Teatros fazem história nos palcos da educação belo-horizontina
Preservadas e bem equipadas, salas de espetáculos abertas também ao público externo compõem a cena de colégios de BH, mostra turnê do EM por cinco instituições
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Palcos iluminados pela história em cenários que contemplam, com toda classe, a cultura, a educação e, principalmente, a arte. Em Belo Horizonte, escolas tradicionais, algumas centenárias, têm seu próprio teatro, espaços destinados tanto às atividades de professores e alunos como a produções externas. Merecem aplausos os ambientes preservados, com equipamentos essenciais ao funcionamento e execução de obras, na temporada de férias, para garantir o sucesso do primeiro ao último ato.
Nesta reportagem, o Estado de Minas faz uma “turnê” que passa pela Escola Municipal Centro de Educação das Infâncias (CEI) Imaculada, antigo Imaculada Conceição, e os colégios Santa Maria Minas, Padre Machado, Santo Agostinho e Marista Dom Silvério.
Há novidades programadas para este mês. No CEI Imaculada, por exemplo, será realizado de 12 a 15 de agosto, em seu belo teatro, o 6º É tudo criança – Festival de Cinema Nacional, com curtas totalmente direcionados ao público infantil, informa a professora Maria Inês da Silva, coordenadora do espaço juntamente com a também docente Alice Alfinito Felippe.
Fica, então, o convite pessoal e intransferível para que todos conheçam essas belas referências culturais e educativas da capital. E saibam mais sobre a história das construções e o nome de grandes artistas que se aqui se apresentaram. Vale lembrar que em março de 2011, a cantora Maria Bethânia trouxe a BH seu recital de poesia – “Bethânia e as Palavras” –, muito apropriadamente no Dom Silvério. Foi um sucesso. Com 320 lugares, o local recebe atualmente eventos do colégio e de escolas parceiras e algumas atividades convidadas.
ATOS PÚBLICOS EM ESPAÇO CENTENÁRIO
No Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul de BH, se encontra o Espaço Cultural CEI Imaculada, equipamento da Escola Municipal Centro de Educação das Infâncias (CEI) Imaculada. Com capacidade para 350 pessoas, sendo 96 lugares no camarote, o teatro está voltado exclusivamente para atividades dos estudantes da rede municipal de ensino e eventos das secretarias e demais órgãos da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). De 12 a 15 de agosto, será palco do 6º É tudo criança – Festival de Cinema Nacional, com curtas totalmente direcionados ao público infantil.
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Quem dá as boas-vindas à equipe do EM é a professora de educação infantil Maria Inês da Silva, coordenadora de projetos especiais e do teatro, juntamente com a também docente Alice Alfinito Felippe. Logo na entrada do espaço, se vê um painel gigantesco retratando a fachada da escola nos tempos em que ainda era o Colégio Imaculada Conceição, que ficou na cena belo-horizontina durante 106 anos, até 2021. O imóvel foi adquirido pela PBH dois anos depois.
Com mais de 6,5 mil metros quadrados, o prédio ocupa um quarteirão inteiro entre as ruas da Bahia, Espírito Santo, Timbiras e Aimorés. Atualmente, funcionam no local o CEI Imaculada, com cerca de 510 estudantes da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental, sob a direção da educadora Maria Beatriz Vilaça Lima.
Dá gosto entrar no teatro, que tem o palco emoldurado por quatro colunas em tom âmbar. A sala de espetáculos, que recebeu no primeiro semestre cerca de 38 mil pessoas, dos quais 5,8 mil crianças, é usada pelos estudantes em atividades como aulas de teatro e coral, entre outras ações pedagógicas e culturais. Também recebe alunos de outras escolas da rede municipal de educação, por meio de agendamento. Uma vez por mês, é realizado ali o Cine CEI, sessão de cinema para estudantes da rede municipal.
Há projetos em formatação. Um deles é que os próprios estudantes ocupem o teatro com produções próprias. Outro é a abertura do espaço para companhias apresentarem espetáculos voltados ao público infantil.
PRESERVAÇÃO É ESSENCIAL
Ainda na Centro-Sul, há mais colégios com teatro, entre eles o Instituto Padre Machado, na região da Savassi. Fundado em 1921, o Padre Machado tem sala de espetáculos com 470 lugares, dos quais 120 no camarote. “Já tivemos aqui apresentação de muitas peças e musicais, a exemplo da recente ‘Nas ondas do rádio’”, informa o responsável pela agenda de eventos, Luiz Fernando Duarte.
Tombado pelo município, o teatro, que teve construção iniciada em 1942, tem boca de cena de 10 metros de largura e 7 de altura, com camarins. “Além de peças, o espaço está disponível para shows, palestras de instituições, eventos corporativos e outros. Também fazemos o agendamento de produtores“, informa Luiz Fernando. Interessados podem acessar o instagram @teatropadremachado.
No momento, o Instituto Padre Machado busca recursos para colocação de ar-condicionado na sala de espetáculos.
É muito importante que as escolas preservem seus espaços culturais, destaca Flávia Braga, coordenadora das salas Juvenal Dias e João Ceschiatti. do Palácio das Artes/Fundação Clóvis Salgado. Com larga experiência nas artes cênicas, Flávia explica que muitas das unidades de ensino têm, na verdade, um auditório, o que não diminui em nada sua relevância para a vida cultural da cidade.
