Marido de capitã da PM morta em BH é indiciado por feminicídio
Capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu em julho; marido dela, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, foi indiciado pela Polícia Civil nesta sexta-feira (21/8)
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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) encaminhou à Justiça, nesta sexta-feira (21/8), o inquérito sobre a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Michele Leão Azevedo, de 41 anos. O marido dela, o sargento da PMMG Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi indiciado por feminicídio.
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A PCMG ressaltou que o inquérito visa esclarecer autoria, materialidade, motivação, dinâmica e circunstâncias do crime, mas que não poderia prestar outras informações, uma vez que o caso está sob segredo de Justiça. Confira, na íntegra, a nota da corporação:
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que o inquérito policial, instaurado para apurar a autoria, materialidade, motivação, dinâmica e circunstâncias do feminicídio, foi concluído e enviado à justiça, nesta data. Outras informações não poderão ser prestadas, tendo em vista que o procedimento tramita sob sigilo decretado pelo poder judiciário.
Consultado pela reportagem, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que "ainda não recebeu vista do inquérito policial no processo. Após o recebimento, a Promotoria de Justiça responsável analisará o procedimento para decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia".
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No entanto, a extensão e a gravidade dos ferimentos no corpo de Michele, especialmente no rosto, levantaram suspeitas imediatas da equipe médica. Eduardo Abner foi detido em flagrante por feminicídio e tráfico de drogas em 21 de julho e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva no dia seguinte.
Segundo o delegado Saulo Castro, que investigou o caso, o grau das lesões aponta para a intenção deliberada de agressão e de feminicídio. "Isso demonstra o dolo na intenção de cometer o crime. (...). A investigação tem um prazo de até 10 dias, podendo ser prorrogado. Por ser um crime de natureza hedionda, o Judiciário pode converter o flagrante em prisão preventiva", ressaltou o delegado durante pronunciamento oficial.
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Informações preliminares e testemunhas ouvidas pelas autoridades apontam que o casal vivia um relacionamento instável e marcado por contornos abusivos, com idas e vindas ao longo de oito anos, além de violência psicológica e moral praticada pelo sargento. Questionada sobre a existência de procedimentos internos passados contra o suspeito na corregedoria, a Polícia Militar informou que ainda não tem esse levantamento.
Em depoimento prestado à polícia, o sargento tentou justificar que o casal realizou uma festa em casa e que ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Eduardo afirmou ainda que, após a saída dos convidados, os dois tiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal frequentemente envolviam agressões consensuais.
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Quem era a capitã Michele?
A capitã Michele Leão Azevedo ingressou na Polícia Militar de Minas Gerais em 2010, após se formar pelo Curso de Formação de Oficiais. Reconhecida no meio acadêmico e institucional, atuava na área de defesa e segurança pública. Entre 2022 e 2023, Michele concluiu uma pós-graduação no Instituto Federal do Sul de Minas (Ifsuldeminas), na qual apresentou um estudo focado na aplicação da jurisprudência dos Tribunais Superiores dentro da PMMG.