FEMINICÍDIO

Sargento da PM é indiciado pela morte de conselheira tutelar trans

O crime ocorreu em agosto deste ano. O militar confessou o assassinato e alegou que a vítima havia ameaçado expor o relacionamento extraconjugal

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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito e indiciou o sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) José Sérgio de Oliveira, de 43 anos, pela morte da conselheira tutelar trans Maryna Colucci, de 34, em Jacuí, na Região Sul de Minas Gerais. O crime ocorreu em agosto deste ano.

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Segundo as investigações, o policial mantinha um relacionamento com a conselheira tutelar. Ele foi indiciado pelos crimes de feminicídio consumado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

No fim de setembro, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) o denunciou à Justiça pelos crimes cometidos contra Maryna.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que a defesa apresentou resposta à acusação, que será analisada pelo Juízo da Vara Única de Jacuí.

Caso a denúncia seja recebida, o processo seguirá para a fase de instrução. A eventual submissão do acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri dependerá do andamento processual. O caso tramita em segredo de Justiça.

O crime

O caso veio à tona após a mãe de Maryna comunicar o desaparecimento da filha, que havia saído de casa no início da tarde de 21 de agosto e não retornou. De acordo com o TJMG, o próprio investigado figurou como relator no boletim de ocorrência inicial.

Durante as investigações, a partir da análise de diários, redes sociais e depoimentos de familiares, a polícia apurou que os dois mantinham um relacionamento amoroso e trocavam mensagens constantemente, inclusive na manhã do desaparecimento.

No dia 25 de agosto, o policial compareceu espontaneamente à sede da corporação, acompanhado dos advogados de defesa. No depoimento, confessou o crime e alegou que Maryna teria ameaçado expor o relacionamento extraconjugal à esposa dele, à população da cidade e à Polícia Militar.

Segundo o relato do suspeito, ele levou Maryna em sua caminhonete até a zona rural, onde a vítima teria se exaltado, pegado uma faca e tentado golpeá-lo, atingindo o banco traseiro do veículo. O homem afirmou ter reagido com três ou quatro disparos de arma de fogo contra o rosto da mulher, causando sua morte imediata.

Após o assassinato, o suspeito transportou o corpo na caminhonete até uma área de mata e o enterrou próximo a uma árvore. Ele conduziu os militares aos locais do crime e da ocultação do cadáver, onde o corpo de Maryna foi encontrado. No local, a perícia apreendeu a caminhonete e uma faca que estava junto ao corpo.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva. A defesa do investigado solicitou a liberdade provisória mediante medidas cautelares, mas o pedido foi negado pela juíza.

Justiça mantém prisão preventiva

A magistrada enfatizou a gravidade concreta da conduta, destacando a extrema violência de disparar diretamente contra o rosto da vítima, sem lhe dar chance de defesa. Com isso, manteve a prisão cautelar para garantir a ordem pública e por conveniência da instrução criminal, determinando a expedição do mandado de prisão preventiva e a revisão periódica da custódia a cada 90 dias.

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Nas redes sociais, a prefeitura lamentou a morte da conselheira tutelar. “Maryna dedicou parte de sua trajetória à proteção e à defesa dos direitos das crianças e adolescentes. Sua partida precoce deixa uma profunda tristeza em todos que tiveram a oportunidade de conviver com ela”, disse em nota. O Executivo municipal também se solidarizou com a família e os integrantes do Conselho Tutelar.

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