Fiocruz é escolhida para coordenar Rede de Pesquisas da Bacia do Rio Doce
Grupo formado por instituições científicas vai estudar a saúde das populações dos territórios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi escolhida pelo Ministério da Saúde para coordenar a Rede de Pesquisas da Bacia do Rio Doce, grupo responsável por estudar a saúde das populações expostas em territórios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão em novembro de 2015. Ao todo, serão investidos R$ 66,8 milhões ao longo dos próximos dois anos.
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O rompimento despejou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na bacia do Rio Doce, chegando até a foz e a costa. Estima-se que os danos afetaram mais de 2,3 milhões de pessoas em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Os estudos serão feitos com recursos do Fundo Rio Doce, provenientes do Novo Acordo do Rio Doce, liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Rede atuará em todos os 49 municípios abarcados pelo Novo Acordo do Rio Doce, documento assinado no fim de 2024 a fim de superar as dificuldades presentes no modelo de reparação anterior.
A Rede de Pesquisas será formada por instituições científicas de reconhecida experiência e expertise. Caberá à Fiocruz o papel de implantar e operacionalizar o projeto, garantindo a integração e a articulação entre os participantes.
“O projeto está previsto para o período de 2026 a 2028, sendo que o primeiro ciclo contempla a implantação e a operacionalização da Rede, incluindo governança, equipes técnicas e administrativas, parcerias com instituições de pesquisa e instrumentos de gestão e monitoramento, como a Sala de Situação de Saúde”, diz Gabriel Visconti, Superintendente da Área de Enfrentamento de Eventos Extremos e Gestão do Fundo do Rio Doce, do BNDES.
Os estudos visam permitir a identificação, a avaliação e a compreensão dos inúmeros impactos à saúde humana. A primeira parcela dos recursos, de R$ 22,27 milhões, já foi repassada pelo BNDES. As liberações deverão somar um total de R$ 66,8 milhões até 2028.
Rede de pesquisas
Segundo o BNDES, a criação da Rede de Pesquisas permitirá a realização de estudos sobre os efeitos prolongados e cumulativos para a saúde e o ambiente, que se manifestam em alterações na qualidade da água, do solo, dos alimentos e do ar, assim como os impactos psicossociais persistentes.
"A carência de estudos públicos de longo prazo sobre os impactos do desastre reforça a necessidade de uma atuação tecnicamente qualificada. Nesse sentido, essa Rede de Pesquisas, custeada pelo Fundo Rio Doce, articula a produção científica com o compromisso social, uma vez que não se volta apenas para a geração de conhecimento, mas também orienta a formulação de políticas públicas e de ações de mitigação, prevenção e recuperação das condições de vida e saúde dos territórios afetados", disse a diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo do Rio Doce, Maria Fernanda Coelho.
Também está previsto a realização de levantamentos epidemiológicos e revisões bibliográficas. O projeto criará uma sala de situação, com sistemas de monitoramento e divulgação periódica de informações onde serão produzidas notas técnicas e análises voltadas à gestão e à sociedade.
Fundo Rio Doce
O Fundo Rio Doce foi criado a partir do Novo Acordo do Rio Doce, firmado em 2024 para repactuar as ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão. Os recursos são geridos pelo BNDES e começaram a ser liberados neste ano.
O documento prevê R$ 100 bilhões para as ações de reparação. Desse total a ser desembolsado pela Samarco ao longo de 20 anos, R$ 49,1 bilhões serão aportados no Fundo Rio Doce para custear as iniciativas que estão sob responsabilidade da União.
Em junho deste ano o projeto recebeu R$ 23,6 milhões. A iniciativa tem como objetivo implantar 1,4 mil hectares de florestas produtivas, área equivalente a quase nove vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo.
Tragédia
O rompimento da barragem em Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015. Cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos - volume suficiente para encher 15,6 mil piscinas olímpicas - escoaram por 663 quilômetros pela Bacia do Rio Doce até atingir o mar, no Espírito Santo. O desastre ambiental é um dos maiores da história do Brasil.
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A tragédia deixou 19 mortos. Os distritos mineiros de Bento Rodrigues e Paracatu foram destruídos pela enxurrada. Além dos impactos ambientais, populações de dezenas de municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo foram afetadas.