Adolescente de 15 anos indicou local onde corpo de Beatriz Vitória estava
Depoimento da menor levou a Polícia Civil a uma área de mata em Jaboticatubas; ex-namorado da vítima e atual companheira dele foram presos suspeitos de feminicídio
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Uma adolescente de 15 anos ajudou a Polícia Civil (PCMG) a localizar o corpo de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, desaparecida desde 9 de outubro em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a investigação, a jovem indicou a região onde o corpo estava enterrado, depois de ser ouvida novamente com a intervenção do pai. A vítima foi encontrada em uma área de mata, e dois suspeitos foram presos em flagrante: o ex-namorado dela, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual companheira dele, Carla Luísa da Silva, de 23.
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De acordo com o delegado Alexandre Oliveira da Fonseca, da Divisão de Referência a Pessoas Desaparecidas, a adolescente havia sido ouvida durante as primeiras diligências, mas os investigadores identificaram contradições entre as versões apresentadas pelos ocupantes do veículo que teria sido usado no crime. Diante disso, a equipe decidiu procurar o pai da jovem, que já desconfiava de que ela não havia contado toda a verdade.
"Ele prontamente resolveu colaborar", relatou o delegado durante coletiva de imprensa. Após conversar com a filha, o homem conseguiu que ela revelasse o que sabia sobre o caso. Ainda segundo Fonseca, a adolescente demonstrou muito medo dos demais envolvidos, mas concordou em indicar a região onde o corpo havia sido deixado.
A jovem contou à polícia que estava no carro com o casal e que viu Beatriz ser levada para um local afastado. Depois, percebeu que os dois retornaram sem a vítima e deduziu que algo grave poderia ter acontecido. A versão apresentada por ela ainda será confrontada com as demais provas reunidas no inquérito.
Inicialmente, a adolescente foi tratada como testemunha. O delegado ressaltou que a investigação precisa avançar com base nos elementos de prova para esclarecer qual foi sua participação nos fatos. O celular dela foi apreendido e deverá passar por análise, mediante autorização judicial, para auxiliar na reconstrução dos acontecimentos.
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Terra remexida levou investigadores ao corpo
A partir da indicação da adolescente, os policiais seguiram para uma área conhecida como Loteamento dos Portugueses, em Jaboticatubas. O local tem trechos de mata e áreas abertas, além de terrenos ainda em construção.
O corpo não estava visível. Segundo Fonseca, um investigador percebeu sinais que chamaram a atenção da equipe: terra remexida e moscas concentradas sobre o solo. Os policiais iniciaram uma escavação e encontraram o corpo de uma mulher enterrado no local.
Nas proximidades, também foram localizados uma sandália e a capa do celular de Beatriz. A identificação foi reforçada por uma tatuagem extensa na perna da vítima, reconhecida pelo irmão dela, que acompanhava os trabalhos.
Conforme relatado pela Polícia Civil, Beatriz estava com os pés e as mãos amarrados. A perícia foi acionada para os procedimentos no local, e o corpo foi encaminhado para exames no Instituto Médico-Legal (IML). Os laudos deverão esclarecer as circunstâncias da morte e verificar outras suspeitas levantadas durante as investigações.
Imagens ajudaram a identificar suspeitos
A investigação começou depois do desaparecimento de Beatriz, que estava em um bar com amigos na noite de 9 de outubro. Segundo os relatos colhidos pela polícia, ela recebeu uma ligação e se afastou do grupo em direção a uma estrada de terra, onde havia um veículo.
A jovem retornou ao bar e comentou com os amigos que iria novamente até o carro. Antes de sair, pediu que fossem procurá-la caso não voltasse em cinco a dez minutos. Ela não retornou.
Os amigos ouvidos pela polícia disseram que fizeram buscas pela jovem e, posteriormente, comunicaram o desaparecimento aos familiares e às autoridades.
Imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para avançar na apuração. Segundo o delegado, um Volkswagen Up branco passou por uma câmera nas proximidades do bar às 21h04. Os investigadores relacionaram o veículo a Samuel, ex-namorado de Beatriz, que teria usado o telefone do pai para entrar em contato com ela.
A partir das imagens, dos depoimentos e de diligências de inteligência, a polícia identificou três ocupantes do carro: Samuel, Carla e a adolescente. Os dois adultos foram presos em flagrante após a localização do corpo, suspeitos de ocultação de cadáver e de envolvimento no feminicídio.
Segundo a Polícia Civil, Samuel admitiu que dirigia o veículo e que buscou Beatriz no bar, mas atribuiu à adolescente a responsabilidade pelo planejamento e pela execução do crime. Carla, por sua vez, permaneceu em silêncio durante o interrogatório, orientada por seu advogado.
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Os investigadores, no entanto, afirmam que os elementos reunidos até o momento apontam para possível participação do casal. A apuração continua para esclarecer a atuação de cada envolvido e verificar se outras pessoas participaram do crime ou da ocultação do corpo.