ESTIAGEM

Fogo avança em Minas e incêndios dão salto de 48% no início da seca

Com mais de 2 mil queimadas em julho e cidades sob alerta para umidade crítica, avanço do El Niño e ação humana desenham cenário de perigo no estado

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O avanço do inverno e a consolidação da estação seca em Minas Gerais trouxeram um rastro devastador sobre a vegetação do estado. Dados do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) revelam um salto preocupante no número de incêndios florestais e em terrenos vegetados. A corporação atendeu a 2.334 ocorrências de queimadas em todo o estado apenas em julho, mês com maior incidência no ano. O número representa uma alta expressiva de aproximadamente 48% na comparação com o mês de junho, quando foram registrados 1.577 chamados para combater as chamas.

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A escalada das queimadas coincide com o avanço do período de estiagem, que historicamente castiga o estado entre o meio do ano e o início da primavera. Serras, parques estaduais e reservas ambientais tornaram-se alvos constantes do fogo. A vegetação ressecada atua como um combustível, transformando pequenas faíscas em incêndios de grandes proporções que consomem hectares, ameaçam a fauna nativa e cobrem cidades inteiras com nuvens de fumaça e fuligem.

O aumento dos incêndios encontra terreno fértil nas condições meteorológicas que atingem o estado neste início de agosto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 543 municípios mineiros – o equivalente a mais de 60% de todo o território estadual –, incluindo Belo Horizonte e cidades do Triângulo, Norte, Noroeste e Região Central, ficaram sob alerta de perigo potencial para baixa umidade relativa do ar nesta semana.

E a tendência é que o cenário se mantenha o mesmo nos próximos dias, mesmo depois da emissão de alertas do Inmet por vários dias consecutivos. Os índices registrados nas tardes mais quentes têm caído para níveis entre 20% e 30%, valores comparáveis aos medidos em regiões desérticas e consideravelmente abaixo do índice de 60% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Conforme a meteorologista Anete Fernandes, a baixa umidade é característica do período seco no estado. De acordo com a meteorologista, a ausência de chuva e os baixos índices de umidade relativa do ar favorecem a propagação de incêndios e queimadas, mas a causa é antrópica, isto é, causada por humanos. “A queima de lixo, queimadas para limpar terreno, entre outros, é o motivo dos focos. A condição climática é o que favorece a propagação”, explica.

Além do ar extremamente seco, Minas enfrenta dias marcados por uma acentuada amplitude térmica. Nas primeiras horas da manhã, os termômetros registram marcas severas, como os 5,6 °C aferidos em Monte Verde, no Sul de Minas, e os 13,5 °C na capital mineira, cuja sensação térmica chegou a 7,4 °C na Estação Cercadinho, na terça-feira passada.

No entanto, ao longo do dia, o sol forte eleva rapidamente as temperaturas, que alcançam picos de até 32 °C. Esse contraste térmico diário, somado à ausência prolongada de chuvas e à névoa seca que paira sobre o horizonte urbano, resseca ainda mais a matéria orgânica no solo, deixando a vegetação em estado crítico de vulnerabilidade.

Fonte: Corpo de Bombeiros Militar de MG (CBMMG)


Intensificação
dos focos

Para além das oscilações sazonais do inverno mineiro, especialistas alertam que o cenário atual tende a se agravar nos próximos meses devido à consolidação do fenômeno El Niño. Análises do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC/NOAA) mostram que o fenômeno – que bloqueia a chegada de frentes frias e umidade ao Sudeste brasileiro – começou em junho.

Com a possibilidade de um El Niño intensificado, meteorologistas apontam para o risco de uma estiagem ainda mais severa e prolongada em Minas. O desequilíbrio na distribuição de chuvas pode criar o ambiente ideal para que a temporada de incêndios florestais de 2026 atinja picos históricos de gravidade, semelhantes aos episódios mais críticos vivenciados em anos anteriores.

Como o clima seco e as altas temperaturas favorecem a rápida propagação do fogo, bombeiros reforçam que a maioria dos incêndios não começa por causas naturais. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a ação humana, seja por negligência, imprudência ou intenção criminosa, continua sendo o gatilho primário da destruição de áreas verdes em Minas Gerais.

O uso de fogo para limpeza de lotes e pastagens, a queima de lixo em quintais, o descarte irresponsável de bitucas de cigarro acesas nas margens das rodovias e a soltura de balões estão entre as condutas mais frequentes que dão início aos focos de incêndio. Em períodos em que a umidade relativa do ar está baixa, uma simples fagulha é capaz de desencadear um incêndio de grandes proporções em poucos minutos.

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O Corpo de Bombeiros reforça que provocar incêndio em mata ou floresta é crime ambiental previsto em lei, sujeito a penas de reclusão e multa, e apela à conscientização da população para interromper o uso do fogo como prática de manejo ou descarte.

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