Mariana: barragem tem risco elevado pela ANM após descaracterização
A barragem de Campo Grande passou de risco baixo para médio por alterações no estado de conservação dos taludes
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A barragem Campo Grande, em Mariana, Região Central de Minas, teve a Categoria de Risco (CRI) elevada de baixa para média pela Agência Nacional de Mineração (ANM). A modificação está no boletim mensal do órgão referente a julho e acontece sete meses depois de a Vale anunciar a conclusão das obras de descaracterização da estrutura.
De acordo com a ANM, a elevação na categoria ocorreu após ação de fiscalização, em que "foram observadas alterações no estado de conservação dos taludes e a necessidade de revegetação". A agência informou ainda que foi identificado assoreamento de alguns dispositivos de drenagem superficial. "Essas ocorrências, embora suficientes para alterar a classificação quanto ao CRI, não estão associadas a um potencial comprometimento da segurança da estrutura", asseverou a ANM.
A CRI, segundo a agência, é uma classificação regulatória dinâmica que usa uma combinação de critérios relacionados às características técnicas da barragem, ao seu estado de conservação e à conformidade do Plano de Segurança da Barragem. As estruturas são classificadas, por meio de uma metodologia específica de pontuação para cada um dos critérios nas categorias baixa, média e alta.
"A classificação quanto ao CRI é um dos instrumentos utilizados pela ANM para a gestão e priorização da fiscalização. A condição de segurança de uma barragem é avaliada a partir de um amplo conjunto de informações disponíveis, incluindo inspeções, dados da instrumentação, estudos de estabilidade, anomalias identificadas e demais elementos previstos na regulamentação", explicou a agência.
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Monitoramento
A barragem Campo Grande está em fase de monitoramento ativo do processo de descaracterização, segundo a ANM. Isso significa que as obras previstas para a descaracterização foram executadas, mas a estrutura permanece em acompanhamento para verificação do desempenho e da efetividade das intervenções feitas na estrutura.
A agência ressalta que a conclusão das obras não significa, por si só, que tenha sido encerrado o processo regulatório de descaracterização ou que a estrutura deixe imediatamente de ser acompanhada. "Durante essa etapa de monitoramento, podem ser identificadas condições que alterem os parâmetros considerados no cálculo do CRI", frisou a ANM.
Em relação à barragem Campo Grande, a agência relatou que fez as exigências correspondentes ao que foi identificado na fiscalização, para que a empresa pudesse executar as medidas de correção. "Na inspeção regular reportada pelo empreendedor em 17 de julho de 2026, foi informado que as respectivas medidas já se encontravam em implementação", observou.
Por fim, a ANM reforçou que, "enquanto o processo de descaracterização não estiver integralmente concluído nos termos da regulamentação aplicável, inclusive quanto às etapas de acompanhamento previstas, a estrutura permanece sujeita ao monitoramento e à fiscalização".
Em nota, a Vale enfatizou que as obras de descaracterização da estrutura foram concluídas em dezembro de 2025 e comprovadas perante os órgãos competentes.
"A estrutura permanece estável, segura e sem qualquer nível de alerta ou emergência. Conforme prevê a legislação, a barragem segue sob acompanhamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) por um período de dois anos após a conclusão das obras. Nesse período, a Categoria de Risco (CRI) pode sofrer pequenas variações tratadas por meio de ações rotineiras de manutenção. Essa classificação não está relacionada à estabilidade da estrutura", ressaltou.
A empresa disse ainda que a barragem continua sendo monitorada 24 horas por dia, sete dias por semana, pelos Centros de Monitoramento Geotécnico (CMG) da Vale.
Descaracterizada
A obra de descaracterização da barragem Campo Grande, na Mina Alegria, consistiu na retirada do alteamento a montante, na realização da reconfiguração da estrutura e na construção de reforços, além de impermeabilização e adequações no sistema de drenagem, segundo a empresa.
Com a conclusão das obras na estrutura de Mariana, a Vale disse ter alcançado 63% de execução no Programa de Descaracterização. A barragem Campo Grande foi a 19ª com método a montante a ser eliminada. Dessas, 16 estão em Minas Gerais e três no Pará. Outras 11 ainda serão completamente extintas pela empresa.
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Somente no complexo da Mina Alegria, em Mariana, há três barragens a montante incluídas nesse programa. Além de Campo Grande, que foi a primeira a ter a obra de descaracterização concluída, há também as estruturas de Doutor e Xingu, que, segundo a Vale, estão em processo de eliminação.