Kalina Poliana, de 36 anos, quer desistir da compra de um apartamento adquirido em leilão depois de encontrar o corpo da antiga proprietária dentro do imóvel, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. A descoberta aconteceu nessa quinta-feira (5/11) e deixou a mulher profundamente abalada. Agora, ela pretende anular a aquisição e recuperar o dinheiro investido.

Segundo apuração do Estado de Minas, Kalina ficou tão abalada com a situação que não teve condições de acionar a Polícia Militar (PM). A ligação foi feita pelo chaveiro contratado para abrir o apartamento.

A antiga proprietária foi identificada como Marilene Fátima, de 53 anos. O corpo foi encontrado sobre uma cama, dentro do imóvel.

Em nota enviada à reportagem, a Sousa Leilões, empresa responsável pelo leilão, informou que acompanha o caso e presta assistência à compradora.

A empresa confirmou que Kalina manifestou interesse em desfazer a aquisição e recuperar os valores investidos.

Compradora encontrou corpo ao entrar no apartamento

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o apartamento fica na Avenida Wilson Gomes Coelho, em um condomínio residencial de Patos de Minas.

A compradora relatou aos militares que havia adquirido o imóvel em leilão cerca de dois meses antes e sabia que ainda havia móveis e pertences da antiga proprietária no interior do apartamento.

Desde então, mantinha contato com a síndica do condomínio para tentar localizar familiares de Marilene e providenciar a retirada dos objetos. No entanto, a família da antiga proprietária não mantinha contato frequente com ela.

Como não conseguiu resolver a situação, Kalina contratou um chaveiro para abrir a porta do apartamento. Ao entrar no imóvel, encontrou Marilene deitada sobre a cama, sem sinais de vida.

A descoberta deixou a compradora profundamente abalada. Sem condições de ligar para a polícia, ela recebeu auxílio do chaveiro, que acionou os militares.

A síndica contou à PM que o último contato que havia tido com Marilene ocorreu em 16 de outubro do ano passado. Ela acreditava que a antiga moradora tivesse se mudado para Varjão de Minas, no Noroeste do estado, porque havia comentado que conheceu um homem que morava na cidade.

Imóvel foi retomado pelo banco por falta de pagamento

A Sousa Leilões explicou que o apartamento foi levado a leilão depois que a antiga proprietária deixou de pagar o financiamento imobiliário. Segundo informações apuradas pela reportagem, Marilene havia sido notificada sobre os atrasos nos pagamentos.

Conforme a matrícula do imóvel, a propriedade foi consolidada em nome da Caixa Econômica Federal em 28 de abril de 2026.

O primeiro leilão aconteceu em 14 de julho de 2026, e o segundo, em 20 de julho do mesmo ano. Nenhum dos dois recebeu propostas de interessados.

Posteriormente, Kalina adquiriu o apartamento e se tornou a nova proprietária. Segundo a empresa, não foi possível realizar uma vistoria prévia no interior do imóvel antes da venda, em razão das condições do procedimento de retomada pelo banco e da realização do leilão.

Empresa investiga possibilidade de irregularidades

O Estado de Minas procurou Vanilda Sousa, CEO da empresa Sousa Leilões, e informou que está analisando a documentação do imóvel, especialmente as notificações feitas pelo banco antes da retomada da propriedade e da realização dos leilões.

A análise jurídica conta com o acompanhamento da advogada Lara Lopes, que presta serviços à empresa. "Um dos principais pontos da investigação será identificar a data exata da morte de Marilene e compará-la com as datas em que as notificações foram realizadas", explica.

Segundo a empresa, caso seja comprovado que a antiga proprietária já estava morta quando os comunicados foram expedidos, poderá existir fundamento jurídico para questionar a regularidade do procedimento.

A Sousa Leilões também pretende verificar se havia cobertura de seguro habitacional por morte e invalidez permanente (MIP), vinculada ao financiamento imobiliário.

"Esse tipo de cobertura poderá ser relevante para a análise da dívida e das circunstâncias que levaram à retomada do apartamento", termina.

Kalina quer desistir da compra

Segundo a empresa, Kalina ficou profundamente abalada ao encontrar o corpo da antiga proprietária e manifestou interesse em desfazer a compra.

A Sousa Leilões afirmou que sua prioridade é oferecer assistência à cliente, esclarecer as circunstâncias do caso e buscar as medidas jurídicas necessárias para proteger os direitos da compradora.

A empresa aguarda os resultados da perícia e a documentação relacionada ao financiamento para definir quais providências poderão ser adotadas.

Cartas de despedida foram encontradas

Durante os trabalhos no apartamento, a perícia da Polícia Civil encontrou cartas manuscritas atribuídas a Marilene.

Os documentos continham mensagens de despedida, orientações sobre o local onde ela desejava ser sepultada e informações sobre contas que deveriam ser pagas.

As cartas foram recolhidas, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

A Sousa Leilões informou que, segundo dados preliminares, o corpo poderia estar no imóvel havia aproximadamente 11 meses. Entretanto, esse período ainda depende de confirmação pericial.

A causa da morte também não foi oficialmente esclarecida. 

Nota da Polícia Civil

A Polícia Civil também foi procurada e informou em nota que instaurou Inquérito Policial para apurar as circunstâncias relativas ao encontro de uma ossada humana em um apartamento localizado na região nordeste de Patos de Minas.

"A perícia técnica esteve no local para os levantamentos de praxe. Não foram constatadas lesões no corpo, que foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). Amostras de material biológico colhidas serão enviadas para exames laboratoriais em Belo Horizonte para confirmar a hipótese de autoextermínio por intoxicação por medicamentos ou substâncias venenosas. No imóvel, que se encontrava organizado, foram encontradas diversas cartas deixadas pela vítima.

A apuração preliminar indica que o corpo permaneceu no interior do apartamento por aproximadamente um ano. Na ocasião, a vítima teria relatado a vizinhos que se mudaria para a cidade de Varjão de Minas. A PCMG destaca que não constavam em seus registros informações ou boletins de ocorrência anteriores referente ao desaparecimento da referida pessoa.

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A Instituição esclarece que a identificação formal será realizada por meio de exame de DNA. As investigações prosseguem para a conclusão dos laudos técnicos e elucidação completa do caso. Outras informações serão repassadas em momento oportuno", encerra nota.

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