Após passar quatro meses internado na UTI Pediátrica do Neocenter Felício Rocho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, o pequeno Arthur, de 3 anos, recebeu alta. A mãe do menino, Aline Firmino de Lima Rocha, acompanhou a luta da criança simultaneamente à sua própria. Ela também precisou fazer duas cirurgias e não pôde acompanhar o filho no início do tratamento, pois também estava hospitalizada. A família sofreu um grave acidente durante uma viagem de lazer para a Bahia em maio deste ano. Na colisão frontal com um caminhão, na rodovia BA-263, no Sudoeste do estado baiano, morreram o pai de Arthur e marido de Aline, Alessandro Barroso Rocha, de 35, e a filha do casal, Ana Laura Firmino Rocha, de 5. 

Arthur sofreu traumatismo cranioencefálico grave e passou os mais de 120 dias seguintes internado na UTI do Felício Rocho na capital mineira. O menino recebeu alta na última sexta-feira (18/9).

Durante esse período, Aline precisou atravessar simultaneamente o luto pela morte do marido e da filha e acompanhar a condição grave do filho. Outros familiares se revezavam para cuidar do menino que contou com um acolhimento diferenciado da equipe assistencial do hospital.

Reabilitação 

Arthur deixou o hospital traqueostomizado, sem andar e com comprometimento da visão, mas Aline mantém a esperança de que o filho continuará se recuperando ao longo de sua reabilitação.

De acordo com Sheila Cordeiro, do Núcleo de Acolhimento ao Paciente, a alta de um paciente pediátrico de trauma é a celebração da vida e da resiliência de toda a família. Segundo ela, o hospital organizou o "Corredor da Esperança" para simbolizar esse momento de vitória.

Durante a homenagem, Sheila destacou: "Algumas despedidas são necessárias, como esta que testemunhamos. É a despedida mais esperada, pois é sinônimo de encontro: de vínculos fortes, novos amores e novos rumos. Para a equipe, esse momento é a certeza de que as redes de afeto e o cuidado doado com tanto carinho permanecem para sempre na vida da família".

Aline decidiu falar publicamente sobre o que viveu porque acredita que sua história pode ajudar outras famílias que estejam enfrentando situações graves e com prognósticos difíceis. “Não quero que as pessoas percam a esperança”, disse.

Homenagem emocionante

Profissionais do hospital prepararam uma celebração com balões e testemunhos de integrantes das equipes que acompanharam Arthur e sua família durante os quatro meses de internação.

Emocionada, a mãe do menino fez um longo agradecimento. Citou médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e fonoaudiólogos, mas também profissionais da recepção, portaria e limpeza que estabeleceram vínculos com Arthur durante a hospitalização.

“Queria que vocês sentissem o amor e a gratidão que tenho por todos vocês que passaram pelo Arthur, diretamente ou indiretamente. Pelo acolhimento não só com ele, mas com a minha família”, afirmou Aline.

Ao falar sobre o futuro, contou que mantém a esperança de ver o filho recuperar capacidades e construir sua própria história.

Em um dos momentos mais emocionantes, Aline projetou os próximos passos que deseja para seu filho: “A maior maravilha que Deus vai fazer na minha vida é quando eu entregar o Arthur no altar para ele casar e viver o amor da vida dele”.

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* Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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