Justiça afasta policial suspeito de cobrar R$ 20 mil de detento
Servidor é investigado por exigir quantia em dinheiro de presidiário em troca de vaga de trabalho na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho em Ipaba, no Vale do Aço
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A Justiça acatou o pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que determina o afastamento preventivo de um policial penal suspeito de exigir R$ 20 mil de um detento em troca da concessão e manutenção de uma vaga de trabalho na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, no Vale do Aço. Na época, o servidor exercia a função de diretor de Segurança da unidade prisional.
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A medida foi concedida pela Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ipatinga, em Ação de Improbidade Administrativa ajuizada pelo MPMG.
O policial penal deverá permanecer afastado do cargo e de qualquer função de chefia, direção ou assessoramento no âmbito da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp/MG), sem prejuízo da remuneração, até nova deliberação judicial.
A Sejusp informa que não compactua com desvios de conduta de seus servidores e que toda e qualquer suspeita é apurada com rigor, sempre respeitando o devido processo legal e os princípios da ampla defesa e do contraditório. "Medidas administrativas e, quando necessário, judiciais são adotadas com a seriedade exigida pelo tema."
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Suposta cobrança feita por Pix
De acordo com o MPMG, o próprio policial teria entrado em contato com a mãe do presidiário, além de ter fornecido os dados de sua conta bancária para o pagamento. O valor de R$ 20 mil teria sido transferido diretamente para a conta do policial penal em três frações via Pix, uma de R$ 3 mil, R$ 10 mil e R$ 7 mil, realizadas nos dias 8 e 9 de setembro de 2025.
Entre os elementos reunidos pela instituição estão depoimentos, comprovantes das transferências bancárias, registros de mensagens, áudios e dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos. A investigação também apontou que as transferências ocorreram no mesmo período em que foi formalizado o ato administrativo que concedeu a vaga de trabalho ao prisioneiro.
Por que o afastamento do servidor foi aprovado?
Ao aprovar a medida, a Justiça do estado considerou que o conjunto de elementos apresentados indica, nesta fase inicial do processo, a possível prática de ato intencional de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito. A Justiça também reconheceu risco à coleta de provas caso o servidor permanecesse em exercício, especialmente em razão da posição de autoridade que ocupava e da situação de vulnerabilidade de presos, familiares e servidores que poderão prestar depoimento no processo.
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Os fatos são objeto de apuração também na esfera criminal. O MPMG informa que a Ação de Improbidade Administrativa seguirá seu curso para análise definitiva das acusações, garantidos ao policial o direito de defesa e de contestação das acusações.