Justin Murphy, escritor e empresário dos Estados Unidos, provocou debate nas redes sociais ao afirmar que o “sangue começa a ferver” quando precisa brincar com os filhos pequenos por mais de dez minutos por dia. A confissão, feita nas redes sociais, ultrapassou 18 milhões de visualizações.
“Será que sou um monstro?”, perguntou no texto. Pai de várias crianças, sendo a mais velha um menino de 4 anos, Murphy afirmou que a paternidade tem sido fonte de angústia emocional.
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“Já faz quatro anos que me tornei pai, e estou começando a temer pela minha alma. A verdade é que simplesmente não gosto de ficar perto de crianças por muito tempo. Historicamente, isso não é incomum entre pais, mas hoje em dia parece quase ilegal”, destacou.
Segundo ele, o tempo ideal que gostaria de dedicar às brincadeiras gira entre 70 e 140 minutos por semana, o equivalente a cerca de duas séries de dez minutos por dia, encaixados entre pausas no trabalho. Apesar de afirmar que ama profundamente os filhos, Murphy diz que se sente emocionalmente exausto ao precisar entretê-los por períodos mais longos.
Murphy relatou também a vez em que um dos filhos implorou para brincar de pega-pega na rua com o pai. “Eu cedi, e com um sorriso. Não tenho problema em ser um pai gentil e amoroso, o problema é só que eu não gosto disso. Não é que eu esteja tentando maximizar meu prazer pessoal; parece apenas errado que eu sinta tão pouco deleite quando todos os meus amigos pais afirmam sentir tanto”, narrou.
Ele disse que a cena, em teoria, deveria ser prazerosa: um bairro arborizado, clima agradável e tempo livre. Ainda assim, afirmou que, internamente, sentia apenas o desejo de voltar à sua rotina. “No entanto, a cada minuto, por dentro, eu simplesmente não quero estar lá. Quero estar tomando meu café em paz. Então me sinto culpado e absurdamente ingrato; e envergonhado, quando terminamos”, escreveu.
E reconheceu que, racionalmente, sabe que sentirá saudade desses momentos no futuro, quando os filhos forem adolescentes, porém diz que essa consciência não tem sido suficiente para mudar o que sente no presente. “Sou uma pessoa terrível? Ou meu sentimento está dentro de uma certa normalidade histórica e são as normas modernas de paternidade que estão erradas?”, questionou.
Reações
A publicação recebeu centenas de comentários solidários, especialmente de outros pais que disseram ter vivido frustrações semelhantes durante a primeira infância dos filhos. “Totalmente normal. Você é um bom homem. Isso muda conforme eles crescem. Foque em criar memórias reais, sem culpa excessiva”, respondeu uma pessoa.
“Bebês não são muito interessantes para os homens — nem deveriam ser. Espera-se que os pais construam algo que os filhos possam admirar. Basta fazer a sua parte”, opinou outro.
Alguns comentários minimizaram a exigência de presença constante, defendendo que poucos minutos de atenção genuína por dia seriam suficientes. “É exaustivo e intelectualmente vazio. Em qualquer outra época, você seria um pai normal. O problema é que hoje esperamos que os filhos sejam o centro absoluto da vida adulta”, escreveu um terceiro.
Houve também quem defendesse que Murphy deveria priorizar o trabalho e os próprios interesses. “As crianças se desenvolvem melhor vendo um pai realizado, não alguém consumido pela culpa”, afirmou um comentário.
Nem todos, porém, concordaram com o desabafo. Alguns perfis rebateram a visão de Murphy, argumentando que ele estaria supervalorizando a produtividade em detrimento da criação dos filhos.
“Você diz que prefere estar trabalhando, o que implica achar que seu trabalho é mais importante do que criar seus filhos. Você está enganado. O impacto desse tempo será maior para você, para eles e para a sociedade do que qualquer realização profissional”, criticou um internauta.
“Garanto que você não tem nada mais importante para fazer do que estar com seu filho. Repense sua vida”, pontuou outro.
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“A mentalidade de aproveitar (ou pelo menos não odiar) o tempo com os filhos pode ser aprendida e cultivada. Quem se importa com o que isso diz sobre você, o fato de ser difícil? Você pode encarar isso como uma prática de atenção plena, tentando prestar atenção ao que está acontecendo a cada momento presente, para você e seu filho”, sugeriu um terceiro.
