A Polícia Civil investiga as circunstâncias das mortes de um homem de 26 anos e de uma mulher, de 32, ocorridas em Pedras de Maria Cruz, no Norte de Minas, na noite de sábado (1º/8). As duas vítimas tiveram os corpos carbonizados, após o carro que ocupavam, um Gol, sair da pista na MGC-135 e pegar fogo às margens da rodovia. A princípio, o caso foi divulgado como desastre automobilístico. No entanto, posteriormente passou a ser investigado como suspeita de feminicídio seguido de suicídio e posterior acidente, que pode ter sido provocado pelo suspeito, o que ainda será apurado.


O inquérito foi instaurado na manhã dessa segunda-feira (3/8) pela delegada Natália Moura, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), de Januária. A delegada confirmou ao Estado de Minas que a linha de investigação é feminicídio, seguida de suicídio pelo suspeito. O homem e a mulher moravam em Brasília (DF) antes de chegarem a Pedras de Maria da Cruz, onde viviam havia pouco tempo.


O Corpo de Bombeiros divulgou que foi acionado para atender uma ocorrência no final da noite de sábado e que os militares encontraram um carro Gol em um barranco às margens da rodovia, completamente destruído pelas chamas. A corporação informou que foram encontrados no interior do veículo dois corpos carbonizados, um homem e uma mulher, sendo providenciado o trabalho da perícia.

No entanto, testemunhas disseram que horas antes de o Gol ser encontrado na estrada, viram o condutor atropelar a mulher intencionalmente, após uma discussão. Após ser acionada, a Polícia Militar montou um cerco na cidade, mas o suspeito conseguiu fugir usando uma estrada vicinal. Logo em seguida, alcançou a MGC-135 no sentido Lontra.


Conforme uma testemunha, o carro foi encontrado incendiado a 13 quilômetros de Pedras de Maria da Cruz, após uma curva. Ainda não se sabe se o motorista do carro jogou-o para fora da estrada de forma proposital ou se foi mesmo um acidente, em função da alta velocidade, uma vez que ele estava fugindo da perseguição policial.


NOTA DE PESAR

Embora o nome da mulher morta não tenha sido divulgado, ela foi identificada como Maisa Almeida. Mãe de dois filhos, o corpo da vítima foi sepultado no cemitério local da cidade, na tarde de domingo. O Fórum Norte Mineiro em Defesa da Vida de Mulheres e Meninas (Feminorte), articulação de combate à violência e de defesa dos direitos das mulheres, publicou uma nota em que manifestou “pesar e indignação pelo assassinato brutal (sic) de Maísa Almeida”.


A delegada Natália Moura disse que as investigações sobre o caso ainda estão na fase inicial e que os laudos periciais estão sendo elaborados. “A gente depende deles (dos laudos) para chegar a uma conclusão no final da investigação, mas a linha está sendo mais feminicídio seguido de suicídio do autor”, afirmou a policial.


Natália Moura alegou ainda não poder dar detalhes da dinâmica do caso, não sendo possível saber se a mulher já estava morta quando foi colocada no carro, o que vai depender dos depoimentos de testemunhas , laudos da perícia e de diligências.


Por outro lado, um morador de Pedras de Maria da Cruz informou que uma testemunha que estava no local falou que o homem passou com o carro três vezes em cima do corpo da mulher. Em seguida, colocou o corpo da mulher dentro do carro, dando partida no veículo.


NO EXTERIOR

De acordo com um morador de Pedras de Maria da Cruz, o casal retornou à cidade situada às margens do Rio São Francisco há cerca de um ano e meio. A mesma fonte disse que o homem suspeito de cometer homicídio e, em seguida, suicídio, já morou no exterior – nos Estados Unidos. O suspeito, conhecido como “Gedegilson”, trabalhava como pintor de parede.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


O morador revelou ainda que a mulher, Maisa Almeida, anteriormente, teve dois relacionamentos. Ela residiu por um tempo em Brasília, onde conheceu “Gedegilson” e voltou para a terra natal na companhia dele. O casal teria constantes desavenças, sobretudo em função do comportamento agressivo do homem. 

compartilhe