O galpão do Horto Florestal, em Ubá, na Zona da Mata mineira, voltou a causar controvérsia por causa da forma como as roupas doadas durante as enchentes estão armazenadas.

O espaço foi utilizado pela prefeitura como central de recebimento, triagem e distribuição de donativos durante o período chuvoso que atingiu a região no início deste ano. Em um vídeo gravado nesta terça-feira (11/8), a vereadora Soninha da Policlínica (PRD), de Ubá, mostra o local repleto de roupas empilhadas, colchões, sacos fechados e peças espalhadas pelo chão, sem aparente triagem ou organização.

Nas imagens aparecem sapatos, peças de diferentes tamanhos misturadas e sacos de roupas ainda fechados. Os donativos foram enviados de diferentes partes do Brasil para ajudar famílias afetadas pelas chuvas.

A situação envolvendo as roupas doadas já havia provocado repercussão em março. Naquele mês, um vídeo mostrou uma retroescavadeira da Prefeitura de Ubá movimentando pilhas de roupas dentro do galpão do Horto Florestal.

As imagens geraram críticas nas redes sociais. Na ocasião, o prefeito José Damato e o vice-prefeito reconheceram falhas da equipe responsável pelo manejo dos donativos, pediram desculpas publicamente e foram ao local acompanhar a reorganização das roupas.

Meses depois, o armazenamento dos donativos volta a levantar questionamentos sobre a organização, a triagem e a destinação das peças recebidas durante o período de chuvas.

Segundo a vereadora, o Horto Florestal passou a ser utilizado como depósito das mercadorias recebidas durante a emergência provocada pelas enchentes, embora o espaço não tenha sido destinado originalmente para essa finalidade.

“Na época da enchente, o Horto foi utilizado como depósito de mercadoria que chegava”, afirmou Soninha.
A parlamentar alega que moradores ainda procuram a secretaria responsável em busca de roupas, mas recebem a informação de que não há mais itens disponíveis para doação. Segundo ela, as denúncias sobre a existência das peças no galpão fizeram com que fosse até o local para verificar a situação.

“Segundo a secretaria, não tem mais nada para doar, que já acabou tudo. Essas roupas também, segundo a população que procurava a secretaria e perguntava se tinha roupa para ser doada, recebia a resposta de que não tinha roupa para doar. Mas aí eu recebia essas denúncias e ia até o local”, relatou.

O que diz a prefeitura

Em resposta às denúncias, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Ubá informou que as doações recebidas durante a calamidade passaram por triagem e que os materiais em condições de uso foram destinados às famílias atingidas pelas chuvas.

Sobre as roupas, calçados e móveis que ainda aparecem armazenados no galpão do Horto Florestal, a prefeitura afirmou que os itens foram classificados como inservíveis, por não apresentarem condições adequadas para reaproveitamento ou distribuição.

Segundo a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Ana Paula Teixeira, após o atendimento às famílias e a abertura do Horto para que os moradores escolhessem as peças que poderiam utilizar, a equipe identificou uma grande quantidade de materiais sem condições de uso.

“Foi então que, reunindo a nossa equipe, nós solicitamos ao Ministério Público, através de fotos e vídeos, que fosse analisado o material que estava lá e se poderia ser descartado”, afirmou.

De acordo com a secretária, o Ministério Público orientou a abertura de um procedimento para o descarte adequado das roupas e a contratação de uma empresa que cumpra a legislação ambiental. “Isso nós estamos na tratativa com a empresa, isso está sendo feito”, disse.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Social também afirmou que os materiais sem possibilidade de reaproveitamento serão encaminhados a uma empresa especializada para destinação adequada, seguindo os procedimentos previstos na legislação ambiental.

A pasta ressaltou ainda que todo o processo após a calamidade foi conduzido, segundo a Prefeitura, “com muita transparência e lisura”, em respeito aos doadores e às famílias atingidas. A Secretaria informou que permanece disponível para esclarecimentos à população.

Reconstrução segue após enchentes

As chuvas que atingiram a Zona da Mata no início do ano provocaram mortes, alagamentos, deslizamentos de terra e desabamentos em diferentes municípios da região. O temporal deixou milhares de pessoas desalojadas ou desabrigadas e provocou um cenário de destruição em cidades como Ubá e Juiz de Fora.

Seis meses depois da catástrofe, Ubá ainda passa por obras de reconstrução de estruturas afetadas pela enchente. Segundo dados da prefeitura, há intervenções em andamento em diferentes pontos do município, incluindo a recuperação de pontes, vias, prédios públicos, sistemas de sinalização e estruturas de contenção.

Entre os serviços estão a reconstrução da ponte do Bairro Rosa de Toledo, com previsão de conclusão para 29 de agosto, a recuperação de trechos das avenidas Comendador Jacinto Soares de Souza Lima e Paulino Fernandes e a reforma da Policlínica Regional, do Centro de Especialidades Odontológicas, da Feira Livre Municipal e do Centro Administrativo e Terminal Rodoviário.

Também estão em andamento obras na Avenida Beira-Rio, atingida pelas enchentes, enquanto a reconstrução da infraestrutura da chamada Nova Beira-Rio e a recuperação da orla da avenida ainda não foram iniciadas, conforme o cronograma municipal.

Nesta quinta-feira (13), o Governo Federal apresentou um balanço das ações realizadas após as chuvas de fevereiro e informou que R$ 91 milhões foram destinados a ações emergenciais de Defesa Civil em Juiz de Fora e Ubá.

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Desse total, R$ 2,5 milhões foram destinados à assistência humanitária, com recursos para cestas básicas, kits de limpeza, higiene e dormitório, equipamentos de proteção individual e combustível. Ubá recebeu R$ 400 mil desse valor.

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