O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) denuncia a redução da equipe de pediatria do Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HOB), no Bairro São Cristóvão, em Belo Horizonte. Segundo a entidade, o número de médicos por plantão caiu de cinco para três, com um quarto profissional atuando apenas em horário restrito.

O sindicato afirma que a medida coloca em risco o atendimento à população, especialmente em meio ao aumento das doenças respiratórias. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informa que a organização das escalas segue critérios técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.

"Um decreto de emergência municipal e estadual está em vigor em decorrência do aumento dos casos de doenças respiratórias, e o HOB é referência municipal no atendimento ao público infantojuvenil", afirma o endocrinologista pediátrico e diretor do Sinmed-MG, Cristiano Maciel, ao comentar a situação sanitária vivida na capital mineira. "Essa redução de profissionais trouxe um caos muito grande para o atendimento, porque estamos em um período de alta demanda. Essa decisão da diretoria não se justifica do ponto de vista clínico."

Diante dos relatos, o sindicato protocolou um ofício direcionado à gestão do HOB, à Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, ao Ministério Público, ao Conselho Municipal de Saúde, à Mesa SUS-BH e ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG).

O Sinmed-MG apresentou a pauta às instituições e solicitou uma reunião urgente para tratar do tema. O hospital agendou um encontro presencial para o dia 12 de agosto, prazo considerado longo pela entidade que representa os médicos.

"Eles responderam, a princípio, com uma reunião para o dia 10 de agosto, que não nos atendia, e depois mudaram a reunião para o dia 12, que também não nos atende. As datas não dialogam com as demandas urgentes dos médicos", protestou. "Estamos vendo que vai ser apenas uma reunião protocolar e que eles a marcaram com essa antecedência para ganhar tempo", apontou o diretor.

Cristiano afirma que uma greve dos profissionais não está em debate neste momento, porque traria consequências negativas para a população. Ele questiona a análise produtivista do cuidado feita pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e relembra os cortes de servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no primeiro semestre deste ano.

"A prefeitura tem se baseado em planilhas de produtividade e em uma resolução do próprio Conselho Federal de Medicina de que um plantonista de urgência pode atender até 30 pacientes em um plantão de 12 horas. Porém, se um caso for urgente, pode ser que ele não consiga alcançar esse número", disse. "O HOB é referência estadual no cuidado de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual. Os atendimentos desse público demandam muito da equipe. É preciso que dois médicos participem do atendimento, além de lidar com a família, o Conselho Tutelar e o paciente", relatou o diretor.

O que diz a prefeitura?  

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal de Saúde, divulgou nota na qual afirma que a organização das escalas médicas da Pediatria do HOB é definida com base em critérios técnicos, que levam em consideração o histórico de atendimentos e a sazonalidade das doenças. Durante o período de emergência, o hospital ampliou o atendimento pediátrico, com a expansão temporária de leitos e o reforço das equipes. Confira a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal de Saúde informa que a organização das escalas médicas da pediatria do Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HOB) é definida com base em critérios técnicos, considerando a série histórica dos atendimentos, a sazonalidade das doenças respiratórias e o monitoramento contínuo dos indicadores assistenciais. Nos últimos anos, o HOB registrou redução da demanda pediátrica, o que motivou a readequação da escala. O dimensionamento das equipes é permanentemente acompanhado e pode ser revisto sempre que os indicadores assistenciais apontarem necessidade.

Durante o período de emergência em saúde pública por doenças respiratórias, o HOB adotou medidas para ampliar a capacidade de atendimento pediátrico, incluindo a expansão temporária de leitos e o reforço das equipes, de acordo com a demanda observada. Com a tendência de redução dos casos e o retorno da Pediatria ao padrão habitual de atendimento, não há, neste momento, indicação técnica para ampliação de estruturas, abertura de novos leitos ou contratação de equipes adicionais.

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O HOB reafirma que todas as decisões relacionadas à organização da assistência e ao dimensionamento das equipes são fundamentadas em evidências, indicadores assistenciais e critérios técnicos, assegurando a manutenção de uma assistência segura, eficiente e alinhada às necessidades da população usuária do SUS.

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