Servidores da Funed contestam fim de estacionamento e cobram alternativas
Fundação encerra, a partir desta quinta-feira (24/9), uso de duas áreas e mantém 230 vagas internas; funcionários afirmam que mais de 200 pessoas ficarão sem local para deixar os veículos; instituição diz que avalia alternativas
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Mais de 200 servidores da Fundação Ezequiel Dias (Funed) afirmam estar sem alternativa para estacionar os veículos a partir desta quinta-feira (24/9), quando a instituição pretende impedir o acesso de funcionários às áreas que eram utilizadas como estacionamento no terreno do antigo Hospital Galba Veloso, no Bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte. A mudança ocorre em razão da estruturação da Parceria Público-Privada (PPP) que prevê a construção do Complexo de Saúde Hospital Padre Eustáquio (HoPE) e do novo Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG) no local.
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A Funed afirma que a área utilizada pelos servidores pertence à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e havia sido cedida à instituição de forma provisória e precária. Segundo a Fundação, o terreno foi requisitado para viabilizar as obras do HoPE, projeto que também prevê a transferência do Lacen-MG para o novo complexo. A instituição reconhece os impactos da mudança para os funcionários e afirma que avalia alternativas, inclusive a utilização de estacionamentos nas proximidades.
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De acordo com uma servidora ouvida pela reportagem, que pediu para não ser identificada, os funcionários foram comunicados sobre a mudança há menos de duas semanas. Ela afirma que a medida foi informada sem que a gestão apresentasse, até então, uma alternativa para os trabalhadores que dependem do carro para chegar à unidade.
Com o encerramento dos estacionamentos conhecidos internamente como "britas" e "galba", a capacidade de estacionamento dentro da Funed será reduzida para 230 vagas, segundo documento apresentado pelos servidores. A Fundação confirma que as vagas remanescentes foram reorganizadas e destinadas a grupos específicos, entre eles gestantes, pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), idosos, ocupantes de cargos de gestão e chefias, além de espaços para carga e descarga, visitantes e recebimento de amostras laboratoriais do Lacen.
A servidora, que trabalha na Funed há 19 anos e afirma utilizar o estacionamento interno há mais de uma década, diz que a notícia da retirada das vagas pegou os trabalhadores de surpresa.
Segundo ela, os funcionários que utilizavam as vagas internas não recebem auxílio-transporte justamente porque tinham a possibilidade de estacionar na instituição. Os servidores também teriam assinado documentação no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) declarando que não necessitavam do benefício em razão da disponibilidade de estacionamento.
A Funed, por sua vez, afirma que a reorganização das vagas ocorreu após consultas a outros órgãos públicos e levou em consideração práticas adotadas no serviço público para utilização dos espaços institucionais.
Poucas vagas no entorno
Com a retirada das áreas utilizadas atualmente, os trabalhadores dizem que terão de buscar alternativas nas ruas da região ou em estacionamentos particulares. .
A unidade fica próxima a vias de grande circulação, como as avenidas Amazonas e Tereza Cristina, além da Rua Conde Pereira Carneiro. De acordo com o relato, as poucas vagas disponíveis nas proximidades costumam permanecer ocupadas durante o dia. A situação se agrava em períodos de eventos no Expominas e no Parque de Exposições, quando há restrições adicionais para estacionamento na região.
"São pouquíssimas vagas que inclusive já ficam o dia inteiro todas ocupadas", afirma.
Uma das alternativas levantadas pelos funcionários seria a utilização de um estacionamento localizado nas proximidades da instituição, com capacidade estimada em cerca de 400 veículos. A possibilidade, entretanto, dependeria da celebração de um contrato entre a Funed e o estabelecimento. Segundo a servidora, o valor informado seria de aproximadamente R$ 50 mil mensais.
"Isso teria que ser pago pela Funed ou por nós. Eu não acharia justo porque o resto das chefias vai parar aqui e nós teremos que pagar", afirma.
Questionada sobre a situação, a Funed informou que reconhece os impactos da mudança e que segue avaliando alternativas para minimizar os efeitos sobre os servidores. Entre as possibilidades está justamente a utilização de estacionamentos nas proximidades. A instituição afirma que pretende apresentar providências efetivas em até 90 dias.
Obras do HoPE
O fim do estacionamento está diretamente relacionado ao projeto do Complexo de Saúde Hospital Padre Eustáquio (HoPE), que deverá ocupar a área do antigo Galba Veloso. O empreendimento também está relacionado à transferência do Lacen-MG para o novo complexo.
A Funed afirma que a liberação do terreno é necessária para viabilizar o projeto, que prevê, além do complexo hospitalar, a implantação do novo Laboratório Central de Minas Gerais.
De acordo com as informações apresentadas pelos servidores, a área utilizada atualmente para estacionamento precisa ser liberada para dar continuidade ao projeto. O documento, entretanto, questiona o momento escolhido para a desocupação, argumentando que o cronograma da PPP prevê uma etapa de elaboração de projetos até 2027 e que não haveria, neste momento, intervenção física no terreno.
É justamente esse intervalo entre a retirada dos veículos e o início previsto das obras que está no centro da reclamação dos funcionários. Segundo a servidora, os trabalhadores foram informados de que não poderiam mais utilizar o estacionamento a partir de 24 de setembro, enquanto a construção do hospital estaria prevista para começar somente no segundo semestre de 2027.
“Para que tanta pressa? Deixar a gente do lado de fora sem resolver nada, sem ter uma solução para a gente que precisa vir trabalhar de carro, sendo que nenhuma obra vai começar agora”, questiona.
Reclamações vão além do estacionamento
A trabalhadora também afirma que há insatisfação com a relação entre a atual gestão e os trabalhadores e menciona dificuldades para o contato com representantes sindicais. "Quando precisamos nos reunir com o sindicato, o representante fica na grade do lado de fora nos passando as informações", relata.
A servidora também menciona uma preocupação mais ampla com a composição do quadro de funcionários da Funed: o número de contratados seria muito superior ao número de efetivos do concurso público. A demanda relacionada aos concursos já teria sido levada ao Ministério Público e que, segundo ela, ainda não houve resposta da gestão.
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A fundação contesta essa informação, afirmando que atualmente há cerca de mil servidores, sendo a maioria efetivos. A instituição afirma ainda que as contratações temporárias atendem a necessidades específicas e são realizadas conforme a legislação vigente.