“Na minha avaliação, um teatro precisa ter todos os elementos, a exemplo de iluminação, sonorização, urdimento (estrutura de vara de luz no teto de um palco), “backstage” ou coxia e demais áreas longe dos olhos do público, nas quais atores e equipe técnica trabalham para que o espetáculo aconteça”, diz.
Na primeira metade do século 20, explica, as escolas tinham seu espaço para uso exclusivamente interno. “Depois, houve um ‘boom’ de novas salas de espetáculo em BH, e outras receberam melhoramentos. Na contramão dessa história, alguns colégios saíram de cena e, com eles, os espaços culturais”.
Conforto para a plateia
De inauguração mais recente, o Teatro Santo Agostinho abriu as portas em 1998, com uma palestra do escritor norueguês Jostein Gaarden, autor do livro “O Mundo de Sofia”, dentro do projeto Sempre Um Papo. Naquele ano, o antigo auditório do Colégio Santo Agostinho estreava nova fase em sua história, com projeto cênico e acústico assinado por Raul Belém Machado, além de novas poltronas, tratamento acústico e equipamentos. No total, são 366 lugares, com 11 cadeiras especiais.
Dez anos mais tarde (2008), o espaço recebeu outra reforma e, desde então, vem se aprimorando tanto na questão técnica quanto no conforto do público, informa Thelmo Lins, administrador (desde 2009) do teatro, por meio de sua empresa de gestão cultural e produção, a TW Cultural. “Nesses 17 anos, foram desenvolvidos vários projetos próprios, como o Caixa Acústica (encontros musicais de artistas mineiros), o Festival de Musicais Infantis (em parceria com a Cyntilante Produções) e o Projeto Casas (que homenageia grandes ídolos da MPB).
O espaço também abriga os corpos estáveis do colégio, como a Orquestra Stradivarius e o Grupo Sarandeiros.
De médio porte, a sala recebe produções de teatro, dança, música e ainda palestras, aulas e encontros empresariais. “Temos agenda lotada praticamente o ano inteiro. É um teatro bonito, confortável, com boa localização e aberto a parcerias com o foco na difusão cultural dos artistas mineiros”, ressalta o gestor.
O cuidado na manutenção é permanente. Recentemente, ganhou novo projeto visual para o hall de entrada (foyer) e equipamentos para portadores de deficiência, entre eles elevadores, rampas e outros acessórios que garantem a total acessibilidade ao teatro. O próximo passo, revela Thelmo, é a quisição de um telão, troca de tecidos e numeração das poltronas.
CORTINAS ABERTAS PARA EVENTOS
Já na Região Leste da capital, abrem-se as cortinas do teatro do Colégio Santa Maria Minas – unidade Bairro Floresta da Rede de Colégios Santa Maria Minas, pertencente à Arquidiocese de Belo Horizonte. Fundado em 1982, o Teatro Santa Maria tem capacidade para 400 pessoas e estrutura acessível, ficando disponível a eventos educacionais, culturais e institucionais. Como será reformado, o foco agora está nas produções internas.
A equipe do EM conferiu a boa qualidade do espaço. Com o período de férias, não há a movimentação saudável e constante de alunos, professores e funcionários. Em meio ao silêncio, pôde ser visto o camarim, com amplo espelho, e banheiro.
ESPAÇOS DE CULTURA
Conheça alguns teatros localizados em escolas de Belo Horizonte
Teatro do CEI Imaculada
antigo Colégio Imaculada Conceição, localizado na Rua da Bahia, 1.534, no Bairro de Lourdes
Equipamento centenário adquirido pela Prefeitura de Belo Horizonte em 2023
Voltado exclusivamente para atividades dos estudantes da rede municipal de ensino e eventos das secretarias e dos demais órgãos da PBH
Capacidade para 350 pessoas, sendo 96 lugares no camarote
Teatro Santo Agostinho
Equipamento cultural do Colégio Santo Agostinho, na Região Centro-Sul
Fica na Rua Aimorés, 2.679, no Bairro Santo Agostinho
De médio porte, a sala recebe produções de teatro, dança, música e ainda palestras, aulas e encontros empresariais
A sala de espetáculos tem 366 lugares, com 11 cadeiras especiais
‘Teatro Padre Machado
do Instituto Padre Machado
Fica na Avenida do Contorno, 6.475, no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul
Fundado em 1921, o Instituto Padre Machado tem sala de espetáculos com 470 lugares, dos quais 120 no camarote
A construção do teatro teve início em 1942.
Além das peças teatrais, o espaço está disponível para shows, palestras de instituições, eventos corporativos e outros.
Teatro Santa Maria
do Colégio Santa Maria Minas
Localizado na Rua Jacuí, 237, no Bairro Floresta, na Região Leste
Integra a Rede de Colégios Santa Maria Minas, pertencente à Arquidiocese de Belo Horizonte
Disponível para eventos educacionais, culturais e institucionais.
Haverá reforma do espaçoCapacidade para 400 pessoas e estrutura acessível
Teatro Dom Silvério
Do Colégio Marista Dom Silvério
Fica na Rua Lavras, 225, no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul
Funciona atualmente para eventos do colégio e escolas parceiras e de algumas atividades convidadas
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Capacidade: 320 lugares