (...) você realmente pensaria que estamos perdendo a guerra", escreveu. "A mídia de notícias falsas antiamericana está torcendo para que o Irã vença, mas isso não vai acontecer, porque eu estou no comando!", acrescentou Trump.

O americano ainda afirmou que o bloqueio imposto pelos EUA ao regime persa não será retirado até a formalização de um acordo entre os países. "Eles estão perdendo US$ 500 milhões por dia, um número insustentável, mesmo no curto prazo", escreveu.

Em uma outra postagem, Trump voltou a criticar a imprensa americana e disse que não se vê sob pressão no conflito, apesar de recuos constantes em ameaças e grande volatilidade nos mercados de energia, que afetam preços dentro e fora dos EUA. "Li nas notícias falsas que estou sob 'pressão' para fazer um acordo. Isso não é verdade! Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer de forma relativamente rápida!"

Ele ainda relembrou o prazo de cerca de seis semanas que havia dado no início do conflito para o fim da guerra. "O tempo não é meu adversário; a única coisa que importa é que, finalmente, após 47 anos, consigamos resolver a bagunça que outros presidentes deixaram acontecer porque não tiveram a coragem ou a visão para fazer o que precisava ser feito em relação ao Irã", afirmou.

Trump elogiou a atuação das forças americanas e voltou a defender que seus ataques resultaram em mudança de regime no Irã, muito embora as mortes de líderes políticos e de parte do comando militar não tenham mudado substancialmente a estrutura do país persa. "Isso está sendo executado com perfeição, na escala da Venezuela, apenas uma operação maior e mais complexa. O resultado será o mesmo", afirmou, ao fazer referência à captura do ditador Nicolás Maduro, em janeiro deste ano.

O americano ainda publicou um outro texto em que ataca o acordo nuclear anterior com o Irã, afirmando que o pacto era "um dos piores acordos já feitos em relação à segurança" dos EUA. Ele voltou a atacar os democratas Barack Obama e Joe Biden na postagem. O acordo nuclear anteriores levou três anos sendo negociado e foi abandonado por Trump em 2018, durante seu primeiro mandato. 

Segundo ele, o texto que estaria sendo negociado atualmente com o regime persa será "muito melhor" do que o anterior. "Se um acordo for firmado sob a gestão de Trump, ele garantirá paz, segurança e proteção, não apenas para Israel e o Oriente Médio, mas para a Europa, a América e todos os outros lugares", afirmou.

Negociações

O Irã tem dito que as exigências dos EUA em relação ao programa nuclear são absurdas. Uma fonte iraniana de alto escalão disse também à Reuters que as "capacidades defensivas" de Teerã, incluindo seu programa de mísseis, não estão abertas a negociação.

Negociadores dos EUA estão a caminho do Paquistão para mais uma rodada de conversas com autoridades iranianas, mas a mídia estatal iraniana disse que autoridades de Teerã podem não comparecer às discussões.

À agência Reuters, uma fonte iraniana de alto escalão afirmou nesta segunda-feira (20/4) que o país está considerando participar das negociações de paz, mas que a decisão final ainda não havia sido tomada.

Mais cedo, Trump disse ao jornal New York Post que o vice-presidente J. D. Vance chegaria a Islamabad em algumas horas, liderando uma delegação americana. Mas, segundo o jornal The New York Times, o vice-presidente só embarcará na terça.

Vance liderou a delegação americana na primeira rodada de negociações, há duas semanas, que também incluiu o enviado de Trump, Steve Witkoff, e o genro Jared Kushner. Ainda de acordo com o The New York Times, que conversos com funcionários iranianos, o principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, compareceria caso Vance também fosse.

A situação é volátil desde que os EUA apreenderam um navio com bandeira iraniana no golfo de Omã, no domingo (19/4). Foi a primeira vez que os americanos usaram a força para fazer valer seu bloqueio marítimo. O Paquistão tenta convencer os EUA a encerrar o bloqueio aos portos iranianos, um grande obstáculo para o Irã retomar os esforços de paz.

O cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã foi anunciado em 7 de abril, mas não foi especificado a que horas ele termina. Uma fonte paquistanesa envolvida nas negociações afirmou que ele expiraria às 20h (horário de Brasília) desta terça-feira, o que seria às 3h30 de quarta-feira (22/4) no Irã.

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Questionado no fim de semana sobre a chance de uma prorrogação, Trump respondeu: "Não sei. Talvez não. Talvez eu não estenda. Mas o bloqueio vai continuar".

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