BH pode registrar três novos casos de câncer de próstata por dia
O histórico familiar é um dos fatores que merecem atenção na avaliação do risco de câncer de próstata, especialmente quando a doença já acometeu parentes próximos
compartilhe
Belo Horizonte pode registrar 1.030 novos casos de câncer de próstata em 2026, o equivalente a quase três diagnósticos por dia. A estimativa é do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que prevê 10.290 novos casos em Minas Gerais e 77.920 no Brasil ao longo do ano.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Neste Novembro Azul, os números chamam a atenção para uma informação que muitos homens desconhecem ou acabam deixando de lado: o histórico deste tumor na família.
O histórico familiar é um dos fatores que merecem atenção na avaliação do risco de câncer de próstata, especialmente quando a doença já acometeu parentes próximos. Segundo Márcio Nunes, coordenador técnico do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, da Dasa em MG, a idade em que esses familiares receberam o diagnóstico também é importante.
“Homens que têm pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata, principalmente antes dos 60 anos, apresentam um risco maior de desenvolver a doença. Casos de câncer de mama, ovário e pâncreas na família também merecem atenção, já que algumas alterações genéticas estão associadas a diferentes tipos de tumor”, explica.
A maior parte dos casos de neoplasias de próstata não está associada a alterações genéticas hereditárias identificáveis. Ainda assim, algumas variantes podem aumentar o risco. É o caso de alterações em genes como BRCA1, BRCA2 e ATM. O BRCA2, por exemplo, está relacionado a um risco maior de câncer de próstata e à possibilidade de desenvolvimento de formas mais agressivas da doença.
Segundo Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do Lustosa, também da Dasa, exames como o Painel para Câncer Hereditário, o Exoma e o Genoma podem contribuir para investigar essas alterações.
“O Painel para Câncer Hereditário é voltado para o sequenciamento de genes relacionados ao risco aumentado para neoplasias, enquanto o Exoma analisa as regiões do DNA responsáveis pela produção de proteínas, onde estão muitas das alterações associadas a doenças hereditárias. Já o Genoma permite uma investigação mais ampla, incluindo regiões que não são avaliadas pelo Exoma. Esses exames podem ajudar a identificar predisposições hereditárias ao câncer, mas não são indicados para todos os homens. A escolha depende do histórico pessoal e familiar e da avaliação de cada paciente”, explica.
Quando uma alteração hereditária relevante é identificada, o resultado também pode ajudar na orientação de outros integrantes da família. Parentes próximos podem ser encaminhados para avaliação genética e receber recomendações específicas de acompanhamento. Ter uma dessas alterações não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer.
O papel dos exames na investigação
Além da avaliação do histórico familiar e da predisposição genética, outros exames podem ajudar na investigação do câncer de próstata. Cada um tem uma função e sua indicação depende da avaliação médica.
Leia Mais
“O PSA é um exame de sangue que mede os níveis de uma proteína produzida pela próstata. Quando está elevado, pode indicar a necessidade de investigação, mas isso não significa necessariamente que exista um câncer. O toque retal também permite avaliar possíveis alterações na próstata. Já a ressonância magnética multiparamétrica tem assumido papel crescente antes da indicação de biópsia. Em vários centros, a combinação PSA e ressonância oferece melhor estratificação do risco. Esses procedimentos se complementam, mas não precisam ser realizados por todos os homens. A escolha depende do histórico e das características de cada paciente”, explica Márcio Nunes.
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento indiscriminado do câncer de próstata em homens sem sintomas. Isso porque os exames podem levar a resultados falso-positivos, diagnósticos de tumores que não causariam problemas e tratamentos desnecessários. ? A decisão sobre realizar os exames deve considerar os riscos e benefícios, discutidos individualmente com o médico.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Neste Novembro Azul, a campanha Para Tudo: hora de olhar para si, da Dasa, reforça a importância de reservar um tempo para cuidar da própria saúde. Em meio ao trabalho e aos compromissos do dia a dia, consultas médicas e cuidados pessoais muitas vezes acabam ficando para depois. A proposta é incentivar os homens a prestarem mais atenção à própria saúde, conhecer o histórico de doenças na família e buscar orientação médica quando necessário.