PM suspeito de matar mulher trans confessa crime e é preso preventivamente
Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, era conselheira tutelar em Jacuí, no Sul de Minas; policial admitiu que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima
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A Justiça da Comarca de Jacuí, no Sul de Minas, decretou a prisão preventiva do policial militar José Sérgio de Oliveira, de 43 anos, investigado pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver contra a conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34. A decisão foi proferida nesta quarta-feira(26/8), durante audiência de custódia conduzida pela juíza Elisandra Alice dos Santos Camilo.
O caso veio à tona após a mãe de Maryna comunicar o desaparecimento da filha, que havia saído de casa no início da tarde da última sexta-feira (21/8) e não retornou. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o próprio investigado figurou como relator no boletim de ocorrência inicial.
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Durante as investigações, com a análise de diários, redes sociais e depoimentos de familiares, a polícia apurou que os dois mantinham um relacionamento amoroso com trocas constantes de mensagens, inclusive na manhã do desaparecimento.
Nessa terça (25/8), o próprio policial compareceu espontaneamente à sede da corporação acompanhado de seus advogados. Em seu depoimento, ele confessou o crime e alegou que Maryna teria ameaçado expor o caso extraconjugal para sua esposa, para a cidade e para a Polícia Militar.
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Segundo o relato do suspeito, ele a levou em sua caminhonete até a zona rural, onde a vítima teria se exaltado, se apoderado de uma faca e tentado golpeá-lo, atingindo o banco traseiro do veículo. O homem afirmou ter reagido efetuando três ou quatro disparos de arma de fogo na face da mulher, o que causou sua morte imediata.
Após o assassinato, o suspeito transportou o corpo na caminhonete até uma área de mata e o enterrou próximo a uma árvore. Ele próprio conduziu os policiais até os locais do crime e da ocultação, onde o corpo de Maryna foi encontrado. No local, a perícia apreendeu a caminhonete e uma faca junto ao corpo.
O Ministério Público (MPMG) representou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva. A defesa do investigado pediu a liberdade provisória com medidas cautelares, mas a juíza negou.
Violência extrema
A magistrada enfatizou a gravidade concreta da conduta, destacando a extrema violência de disparar diretamente contra o rosto da vítima, sem dar chance de defesa. Com isso, manteve a prisão cautelar para a garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal, determinando a expedição do mandado de prisão preventiva e a revisão periódica da custódia a cada 90 dias.
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Nas redes sociais, a prefeitura municipal lamentou a perda da conselheira tutelar. "Maryna dedicou parte de sua trajetória à proteção e à defesa dos direitos das crianças e adolescentes. Sua partida precoce deixa uma profunda tristeza em todos que tiveram a oportunidade de conviver com ela", disse em nota. O Executivo ainda se solidarizou com a família e os integrantes do Conselho Tutelar.