MPMG denuncia nove pessoas por ligação com o Comando Vermelho
Os envolvidos podem pegar de 20 a 40 anos de prisão pelo crime de domínio social estruturado
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Nove pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por envolvimento com o Comando Vermelho, em municípios da Zona da Mata mineira. O anúncio foi feito pelo órgão nesta quarta-feira (2/9). Os suspeitos são apontados como membros do núcleo de comando, de liderança e de apoio da organização. A ação faz parte da Operação Quione, que conta com apoio de agentes de segurança de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, e que busca desarticular a facção interestadual.
A denúncia partiu do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Regional de Visconde do Rio Branco e da 1ª Promotoria de Justiça de Leopoldina. A Operação Quione conta com apoio do MPMG, da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e do Ministério Público do Rio de Janeiro.
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As investigações são baseadas na Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Anti-Facção, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e criou tipos penais específicos para o enfrentamento das organizações criminosas.
Os nove denunciados foram enquadrados, neste momento, nos artigos 2º e 3º da Lei nº 15.358/2026, que tipificam os crimes de domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado.
No processo, os investigados teriam contribuído para a manutenção de uma estrutura criminosa destinada à imposição de controle territorial e social, por meio da violência e de ameaça, além de criar "embaraços à atuação das forças de segurança pública".
De acordo com o MPMG, o grupo mantinha uma estrutura hierárquica permanente, com divisões de funções logísticas próprias para a distribuição de drogas e ramificações em diferentes cidades da Zona da Mata. O órgão aponta que alguns bairros de Leopoldina e de outras cidades adjacentes, recebiam entorpecentes do Rio de Janeiro.
A pena prevista é de 20 a 40 anos de prisão para o crime de domínio social estruturado. As denúncias foram enviadas ao poder Judiciário, que fica responsável pelo andamento do processo.
Controle a partir da violência
Os grupos atuantes no município mineiro buscavam expandir e manter o domínio territorial nesses locais.
Além do tráfico de drogas, os investigados são acusados de usar violência para controlar as comunidades; de impor regras de convivência à população; promover punições disciplinares, através de um “tribunal do crime”; de monitorar as forças de segurança; e usar armamentos restritos.
As investigações apontaram que houve o recrutamento de adolescentes para atividades criminosas e de ações voltadas à consolidação da influência da facção nas localidades.
Para viabilizar isso, os grupos financiavam eventos e cobravam valores de moradores, que eram revertidos em benefícios para a própria comunidade. Essa estratégia era usada para ampliar a aceitação e a legitimidade do grupo junto à população.
O MPMG conta que as investigações mostraram que os grupos apresentavam uma padronização logística e comercial de entorpecentes. Foram feitas apreensões de drogas, embaladas com etiquetas referenciadas a organização criminosa. Isso mostra que existe uma cadeia de fornecimento e de distribuição entre o Rio de Janeiro e as cidades da Zona da Mata.
Operação Quione
A Operação Quione foi deflagrada no dia 9 de julho. Foram expedidos 70 mandados judiciais — 27 prisões preventivas e 43 de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, Juiz de Fora, Recreio e Leopoldina.
A origem da ação partiu de uma série de ações feitas pelas forças de segurança, em que foram apreendidos cinco mil porções de drogas, quatro fuzis e diversos carregadores de armas de fogo.
Episódios de violência grave foram documentados e atribuídos à organização criminosa, como torturas, espancamentos, ameaças e ataques a desafetos do grupo.
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Juliana Lima